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Divaldo Franco: “Nossos
queridos que já voltaram
à Pátria Espiritual
vivem”
Um público numeroso
compareceu ao Ópera
Cristal, em
Alphaville, para ouvir o
conhecido médium e
orador
O Instituto de
Desenvolvimento
Humanitário e
Assistência Social O
Semeador, da localidade
paulista de Alphaville,
escolheu o espaço Ópera
Cristal para recepcionar
Divaldo Franco e um
público de 1.200 pessoas
para o evento
comemorativo de mais um
aniversário da
instituição. O evento
realizou-se na noite de
24 de junho último.
Divaldo Franco iniciou a
conferência recorrendo
ao filósofo e crítico
cultural alemão
Friedrich Wilhelm
Nietzsche (1844-1900),
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autor do
seguinte
pensamento: Toda
vez quando surge
uma ideia
nova, ela passa por três
períodos distintos: |
1. Período em que é
combatida tenazmente
(negação).
2. Período em que passa
a ser ridicularizada
(zombaria).
3. Período no qual é
finalmente aceita.
Com a Doutrina Espírita
não foi diferente. Tão
logo ela foi ganhando
notoriedade pela
seriedade de seus
postulados, surgiram
adversários gratuitos
para combatê-la. Teve
início, então, a fase
dos combates e
perseguições, não
somente por parte das
religiões dogmáticas
cujos ataques eram
previsíveis. As reações
mais contundentes,
porém, partiram dos
meios científicos
europeus.
Pierre-Marie-Félix Janet
(1859-1947), psicólogo,
psiquiatra e
neurologista francês com
importantes
contribuições para o
estudo moderno das
desordens mentais e
emocionais envolvendo
ansiedade, fobias e
outros comportamentos
anormais, foi o mais
destacado entre todos
que assestaram seus
ataques contra a
Doutrina Espírita,
buscando atingir a
mediunidade e, por
conseguinte, invalidar
todo o arcabouço dos
coerentes e lógicos
postulados da doutrina
libertadora.
Equívocos de quem fala
do que não sabe
Em 1889, Pierre Janet
publicou o livro L'automatisme
psychologique: Essai de
psychologie
expérimentale sur les
formes inférieures de l'activité
humaine (O
Automatismo Psicológico
- Ensaio de Psicologia
Experimental sobre as
Formas Inferiores da
Atividade Humana). A
obra, em sua segunda
parte, consagra
inteiramente o capítulo
3 para apresentar os
resultados dos estudos
dos diversos fenômenos
espíritas (mediúnicos),
chegando mesmo a
elaborar capítulos sobre
o Espiritismo (Resumo
Histórico do Espiritismo
e Hipóteses Relativas ao
Espiritismo).
É, porém, nos capítulos
finais que Pierre Janet
busca ferir de morte a
mediunidade afirmando
que o fenômeno mediúnico
é uma desagregação
psicológica e que se
explica como sendo uma
dualidade cerebral:
“aquilo que sou
versus aquilo que
sonho ser”.
A conclusão do eminente
cientista constitui um
golpe terrível para os
médiuns e para a
mediunidade: ”Os
fenômenos ditos
mediúnicos eram, na
verdade, manifestações
patológicas, doentias, e
se equiparavam aos
distúrbios psiquiátricos
como a esquizofrenia, a
histeria e a epilepsia”.
Com a chancela da
Ciência, os médiuns
passaram a ser tidos
como possuidores de
alienação mental. Um
rótulo amargo e terrível
estava sendo, portanto,
colocado nos médiuns: “A
mediunidade é sinônimo
de loucura”. O mais
agravante, porém, é que
Pierre Janet jamais
houvera pesquisado e
efetuado experiências
com médiuns ou mesmo
assistido a uma sessão
mediúnica. Seus estudos
e conclusões basearam-se
em trabalhos divulgados
por outros
pesquisadores.
Mediunidade causa
loucura?
Pierre Janet e outros
que concordaram com essa
tese sem sentido lógico
nem sequer se deram ao
trabalho de ler a
questão que Allan Kardec
formulou aos Bons
Espíritos em O Livro
dos Médiuns,
capítulo XVIII - Dos
inconvenientes e perigos
da mediunidade -
Influência do Exercício
da Mediunidade sobre a
Saúde, item 221, 5ª
questão: “Poderia a
mediunidade produzir a
loucura?”
A resposta dada pelos
instrutores espíritas é
clara, lógica e
taxativa: “A mediunidade
não produzirá a loucura,
quando esta já não
exista em gérmen”.
Nesse ponto da
conferência Divaldo
Franco mirou a plateia,
que o ouvia atentamente,
e, esboçando um leve
sorriso, fez um
contraponto. A postura
desses pseudossábios
capazes de tal acinte
contra algo que nunca
estudaram com
profundidade acabou por
despertar o interesse de
outros cientistas
sérios, como Alexandre
Aksakof (1832-1903), que
publicou o livro
Animismo e Espiritismo,
comprovando a
legitimidade da
Mediunidade.
Ao mesmo tempo, por toda
a Europa, corriam
notícias da realização
de fenômenos mediúnicos
extraordinários como o
do médium escocês Daniel
Dunglas Home (1833-
1886), famoso por sua
capacidade de
mediunidade de efeitos
físicos como a de
levitar até várias
alturas e a manipular
fogo e carvões em brasa
sem se machucar, entre
outras inúmeras, ou
ainda da médium italiana
Eusápia Paladino
(1854-1918),
extraordinária médium de
efeitos físicos cuja
mediunidade foi objeto
de pesquisas pelos mais
renomados cientistas da
época – Alexandre
Aksakof, César Lombroso,
Charles Richet, entre
outros – e ainda a não
menos célebre Hélène
Smith, pseudônimo de
Catherine-Elise Muller
(1861-1929), que se
tornou famosa pela
publicação do livro “Des
Indes à la Planete Mars”
(Da Índia ao Planeta
Marte), por Théodore
Flournoy (1854-1920),
médico e professor de
Filosofia e Psicologia
na Universidade de
Genebra, o qual estudara
por décadas sua
mediunidade.
Depois da negação, a
zombaria
Para não ficar somente
nos eventos históricos
do século XIX, Divaldo
Franco compartilhou com
os presentes o episódio
da mensagem especular
(escrita possível de ser
lida pelo reflexo de um
espelho) ditada em
francês pelo espírito
Léon Denis durante o 4°
Congresso Internacional
de Espiritismo,
realizado em 2004 em
Paris, França, e outro
fato similar ocorrido na
Alemanha nos anos 1980,
quando a mentora Joanna
de Ângelis,
utilizando-se de sua
faculdade mediúnica,
enviou aos presentes
mensagem, igualmente
especular, em alemão
clássico. E os fatos se
seguiram em italiano e
árabe.
Impossível que essas
sejam ocorrências do
subconsciente, pelo
simples fato de que o
médium desconhecia
completamente os idiomas
das mensagens
psicografadas.
É falsa, evidentemente,
a afirmação de que o
fenômeno mediúnico é
consequência da
dualidade cerebral.
Há, no tocante ao
assunto, apenas uma
explicação: A
imortalidade da alma e a
possibilidade do
intercâmbio entre ambos
os planos da vida.
Passada o período da
negação, a Doutrina
Espírita experimentou a
fase da zombaria, quando
seus seguidores foram e
ainda são tidos como
pessoas menos
esclarecidas, incultas,
ralé e escória social,
em manifestações
preconceituosas e
discriminatórias. Em
verdade, quem assim se
posiciona revela um
comportamento fomentado
pela ignorância e pelo
profundo desconhecimento
da Doutrina Espírita.
E finalmente o terceiro
estágio: a aceitação,
conquistada pela lógica
irretorquível de seus
postulados, pela
proposta magna de que
“fora da caridade não há
salvação”, pela leveza
das interpretações dos
ensinamentos de Jesus e,
acima de tudo, pela
consolação
misericordiosa que nos
proporciona a todos pela
certeza de que a morte
não existe, pela
convicção maravilhosa de
que nossos queridos que
já voltaram à Pátria
Espiritual vivem.
No final, muitas
lágrimas...
Bendita Doutrina que vem
nos alertar para a
importância de
observarmos nosso
próximo que transita ao
nosso lado e que, no
entanto, é, muitas
vezes, “invisível” às
percepções de nossos
sentimentos, afeição e
atenção.
Neste ponto da
conferência, a emoção
suscitada pelas palavras
carregadas de vibrações
dulçorosas de Divaldo
foi abrindo passagem até
chegar ao âmago de
nossos corações.
Lágrimas incontidas
afloraram. E o motivo é
que o mundo se nos
afigura mais belo quando
uma voz silenciosa
repete amorosamente:
“Vinde a mim todos vós
que estais
sobrecarregados e
aflitos e eu vos
aliviarei”.
Notas do Autor:
1) As fotos que ilustram
esta reportagem são de
autoria de Sandra
Patrocínio.
2) O Instituto de
Desenvolvimento
Humanitário e
Assistência Social O
Semeador foi fundado em
3 de janeiro de 1989 e
tem por objetivo o
incentivo e a prestação
de serviços gratuitos às
pessoas, instituições e
a coletividade em geral,
promovendo a melhoria e
o aperfeiçoamento da
qualidade de vida, de
acordo com os preceitos
da Doutrina Espírita.
Para saber mais,
consulte o site da
instituição: http://www.osemeador.org.br/index.php
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