Divaldo Franco: “Não devolva o ódio a
ninguém; seja você aquele que ama e tem paz”
Em seu périplo europeu, o orador falou aos espíritas de
Helsinque, Finlândia, e da cidade de Oslo, Noruega
Em 27 de maio de 2018, domingo, muito cedo, Divaldo
Franco já se encontrava no aeroporto de Viena, rumando
para a Finlândia. Ao chegar à bela capital Helsinque,
além do astro rei, o sol, Divaldo e alguns amigos foram
recebidos pelo pequeno grupo do confrade Pekka
Kaarakainen, que a todos aguardava alegremente. Após
uma rápida refeição no próprio aeroporto, Divaldo foi
conduzido ao hotel, pois já era aguardado por um grupo
de estudantes do Espiritismo para um encontro informal.
Mal se acomodara, buscando um refazimento rápido, e
porque Divaldo não se permite viver a hora vazia, se
reuniu, no próprio hotel, para dividir sua vasta
experiência com o grupo de finlandeses ávidos por
conhecimentos.
O encontro com os finlandeses –
Ali estavam pessoas notadamente buscando compreender
estas ideias e os ideais espíritas, para eles, ainda
muito novas. O amigo Dr. Juan Danilo deu início ao
aguardado encontro, saudando aos presentes com o carinho
e empatia que lhes são próprios e passou a narrar como
foi que o Espiritismo surgiu em sua vida, discorrendo,
também, sobre a implantação da Doutrina Espírita em
Quito, no Equador, onde, à semelhança da Finlândia, o
Espiritismo ainda é muito pouco conhecido. Relatou,
igualmente, suas experiências com os Espíritos, através
da mediunidade, passando em seguida a palavra a Divaldo
Franco.
Traduzido o teor da narrativa ao idioma finlandês pelo
querido amigo e anfitrião Pekka, Divaldo Franco,
saudando os presentes, incentivou-os a prosseguirem
estudando os postulados espíritas, pois afinal, disse
ele, os fenômenos espíritas são de todas as épocas da
humanidade.
Citando o filósofo Sócrates, adentrou-se pela
necessidade do autoconhecimento, que se constitui no
caminho para e felicidade, sendo possível encontrar as
razões para tudo o que ocorre na vida. O ilustre orador
discorreu e comentou sobre as bases, os alicerces da
Doutrina Espírita, deixando muito claro os cuidados que
se deve adotar a respeito da fidelidade à codificação, e
sobre a responsabilidade e o compromisso que se deve ter
ao realizar a divulgação do Espiritismo. Foi uma
palestra eminentemente doutrinária, algo cirurgicamente
elaborado, elucidando, certamente, muitas dúvidas e
conceitos distorcidos trazidos pelos olhares atentos,
como é natural.
O preclaro conferencista apresentou, ainda, várias
vivências suas com relação à mediunidade, afinal são
setenta anos de convivência com os Espíritos e muita
experiência acumulada. A vida é um poema de alegria que
oferece plenitude, e o Espiritismo dá ânimo para tornar
o mundo melhor, afirmou Divaldo Franco.
Alicerçado em sua ampla experiência, Divaldo tornou o
encontro leve e agradável, apesar do tema grave, e com
seu bom humor provocou muitos risos, deixando todos
muito à vontade, afinal Divaldo vem, há décadas,
desbravando fronteiras pelo mundo afora, falando de
Espiritismo onde nunca antes ninguém falou.
Na etapa final ainda respondeu diversas questões
formuladas, sempre com jovialidade, esclarecendo a
todos. Assim, encerrou o encontro, atendendo, uma vez
mais, todos os que desejaram dar-lhe um abraço, fazer
uma foto, ou entabular um rápido diálogo, tudo muito
normal para um “jovem” de noventa e um anos de idade.
Ele é mesmo um trator, o “Trator de Deus”,
segundo Chico Xavier, o médium espírita do século XX.
A conferência em Helsinque – A
segunda-feira, 28 de maio, foi intensa para Divaldo
Franco na Finlândia, o qual, já no período da manhã, no
hotel, concedeu uma longa entrevista respondendo várias
perguntas anteriormente formuladas sobre a Doutrina
Espírita, seguido por Juan Danilo, que também foi
entrevistado.
Após ligeiro almoço, Divaldo Franco e os amigos que o
acompanham seguiram para o local da conferência pública
e, no final da tarde, lá estava o Arauto do Evangelho
discorrendo sobre o Espiritismo para um auditório
composto por cerca de duzentas pessoas, a maioria
finlandeses, com a presença, também, de alguns
brasileiros.
Contando com a tradução do amigo finlandês Pekka
Kaarakainen para o idioma local, o Dr. Juan Danilo,
como tem ocorrido neste roteiro pela Europa, iniciou as
atividades relatando suas experiências na fundação do
primeiro centro espírita do Equador, na cidade de Quito,
onde residia até há alguns meses. Atualmente Juan reside
em Salvador, na Mansão do Caminho, demonstrando, em seu
relato, a atuação da Providência Divina que a tudo
preside, utilizando-se de caminhos, nem sempre
convencionais. O querido amigo apresentou as atividades
que são desenvolvidas na Mansão do Caminho, junto à
comunidade local, constituindo-se, essas atividades, em
um trabalho de verdadeiro amor, iluminando consciências,
levando também o pão para o corpo e o alimento para a
alma.
Iniciando a sua conferência, Divaldo Franco afirmou que
o ser humano penetrou no macrocosmo, nas micropartículas
e alcançou a energia. Combateu e venceu epidemias,
encurtou as distâncias, permitindo que se viva, hoje, em
uma espécie de aldeia global. Porém, apesar de todas
estas e outras conquistas, ainda não aprendeu a conviver
bem entre si.
No momento cultural atual, afirmou, quando se fala sobre
o amor, a impressão que se sente é a de se estar
ultrapassado. O amor foi desfigurado pelo ser humano,
transformando-o em um impulso das paixões carnais. No
entanto, esclareceu, o amor é sempre muito atual, deixou
de ter um sentido religioso para ser psicoterapêutico.
Divaldo narrou experiências vividas ao longo de várias
décadas na Mansão do Caminho, sensibilizando os ouvintes
atentos. Nada mais apropriado para falar sobre o amor,
do que exemplificar através das ações dessa obra que é
toda voltada ao amor, afinal, a sua, é uma vida de amor
ao próximo, como ensinou Jesus. O lúcido orador
mergulhou nos ensinamentos de Jesus, o maior filósofo e
psicoterapeuta da humanidade, demonstrando a excelência
do amor. Hoje a psiquiatria e a psicologia recomendam a
leitura do Evangelho como processo terapêutico.
Citando Charles Richet, Prêmio Nobel de Medicina,
médico fisiologista francês, Divaldo Franco discorreu
sobre a Metapsíquica, sobre a parapsicologia,
adentrando-se na imortalidade da alma. Apresentando
dados e fatos sobre o surgimento do Espiritismo, abordou
amplamente a mediunidade, trazendo vivências suas, uma
vez que desde os quatro anos de idade, não apenas vê os
espíritos, mas os ouve e conversa com eles, fazendo com
que a atenta plateia pudesse ter uma noção muito ampla
da realidade da Doutrina Espírita, do seu significado na
vida de todos.
O Espiritismo, afirmou Divaldo, vem repetir as lições de
Jesus. E como estava discorrendo sobre o amor, destacou
a importância do exercício da caridade, embora a
Finlândia seja um país rico, existe a miséria moral e
emocional, o alcoolismo, o suicídio, entre outros dramas
que assolam as criaturas humanas. O homem moderno vive
em uma hora em que a tecnologia apresenta muito
conforto, porém, somente o amor concede o estado de
felicidade. “Não devolva o ódio a ninguém; seja você
aquele que ama e tem paz”, asseverou o nobre orador.
É por amor que os Espíritos auxiliam e amparam os
indivíduos e orientam para proceder bem aqui na Terra, a
fim de colher os bons frutos quando adentrar na vida
além desta vida, na imortalidade.
Encerrando sua enriquecedora conferência, após ter
respondido inúmeras questões formuladas pelos presentes
sedentos de conhecimentos novos sobre o Espírito
imortal, o peregrino do Cristo, agradeceu a presença
amorosa e o carinho com que o receberam. Igualmente,
solícito, atendeu aos inúmeros pedidos de autógrafos,
fotos, despedidas, afirmando que pretende ainda retornar
ao país, que visita pela terceira vez, pois que se
depender dele, pretende ultrapassar o centenário na
terra.
Muito aplaudido, e de pé, os finlandeses, que em geral
são introvertidos, renderam suas homenagens, cativados
pela simplicidade, a espontaneidade e a natural
abordagem com que Divaldo Franco se expressa. Certamente
notaram que o seu, é um discurso legítimo, porque vive
conforme prega. Retornando ao hotel, logo se recolheu,
tendo em vista que o próximo amanhecer já o encontrará
no aeroporto, rumando para Oslo, na Noruega.
As atividades em Oslo – Na
manhã de 29 de maio, terça-feira, Divaldo Franco e os
que o acompanham nesta jornada doutrinária em terras
europeias chegaram a Noruega, sendo recebidos na bela
capital Oslo pelos amigos do Grupo de Estudos Espíritas
Allan Kardec – (Gruppen
for Spiritistiske Studier Allan Kardec - GEEAK-Norge). Todos
foram surpreendidos por um belo dia ensolarado e por uma
temperatura de 26ºC, que segundo os confrades, fazia cem
anos que não se repetia nesta época do ano. Diretamente
conduzido ao hotel, o incansável seareiro do Cristo,
tratou de desfazer a mala e refazer-se um pouco da
viagem e logo no meio da tarde, já estava se deslocando
para a conferência que se realizou no centro de Oslo,
bem ao lado do Castelo do Rei.
Ao chegar, Divaldo Franco e comitiva foram
surpreendidos, pois quase não conseguiram entrar na
sala.
Obedecendo às normas de segurança, e por haver
cerca de cento e cinquenta pessoas superlotando a sala,
infelizmente cerca de sessenta pessoas não puderam
entrar, algumas oriundas de outros países, tiveram que
retornar. Mesmo assim, algumas se mantiveram no
corredor, empenhadas em, ao menos, ouvir a mensagem que
Divaldo se fez portador.
Ao iniciar a conferência, Dr. Juan Danilo Rodríguez deu
as boas-vindas, passando a discorrer sobre as
facilidades atuais. Fazendo referência à vida futura,
proposta do tema da tarde, explanou um pouco sobre o seu
novo lar, a Mansão do Caminho, para dar uma ideia aos
noruegueses atentos sobre o imenso trabalho de
acolhimento, educação e amor realizado pela nobre
instituição brasileira, sensibilizando a todos com sua
ternura e carinho habituais.
Afirmando falar o idioma internacional do amor, e
auxiliado por eficiente tradutor norueguês, Divaldo
Franco embasou a temática citando o período do
Iluminismo Francês e do Racionalismo Inglês, que
transformaram a paisagem da terra, uma vez que
estimulavam os filósofos a combater o poder dos Reis e
da alta aristocracia, surgindo, como consequência, a
Revolução Francesa. Citando Augusto Comte, o Pai
do Positivismo, Divaldo descreveu o Humanismo. Através
da física quântica moderna, o homem sabe que não existe
a matéria, ela é resultado da aglomeração dos átomos,
logo, tudo o que vemos, não é exatamente como vemos.
Referindo-se também a Albert Einstein, este afirmava que
os indivíduos vivem em um mundo de ideias, de
pensamentos e de transformações constantes, demonstrando
que tudo muda o tempo todo.
Divaldo Franco, aproveitando a sua vastíssima
experiência no campo da mediunidade, destacou que, em
uma vida longa, sempre enfrentou e enfrenta os quadros
de doenças, fazendo uma ponte fantástica com a escolha
de amar a vida. Sendo alguém que conhece e ama Jesus, o
Semeador de Estrelas frisou, com muita propriedade, o
significado e a importância do amor na vida de todos,
afinal, Divaldo sempre buscou amar e a ir em busca dos
que não são amados, os invisíveis, aquelas pessoas que
fazem os trabalhos mais humildes, que muitas vezes os
indivíduos olham, porém, não veem. Vivemos em um mundo
de energias e o Espiritismo é a ciência que nos trouxe
uma filosofia de vida estruturada na imortalidade da
alma.
Era possível observar o quanto a plateia estava
emocionada, certamente perceberam que estavam diante de
alguém que ama verdadeiramente a si, ao próximo e a
Deus. Os noruegueses, com absoluta certeza, se renderam
à simplicidade e ao amor do baiano peregrino que há sete
décadas percorre o mundo levando o Espiritismo e o
Evangelho de Jesus.
Encerrando a conferência, muito aplaudido, ainda
respondeu a diversas perguntas, atendendo gentilmente a
todos, recolhendo-se em seguida para o necessário
descanso, afinal, no dia que se segue, bem cedo, haverá
o encontro com os trabalhadores espíritas da
Escandinávia, e Divaldo lá estará a postos, porque sabe
que Jesus conta com os seus esforços.
Encontro com os espíritas da Escandinávia – Na
manhã de quarta-feira, 30 de maio, logo cedo, Divaldo
Franco esteve reunido para o já tradicional Encontro de
trabalhadores espíritas da Escandinávia. Este ano, o
encontro ocorreu em Oslo, reunindo trabalhadores
espíritas dos países que integram a região, para ouvirem
os esclarecimentos e buscarem diretrizes com o amigo
experiente, Divaldo Franco.
Apesar do estado gripal e dos efeitos da recente
cirurgia na coluna, ali estava o trabalhador assíduo,
pronto para o trabalho. Inicialmente, Divaldo falou das
dificuldades que todos enfrentam, dos conflitos, das
adversidades, porém, destacou, o compromisso assumido
com a divulgação da Doutrina Espírita chama à
responsabilidade, solicita disciplina. Os espíritas não
estão na Doutrina Espírita para agradar as outras
pessoas, procurando terminologias que não firam a
outrem, não deve, jamais, buscar adaptar terminologias,
o Espiritismo é único, e deve ser apresentado com total
fidelidade aos seus postulados, a Allan Kardec e a
Jesus.
Os espíritas devem atentar para a necessidade de
compreender o seu irmão de caminhada, advertindo para a
importância do esforço pessoal em se melhorar,
aprimorando-se, combatendo as más inclinações,
diminuindo a sombra que ainda é portador. Assim, criará
condições para lhe auxiliar a entender melhor aquele que
caminha ao seu lado. Abordando algumas de suas
experiências na educação de crianças da Mansão do
Caminho, comentou a respeito das grandes dificuldades e
desafios da educação, traçando um comparativo com as
atividades espíritas, o convívio com as pessoas, os
conflitos que cada um ainda é portador. Estamos no
espiritismo, afirmou o lúcido orador, para resolvermos
problemas e não para criá-los.
O centro espírita é a célula básica do Espiritismo, é a
nossa escola, nosso hospital, nosso lar, nosso
santuário, é ali que nós nos comunicamos com Deus.
Comentando sobre as diversas atividades realizadas nos
centros ou sociedades espíritas, lembrou Allan Kardec ao
destacar os critérios necessários para que as sociedades
espíritas sejam classificadas como sérias, observando
que existem as que não são sérias, a depender dos
propósitos dos que ali mourejam. O Espiritismo é uma
ideia, não necessita de nós, ao contrário, nós
precisamos dele, no sentido de que a ideia, por si só se
faz e alcança seus objetivos, com ou sem a nossa
presença.
Foi um encontro muito importante, e que todo Espírita
deveria ter ouvido, pois ali, o Arauto do Evangelho e da
Paz chamou a atenção para muitos aspectos que estão
sendo esquecidos com o passar do tempo. É digno de nota
a fibra, a garra e a coragem com que Divaldo expõe e ama
a Doutrina Espírita.
Sejam bem felizes, vivam a graça de Deus, e se tiverem
que chorar, chorem, mas quando passar, voltem a
trabalhar e a sorrir, recomendou o preclaro expositor.
Finalizando as atividades lembrou o Benfeitor Emmanuel:
“espírita seja o nome do teu nome”.
O encontro foi, realmente, de luzes. As emoções e
sentimentos foram sensibilizados pelo toque amoroso de
Divaldo e, como é natural, os olhos se orvalharam de
lágrimas. Perante todos, ali estava um homem de longa
idade, com o corpo desgastado, mas com uma energia tal,
um brilho no olhar, uma vontade de amar e servir, que é
impossível não se comover...
Assim se encerrou o encontro. Ali mesmo, na pequena
sala, foi servido um almoço rápido, pois que, o
Embaixador da Paz deveria retornar ao hotel para se
preparar visando viajar à Alemanha, onde a faina
evangélica continuará. Aqui, ali ou acolá iremos sempre
encontrar o dedicado e persistente trabalhador do Cristo
em ação. Esse é Divaldo Franco!