Adoecera um dos irmãos do grupo. Reumatismo complicado e
renitente. Um amigo ensinou a aplicação de uma erva que
somente se desenvolve em cavernas do subsolo. Chico e
José Xavier, tendo por acompanhante um belo cão que lhes
pertencia, de nome Lorde, vão a uma grande lapa, das
muitas que existem nas cercanias de Pedro Leopoldo; em
caminho começam a conversar.
Falavam a respeito de certos amigos e comentavam:
— Beltrano não serve.
— Fulano é muito esquisito.
— Sicrano é imprestável.
Quando as críticas iam inflamadas, o Espírito de Dona Maria João
de Deus aparece ao Chico e aconselha:
— Vocês não devem falar mal de ninguém. Todos necessitamos uns
dos outros. Julgar pelas aparências é péssimo hábito. Sempre
chega um momento na vida em que precisamos de amparo de
criaturas que supomos desprezíveis.
O médium transmitiu ao irmão quanto ouvira e calaram-se ambos.
Chegaram à caverna e José, segurando Lorde por uma corda, desceu
à frente. Depois de longa busca, encontraram a erva medicinal.
Contudo, quando se voltavam para o retorno, perderam a noção do
caminho sob as grandes abóbadas de pedra. De vela acesa,
procuraram debalde a saída. Gritaram, mas receberam o eco da
própria voz. Quando a luz se mostrava quase extinta,
recordaram-se da prece. Oraram. Dona Maria João de Deus apareceu
ao médium e considerou:
— Temos agora a prática do ensinamento a que nos reportamos na
estrada. Vocês podem saber muita coisa, mas agora precisam do
cão. Soltem o Lorde e sigam-lhe os passos. Ele sabe o caminho da
volta. Assim fizeram. E acompanhando o animal, venceram o
labirinto em alguns minutos.
Lá fora, à luz do dia, entreolharam-se surpresos, meditaram na
lição recebida e renderam graças a Deus.
Do livro Lindos casos de Chico Xavier, de Ramiro Gama.
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