Perguntaram a Chico Xavier se, ante as lutas da vida,
ele pensou em abandonar a mediunidade e seguir sua
própria vida.
Sua resposta surpreendeu a todos:
“No princípio das tarefas, estranhei a disciplina a que devia
submeter-me. Fiquei triste ao imaginar que eu era uma pessoa
rebelde e, nesse estado de quase depressão, certa feita me vi,
fora do corpo, observando um burro teimoso puxando uma carroça
que transportava muitos documentos. Notei que o animal, embora
trabalhando, fitava com inveja os companheiros da sua espécie
que corriam livremente no pasto, mas viu igualmente que muitos
deles entravam em conflitos, dos quais se retiravam com
pisaduras sanguinolentas. O burro começou a refletir que a vida
livre não era tão desejada como supusera, de começo. A viagem da
carroça seguia regularmente, quando ele se reconheceu amparado
por diversas pessoas que lhe ofereciam alfafa e água potável.
Finda a visão-ensinamento, coloquei-me na posição do animal e
compreendi que, para mim, era muito melhor estar sob freios
disciplinares do que ser livre no pasto da vida, para escoicear
companheiros ou ser por eles escoiceado”.
De Apostila com Histórias de Chico Xavier, do Grupo de
Estudo Allan Kardec.
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