Arte e poesia no Espiritismo
A poesia e as artes, em suas múltiplas expressões,
possuem papel fundamental no Espiritismo ao servirem
como pontes entre o humano e o espiritual superior. Por
meio da sensibilidade estética, as artes nos elevam a um
plano mais sutil de percepção, onde o belo se torna
veículo de reflexão e inspiração mais sublimada. A
poesia, em especial, traduz sentimentos profundos e
universais, criando uma linguagem simbólica que nos
conecta ao infinito. Essa transcendência artística está
em sintonia com a essência do Espiritismo, que busca
despertar a alma para realidades superiores e cultivar o
ideal do progresso moral e intelectual.
No contexto da Doutrina Espírita, as artes promovem a
educação dos sentimentos e ajudam na sublimação das
emoções. Uma pintura tocante, uma bela melodia ou um
poema inspirado são capazes de operar verdadeiras
transformações interiores, amainando as tempestades da
alma e favorecendo o cultivo da virtude. Allan Kardec,
em O Evangelho Segundo o Espiritismo, destaca a
excelência de se desenvolver as qualidades morais, e a
arte, ao sensibilizar o coração humano, torna-se grande
aliada nesse processo. É por meio dela que muitas vezes
conseguimos acessar as verdades espirituais de forma
intuitiva e universal.
A mediunidade artística, frequentemente abordada nas
obras espíritas, ilustra a contribuição direta dos
Espíritos superiores para a criação de obras de arte que
edificam e consolam. Poemas psicografados, músicas
inspiradas, pinturas e esculturas mediúnicas são
exemplos de como as esferas espirituais influenciam
nossa cultura terrena. Essas manifestações revelam que a
arte se projeta além da mera técnica e se torna
instrumento de conexão entre os mundos físico e
espiritual, reforçando os ideais de beleza, harmonia e
fraternidade que o Espiritismo busca disseminar.
As artes, portanto, incluindo a poesia, cumprem o papel
de universalizar a mensagem espírita, atingindo corações
que talvez resistam à abordagem puramente racional. Por
meio delas, a mensagem de amor, solidariedade e
imortalidade da alma alcança pessoas de diferentes
culturas e crenças, plantando sementes de transformação.
Assim, o Espiritismo, ao valorizar a arte como expressão
sublime do espírito humano, promove uma visão integral
da vida, onde razão e emoção, ciência e beleza caminham
juntas na construção de um mundo melhor.
O poeta, ao transformar a prosa de um grande escritor em
poema, realiza a tarefa de transmutar a essência de uma
ideia em nova forma de beleza, acrescentando ritmo,
musicalidade e simbolismo que ampliam a sua ressonância
emocional. Ele se torna um alquimista das palavras,
captando o espírito da mensagem original e
apresentando-a em uma dimensão artística que toca o
coração de maneira mais intuitiva e profunda. Foi o que
procuramos fazer com a página “O pêndulo da vida”,
escrita por Vinícius e constante de seu livro Em
torno do Mestre, publicado pela FEB:
O Pêndulo da Vida
Dormem os olhos, dormem os ouvidos,
Dormem o olfato e todos os sentidos.
Dormem também o cérebro, a razão;
Dormem a língua, o canto, a exclamação.
Dormem prazer e dor como criança,
A lágrima, o riso e a esperança.
Só o coração não pode repousar,
Pulsando dia e noite sem parar!
Marcando sempre, batida a batida,
O ritmo isócrono da Vida!
Existem para todos noite e dia,
Sono e vigília, em suave harmonia.
Mas para o coração só está presente
O Sol no zênite, perpétuo e quente!
Tudo adormece, exceto o coração,
Santuário do Amor e do Perdão.
É o pêndulo da Vida e da Bondade,
Sempre a oscilar por toda a Eternidade!
Mário Frigéri é poeta, escritor,
autor e youtuber com a mente e o coração voltados para o
esplendor do Evangelho e da Doutrina Espírita.
Campinas/SP.
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