Guerras, melhor não tê-las
O
nível de insensatez e delírio do homem contemporâneo é
tal que me arrisco a dizer que ele se equilibra
perigosa e levianamente no fio de navalha que delimita
dois campos de atitude: ou cai em si e reorganiza sua
consciência, ou desmorona, arrastado pelos seus vícios.
Onda avassaladora de um materialismo cada vez mais
sofisticado sequestra milhões de seres para as fileiras
da loucura coletiva que deforma caracteres, apequena os
sentimentos e lesa a razão.
Vivemos momentos de profunda desconfiança nas relações
humanas, altamente prejudicial para a construção de um
mundo justo e pacífico desejável.
Se
os homens encarnados tivessem o dom de ler pensamentos e
vasculhar a alma uns dos outros, não conseguiriam viver
em sociedade, tamanhas são as antipatias e inimizades
ocultas. Suas relações na Terra seriam tão frágeis,
instáveis e perigosas, que prefeririam talvez que algum
fator generalizado pusesse fim em tudo, para se
recomeçar do zero.
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A guerra, que já foi no passado do homem um estado
normal, pela predominância da força, ainda o
é para muitos deles em que prevalece a natureza animal
sobre a espiritual. Apesar de saber que as guerras
costumam sanear as almas das suas sujeiras mais grossas,
causa horror pensar nelas empestando os ares,
dilacerando os seres.
As
guerras são sempre espetáculos tristes e muito
dolorosos. Nelas o homem mostra a sua índole mais
abjeta. Nelas o homem perde a condição humana e assume a
de um bicho inferior. Depois de fabrica-las, depois do
morticínio, da carnificina, do genocídio, ele volta a
sorrir e – espantoso! – se propõe a defender e assinar
acordos de paz.
Mas
não nos iludamos, esse riso disfarçado, esse esgar, não
consegue esconder que ele enlouqueceu e que precisará de
séculos ou mais para reequilibrar o Espírito, e quem
sabe um dia reencarnar por aqui para dignificar a vida.
Apesar da angústia dos tempos atuais, os sensíveis, os
inteligentes e bem-intencionados não veem na esperança
apenas uma palavra e somam a ela, nas atitudes, várias
outras: confiança, determinação, perseverança, além da
empatia e da tolerância.
Isso os faz ter a certeza de que o materialismo e a
descrença podem ser vencidos, e de forma tal que não
caia uma gota de sangue sequer.
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