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por Cláudio Bueno da Silva

Guerras, melhor não tê-las


O nível de insensatez e delírio do homem contemporâneo é tal que me  arrisco a dizer que ele se equilibra perigosa e levianamente no fio de navalha que delimita dois campos de atitude: ou cai em si e reorganiza sua consciência, ou desmorona, arrastado pelos seus vícios.

Onda avassaladora de um materialismo cada vez mais sofisticado sequestra milhões de seres para as fileiras da loucura coletiva que deforma caracteres, apequena os sentimentos e lesa a razão.

Vivemos momentos de profunda desconfiança nas relações humanas, altamente prejudicial para a construção de um mundo justo e pacífico desejável.  

Se os homens encarnados tivessem o dom de ler pensamentos e vasculhar a alma uns dos outros, não conseguiriam viver em sociedade, tamanhas são as antipatias e inimizades ocultas. Suas relações na Terra seriam tão frágeis, instáveis e perigosas, que prefeririam talvez que algum fator generalizado pusesse fim em tudo, para se recomeçar do zero.

 

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A guerra, que já foi no passado do homem um estado normal, pela predominância da força, ainda o é para muitos deles em que prevalece a natureza animal sobre a espiritual. Apesar de saber que as guerras costumam sanear as almas das suas sujeiras mais grossas, causa horror pensar nelas empestando os ares, dilacerando os seres.

As guerras são sempre espetáculos tristes e muito dolorosos. Nelas o homem mostra a sua índole mais abjeta. Nelas o homem perde a condição humana e assume a de um bicho inferior. Depois de fabrica-las, depois do morticínio, da carnificina, do genocídio, ele volta a sorrir e – espantoso! – se propõe a defender e assinar acordos de paz.

Mas não nos iludamos, esse riso disfarçado, esse esgar, não consegue esconder que ele enlouqueceu e que precisará de séculos ou mais para reequilibrar o Espírito, e quem sabe um dia reencarnar por aqui para dignificar a vida.

Apesar da angústia dos tempos atuais, os sensíveis, os inteligentes e bem-intencionados não veem na esperança apenas uma palavra e somam a ela, nas atitudes, várias outras: confiança, determinação, perseverança, além da empatia e da tolerância.

Isso os faz ter a certeza de que o materialismo e a descrença podem ser vencidos, e de forma tal que não caia uma gota de sangue sequer.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita