O
conhecimento e a
sabedoria
A humanidade sempre
tentou entender os
profetas através das
palavras, ou seja,
através do conhecimento.
Jesus, energeticamente,
zangava-se com os
doutores da Lei, que
conheciam muito bem as
palavras, mas tinham
pouca sabedoria no
coração.
Chegou a afirmar que
eram podres por dentro,
embora se apresentassem
muito aprumados por
fora.
No campo tecnológico ou
laboral, as palavras têm
uma enorme função, a de
passar o conhecimento ao
longo das gerações, para
que possamos continuar a
evolução humana. Não
seria lógico cada
geração ter que iniciar
do princípio cada área
cientifica/tecnológica
da humanidade.
Os cursos são
precisamente a passagem
desse conhecimento ao
longo dos milénios, para
que os mais jovens
possam prosseguir.
No campo moral, podemos
ver algumas exceções
maravilhosas de seres
que reencarnam na Terra
e os chamamos de
profetas ou iluminados,
por sua sabedoria
sobressair no meio dos
outros.
Nunca tivemos um povo
que fosse avançado
moralmente, para que
pudesse transmitir às
novas gerações essa
sabedoria e assim
mantivesse um nível
moral alto, como fazemos
com a tecnologia.
A parte moral não
funciona como o
conhecimento científico
ou tecnológico, que é
transmitido de geração a
geração. Por isso vemos
pais bons cujos filhos
apresentam baixa moral e
pais maus que têm filhos
de uma enorme moral.
A primeira história da
Bíblia sobre a
humanidade conta-nos
como o conhecimento, na
área moral, expulsou
Adão e Eva do Paraíso.
Retrata o conhecimento
moral como a maçã da
árvore do conhecimento e
a sua “aquisição” a
saída do paraíso.
O que é o conhecimento
moral? Esse “engodo”
ilusório que se tem
tornado um veneno que
maltrata a humanidade.
Podemos considerar o
conhecimento moral como
o conhecimento sobre o
funcionamento da vida,
sem que entre na parte
tecnológica ou
científica.
Se eu sei como funciona
a vida, pode ser que
muitos outros, que não
pensam como eu, não
saibam. Logo acontece o
choque entre dois
indivíduos, causando às
vezes um conflito.
Se um marido sabe como a
vida deve ser feita, ele
impõe a sua esposa as
suas ideias, causando a
discussão entre o casal.
Mesmo dentro de nós,
muitas vezes uma parte
quer agir de uma maneira
e entra em conflito com
a moral ou vice-versa.
Se não está de acordo
comigo, questione o que
é o conhecimento moral?
O próprio Kardec nos diz
que a Doutrina Espírita
nos traz a parte
científica e filosófica,
e na parte moral deixa o
assunto para o Evangelho
de Jesus, pois este é a
máxima na sabedoria
moral.
Ele nos deixou uma frase
ligada à parte moral que
nos serve de
“bandeira”: Fora da
caridade não existe
salvação. Não existe
qualquer conhecimento
nisso, pois o
conhecimento é saber a
frase de cor, a
sabedoria é a ação na
caridade, que não
precisa de nenhum
conhecimento. Mesmo que
alguém não conheça a
frase, se tiver um bom
coração, pode fazer
caridade, em especial,
de forma natural.
No Evangelho de Jesus,
todos os seus
ensinamentos nos remetem
para algo comum nos dois
mandamentos que nos
deixou: amar.
Podemos saber o
Evangelho de cor e isso
se chama conhecimento,
mas sermos imunes às más
tendências e agirmos com
amor, como Jesus
exemplificou, é
sabedoria. Para isso não
precisamos conhecer nem
uma palavra, se tivermos
o coração puro.
A indulgência, a
resignação, o perdão, a
fé, o amor e todos os
ensinamentos do Mestre
são práticas diárias que
devemos manter em
funcionamento, afastando
de nós os impulsos e
desejos que nos aparecem
para as más tendências.
Estas práticas podem ser
vistas em seres humildes
que passam na terra,
muitos deles servindo de
inspiração a novas
igrejas ou doutrinas,
que depois escrevem
milhares de palavras
para transmitirem os
seus “ensinamentos”.
Vivemos estes ciclos
constantes de querermos
aprender a parte moral
através do conhecimento,
sem nos apercebermos que
esta forma de
funcionamento é a causa
dos conflitos terrenos,
o que nos afasta da
harmonia e felicidade.
Vemos esta situação
entre os fiéis das
religiões, ainda que
tenham como base o mesmo
profeta, como as
cristãs.
Cada um acha que a sua é
a melhor e a mais
verdadeira, o que será
que aprendem de
diferente, dentro da
moral, que os possam
fazer sentir superiores
aos outros?
Esta é apenas uma
sensação de que estão no
caminho certo, sensação
de que as pessoas se
apegam e necessitam para
acharem que estão a
fazer o que é correto e
que isso lhes trará a
recompensa futura, após
a morte.
Ao termos esta sensação,
acontece a “certeza” que
nos motiva a arrogância
de dizermos aos outros
como devem fazer a vida
e passamos o tempo a
chocar com os outros.
Como podemos reverter
esta situação na parte
moral?
A primeira
característica
necessária é a
humildade, sem esta é
impossível. Esta
característica tem que
nos acompanhar o tempo
todo e vai-se tornando
mais forte conforme
formos desenvolvendo e
fortalecendo a parte
moral.
Saber sobre a vida é
apenas um engodo a
arrogância, mas não
saber sobre a vida é uma
ideia que nos cria falta
de confiança. Não
podemos saber nem
podemos não saber, o que
deixa as coisas mais
confusas em termos
mentais.
A consciência disto
remete-nos a uma forma
de vida atenta ao
presente, pois o saber
ou não saber são ideias
sobre o futuro, que de
nada nos servem se
vivermos no presente.
Jesus dá-nos o exemplo
dos lírios do campo, que
não se preocupam com o
amanhã, com o futuro,
logo não constroem a sua
personalidade com
memórias do passado e
ideias sobre o futuro.
Vivermos no presente
afasta-nos do
conhecimento moral que é
ilusório e nos tem
maltratado; e leva-nos à
sabedoria de que a vida
não cabe na nossa cabeça
e que teremos de lidar
com cada situação no
presente, como uma
situação nova, pois é o
que é.
Esta consciência
presente traz-nos a paz
e a harmonia.
Pergunte a si próprio
qual o conhecimento que
tem de adquirir para
viver envolto de amor,
resignação e
indulgência?
Bruno
Abreu reside em Lisboa,
Portugal.
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