A
corrida do ouro
A vida moderna,
tão corrida, nos
alista, ainda
que não
desejemos, em
uma corrida do
ouro, expressão
que se refere ao
movimento de
migração para o
Oeste
estadunidense no
Século XIX na
busca de
encontrar a
sorte em uma ou
mais pepitas, e
que redesenhou a
ocupação
territorial dos
Estados Unidos.
Essa corrida no
sentido figurado
ficou mais
elaborada
recentemente,
com a entrada no
jogo das redes
sociais, de
ofertas de
dinheiro fácil,
de prêmios, em
uma lógica de
ter coisas, de
usufruir e
ostentar, de
consumir de
forma hegemônica
e que afeta a
cada um de nós,
mesmo que não
percebamos.
Fulano, que não
gosta de
loterias, toda
vez que tem
bolão no
trabalho, tem
que se
justificar. Se é
para ganhar
dinheiro,
qualquer
sacrifício se
faz justificado.
Beltrano sonha
com os prêmios
que vai ganhar
gastando parte
de seu ordenado
em apostas.
Sicrano é
desejado
amorosamente
pois tem uma boa
condição social
e uma carreira
de sucesso.
Fugir disso é
ser preguiçoso,
e a ambição como
valor assume um
papel ao mesmo
tempo central e
difuso na vida
das pessoas,
perdidas em
sonhos dourados
de serem reis e
rainhas de
reinados de
nossa época.
Essa lógica
permeia as
relações desde a
tenra infância,
todos inscritos
em uma corrida
por milhões,
seja pelo
trabalho árduo,
seja pela sorte
no jogo. Em
tudo, parece que
ser bilionário é
o objetivo comum
e partilhado da
existência,
contraposto esse
discurso a falas
como “dinheiro
não traz
felicidade”, que
parecem jocosas
ao se ver como a
banda toca
realmente.
Mais do que uma
crítica, essa é
uma constatação
das motivações
que permeiam a
sociedade nesse
início do Século
XXI, com altas
doses de
individualismo,
de cansaço e de
insatisfação
crônica, como se
a vida fosse uma
grande gincana,
ou para ser mais
moderno, um
grande Reality
Show, onde
tudo é
monetizado e
ranqueado, com
dificuldades de
saber quem são
as pessoas
realmente.
Diante desse
cenário, importa
lembrar um pouco
do que diz a
Doutrina
Espírita sobre
os objetivos da
reencarnação, na
pergunta 132 de O
Livro dos
Espíritos:
Qual o objetivo
da encarnação
dos Espíritos?
“Deus lhes impõe
a encarnação com
o fim de
fazê-los chegar
à perfeição.
Para uns, é
expiação; para
outros, missão.
Mas, para
alcançarem essa
perfeição, têm
que sofrer todas
as vicissitudes
da existência
corporal: nisso
é que está a
expiação. Visa
ainda outro fim
a encarnação: o
de pôr o
Espírito em
condições de
suportar a parte
que lhe toca na
obra da criação.
Para executá-la
é que, em cada
mundo, toma o
Espírito um
instrumento, de
harmonia com a
matéria
essencial desse
mundo, a fim de
aí cumprir,
daquele ponto de
vista, as ordens
de Deus. É assim
que, concorrendo
para a obra
geral, ele
próprio se
adianta.”
Importante
destacar dois
aspectos aqui: o
primeiro, de que
a encarnação é
um espaço
experiencial, de
aprendizado, de
desempenhar
aquele papel
junto a um
conjunto de
outros espíritos
e nessa vivência
coletiva,
evoluir, em um
sentido
espiritual dessa
palavra.
O segundo
aspecto é o
nosso papel como
partícipe na
obra da criação,
evoluindo por
colaborar com a
obra geral, e
nessa visão
encontramos de
novo o próximo,
o meio ambiente
e o coletivo.
Em um mundo
imerso no
individualismo e
na competição, a
doutrina
espírita nos
lembra de que a
vida é
passageira e
eterna, e que o
outro importa
muito nessa
discussão. De
que se estamos
em uma corrida,
sozinho até
chegaremos mais
rápido, mas
juntos
chegaremos mais
longe.
Importante
recordar de
coisas tão
simples e
essenciais nessa
correria dos
tempos modernos
onde se busca
não se sabe o
quê, seguindo
ondas de forma
acrítica,
esquecendo-nos,
espíritas, do
tesouro que
temos embaixo de
nossos pés, que
é o conhecimento
da vida maior,
de forma
consistente e
viva.