MARCELO BORELA DE
OLIVEIRA
mbo_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná
(Brasil)
No Mundo Maior
André Luiz
(6a
Parte)
Damos prosseguimento ao
estudo da obra
No Mundo Maior,
de André Luiz,
psicografada pelo médium
Francisco Cândido
Xavier,
publicada em 1947 pela
Federação Espírita
Brasileira.
Questões preliminares
A. Por que Jesus nos
recomendou amar aos
inimigos e orar por quem
nos persegue?
R.: O Mestre recomendou
o amor aos inimigos e a
oração pelos que nos
perseguem e caluniam
porque tais medidas não
constituem mera virtude,
mas princípio científico
de libertação do ser, de
progresso da alma, de
amplitude espiritual. É
que no pensamento
residem as causas da
perturbação e também da
libertação da criatura
humana. (No Mundo
Maior, cap. 4, pp. 63 e
64.)
B. É possível
doutrinação sem amor?
R.: Segundo o instrutor
Calderaro, não é
possível doutrinação sem
amor, porque, se o
conhecimento auxilia por
fora, só o amor socorre
por dentro. "Com a nossa
cultura – diz Calderaro
- retificamos os
efeitos, quanto
possível, e só os que
amam conseguem atingir
as causas profundas."
(Obra citada, cap. 4,
pp. 64 e 65.)
C. Que ensinamento
podemos tirar da ação de
Cipriana relatada nesta
obra?
R.: Como refere o livro,
Cipriana acercou-se dos
dois adversários e
pôs-se em atitude de
oração. A prece
saturava-se de sublime
poder, porquanto em
breve suave luz descia
do alto sobre sua fronte
venerável e ela
tornava-se
gradativamente mais
bela. Os raios divinos a
fluírem dos mananciais
invisíveis,
envolvendo-a,
transfiguravam-na toda.
Escoados alguns
momentos, circundava-a
refulgente halo. Dos
olhos, do tórax e das
mãos efluíam irradiações
de frouxa e suave luz.
Ela, então, estendeu as
mãos para os dois
desventurados,
atingindo-os com o seu
amoroso magnetismo, que
lhes modificava o campo
vibratório, e ambos
sentiram-se desfalecer,
oprimidos por uma força
que os compelia à
quietação. Parecia-lhes
que Maria de Nazaré em
pessoa ali se
encontrava. O
ensinamento que
extraímos desse caso é
bem claro: só o amor
consegue atingir as
causas profundas e
modificar o campo
vibratório dos infelizes
do caminho. (Obra
citada, cap. 5, pp. 66 a
68.)
Texto
para leitura
31. O problema da
fixação mental -
Nervos, zona motora e
lobos frontais, no
corpo físico, traduzem,
respectivamente,
impulsividade,
experiência e noções
superiores da alma, e
constituem campos de
fixação da mente
encarnada ou
desencarnada. A demora
excessiva num desses
planos, com as ações que
lhe são conseqüentes,
determina a destinação
do indivíduo. A
criatura estacionária na
região dos impulsos
perde-se num labirinto
de causas e efeitos,
desperdiçando tempo e
energia; quem se
entrega, de modo
absoluto, ao esforço
maquinal, sem consulta
ao passado e sem
organização de bases
para o futuro, mecaniza
a existência,
destituindo-a de luz
edificante; os que se
refugiam exclusivamente
no templo das noções
superiores sofrem o
perigo da contemplação
sem as obras, da
meditação sem trabalho,
da renúncia sem
proveito. "Para que
nossa mente prossiga na
direção do alto, –
asseverou Calderaro – é
indispensável se
equilibre, valendo-se
das conquistas passadas,
para orientar os
serviços presentes, e
amparando-se, ao mesmo
tempo, na esperança que
flui, cristalina e bela,
da fonte superior do
idealismo elevado". Como
nos encontramos ligados
aos que se afinam
conosco, em obediência a
indefectíveis desígnios
universais, quando nos
desequilibramos, pelo
excesso de fixação
mental num dos
mencionados setores,
entramos em contacto com
as inteligências
encarnadas ou
desencarnadas em
condições análogas às
nossas. Era esse
precisamente o caso do
homicida e de seu
verdugo desencarnado.
(Cap. 4, pp. 62 e 63)
32. No pensamento
residem as causas -
Os dois enfermos tinham
a mente fixada na região
dos instintos primários.
O encarnado, depois de
reiteradas vibrações no
campo de pensamento, em
fuga da recordação e do
remorso, arruinara os
centros motores,
desorganizando também o
sistema endócrino e
perturbando os órgãos
vitais. O desencarnado
converteu todas as
energias em alimento da
idéia de vingança,
acolhendo-se ao ódio em
que se mantinha foragido
da razão e do altruísmo.
"Outra seria a situação
de ambos – asseverou o
Instrutor – se houvessem
esquecido a queda,
reerguendo-se pelo
trabalho construtivo e
pelo entendimento
fraternal, no santuário
do perdão legítimo".
Jesus tinha, pois, razão
ao recomendar-nos o amor
aos inimigos e a oração
pelos que nos perseguem
e caluniam. Isto não é
mera virtude, mas
princípio científico de
libertação do ser, de
progresso da alma, de
amplitude espiritual: no
pensamento residem as
causas. Enquanto
Calderaro falava,
prosseguia a ação
magnética em favor do
enfermo, que acabou se
entregando a sono
tranqüilo, como se
sorvera suavíssimo
anestésico. Em breve,
sua alma se desprendeu,
afastando-se do corpo
físico, mas era visível
seu pavor diante do
verdugo implacável, que
se mantinha sentado,
impassível, num dos
ângulos do leito. (Cap.
4, pp. 63 e 64)
33. O amor socorre
por dentro - As
entidades enfermas não
notavam a presença de
André e Calderaro e
parecia que o
perseguidor se erguia
mais agressivo, para
agredir o doente aflito.
Por que Calderaro não
aproveitava a situação
para doutrinar a ambos?
Sua resposta foi
imediata: "Falaríamos
em vão, André, porque
ainda não sabemos
amá-los como se fossem
nossos irmãos ou nossos
filhos. Para nós ambos,
espíritos de raciocínio
algo avançado, mas de
sentimentos menos
sublimes, são eles dois
infortunados, e nada
mais". O Instrutor
explicou-lhe então que
não é possível
doutrinação sem amor,
porquanto, se o
conhecimento auxilia
por fora, só o amor
socorre por dentro. "Com
a nossa cultura
retificamos os efeitos,
quanto possível, e só os
que amam conseguem
atingir as causas
profundas", esclareceu.
De fato, os contendores
reclamavam intervenção
no íntimo, para
modificar atitudes
mentais em
definitivo... Mas eles,
André e o Instrutor,
apenas conheciam, sem
saber amar... Foi então
que assomou à porta de
entrada uma sublime
mulher, em cujos olhos
esplendia brilho meigo e
enternecedor. Era
Cipriana, a entidade
que vinha oferecer aos
dois enfermos da alma o
amor fraternal que
Calderaro e André Luiz
ainda não podiam
oferecer. (Cap. 4, pp.
64 e 65)
34. O poder da prece
- Cipriana agradeceu a
Calderaro o socorro
prestado aos dois
infelizes. O Assistente
disse que seu esforço
foi quase nenhum,
resumindo-se em meros
preparativos. Cipriana,
sorrindo, observou:
"Como atingiríamos o fim
sem passar pelo
princípio?" Calderaro
acentuou, porém, que o
conhecimento pode
pouquíssimo, comparado
com o muito que o amor
pode sempre. A amiga,
sem perda de tempo,
acercou-se dos infelizes
e pôs-se em atitude de
oração. A prece
saturava-se de sublime
poder, porquanto em
breve suave luz descia
do alto sobre sua fronte
venerável. Cipriana
tornava-se
gradativamente mais
bela. Os raios divinos a
fluírem dos mananciais
invisíveis,
envolvendo-a,
transfiguravam-na toda.
Escoados alguns
momentos, circundava-a
refulgente halo. Dos
olhos, do tórax e das
mãos efluíam irradiações
de frouxa e suave luz...
Estava formosa,
radiante, qual se fora a
materialização da
madona de Murilo, em
milagrosa aparição.
Cipriana estendeu as
mãos para os dois
desventurados,
atingindo-os com o seu
amoroso magnetismo, que
lhes modificava o campo
vibratório. Ambos
sentiram-se desfalecer,
oprimidos por uma força
que os compelia à
quietação.
Entreolharam-se com
espanto. Seus olhos
espelhavam silenciosa
perquirição, quando a
mensageira,
avizinhando-se, tocou-os
de leve na região
visual, produzindo neles
abalo forte e
indisfarçável. Os
enfermos passaram então
a ver os benfeitores
espirituais presentes,
com indescritível
assombro, e, gritando
violentamente,
empolgados pela
surpresa, cuidaram
estivessem sendo
visitados pela excelsa
Mãe de Jesus. (Cap. 5,
66 a 68)
35. Cipriana fala a
Pedro, o homicida -
O doente encarnado,
parcialmente liberto do
corpo, ajoelhou-se de
súbito, dominado por
incoercível comoção, e
desfez-se em copioso
pranto. O verdugo
desencarnado, porém,
embora perplexo e
abalado, manteve-se
ereto. O primeiro,
chorando
convulsivamente,
perguntava a Cipriana:
"Mãe dos Céus! como vos
dignais de visitar o
criminoso, que sou eu?
Sinto vergonha de mim
mesmo, sou imperdoável
pecador, abatido pela
minha própria miséria...
Vossa luz revela-me toda
a extensão das trevas em
que me debato!
condoei-vos de mim,
Senhora!..." Havia uma
sinceridade imensa
naquelas palavras de
angústia e
arrependimento. Cipriana
acercou-se dele, de
olhos faiscantes e
úmidos. Tentou
soerguê-lo, sem, no
entanto, lograr que ele
deixasse a postura
genuflexa. Contudo,
enlaçando-o
maternalmente, chamou-o
pelo nome e lhe disse
que não era quem ele
julgava. Era tão-somente
uma irmã na eternidade
que, tendo sido mãe na
Terra, sabia o quanto
ele sofria. Pedro (o
doente encarnado)
manteve-se em posição
reverente e humilde e
confessou seu crime.
Cipriana afagou-lhe o
rosto e acrescentou
saber de tudo. Passados
alguns instantes,
contemplando a ambos os
infelizes, dirigiu-se a
Pedro, de maneira
intencional, de modo a
se fazer ouvida pelo
companheiro vingador:
"Por que destruíste,
Pedro, a vida de teu
irmão? como te julgaste
com forças e direito
para quebrar a harmonia
divina?" E prosseguiu:
"Supunhas fazer justiça
pelas próprias mãos,
quando só fazias
expandir a cólera
aniquiladora. Por que
razão, meu filho,
pretendeste equilibrar a
vida, provocando a
morte? como conciliar a
justiça com o crime,
quando sabemos que o
verdadeiro justo é
aquele que trabalha e
espera no Pai, o Supremo
Doador da Vida?" (Cap.
5, pp. 68 e 69)
36. Pedro é envolvido
pelo amor da missionária
- Cipriana lembrou ao
enfermo os momentos de
desdita que ele vivera
desde o crime,
aprendendo que o mal
jamais se coadunará com
o bem e que a Lei cobra
dobrados tributos
àquele que se antepõe
aos seus ditames sábios
e soberanos. Ele
destruíra a paz de um
companheiro e perdera a
própria tranqüilidade.
Temendo a si mesmo, por
se sentir um delinqüente
em toda a parte, buscara
refúgio no trabalho
atabalhoado e
mecanizante; conseguira
dinheiro que nunca lhe
pacificara o ser;
alcançara posição
social culminante, mas
nada disso resolveu os
efeitos do ato
impensado... Como não
lhe ocorrera a oração
santificante? como não
buscara penitenciar-se
diante da vida,
humilhando-se aos pés da
sua vítima, no sincero
propósito de
regeneração? Mas não:
ele preferira a corrida
louca atrás das
sensações externas, a
fuga para a região do
ganho material, a
transitória ascensão
para posições de domínio
enganoso, pensando
assim escapar ao
tribunal íntimo. Nunca é
tarde, porém, para
levantar o coração e
curar a consciência
ferida. Exausto de
sofrer, cedera à
enfermidade e
aproximara-se da
loucura. De alma
contundida e corpo em
desordem, apelara para a
Misericórdia Divina, e
ela ali estava, não
para fustigar-lhe o
espírito, mas para
estimulá-lo à
regeneração. Quem
poderá condenar alguém,
depois da comunhão de
vicissitudes na carne?
quem estará
suficientemente
santificado para atirar
a primeira pedra?
Cipriana lembrou-lhe
então que o fundamento
da obra divina é de
amor incomensurável e
que só o amor salva e
constrói para sempre.
"Lembra-te das tuas
próprias necessidades,
interrompe a marcha da
aflição, reconsidera a
atitude e faze novo
compromisso perante a
Divina Justiça",
propôs-lhe a
missionária. Assim
dizendo, conchegou-o ao
coração, e havia tanta
meiguice naquele
amplexo, que outros
pensariam estar
presenciando o
reencontro de carinhosa
mãe com o filho
ausente, após longa
separação. (Cap. 5, pp.
70 e 71)
(Continua no próximo
número.)