Somos chamados a
servir
Neio Lúcio
O legislador,
com a pena,
traça decretos
para reger o
povo.
O escritor
utiliza o mesmo
instrumento e
escreve livros
que renovam o
pensamento do
mundo.
Mas, não é só a
pena que,
manejada pelo
homem, consegue
expressar a
sabedoria, a
arte e a beleza,
dentro da vida.
Uma vassoura
simples faz a
alegria da
limpeza e, sem
limpeza, o
administrador ou
o poeta não
conseguem
trabalhar.
O arado arroteia
o solo e traça
linhas das quais
transbordarão o
milho, o arroz,
a batata e o
trigo, enchendo
os celeiros.
A enxada grava
sulcos
abençoados no
chão, a fim de
que a sementeira
progrida.
A plaina corrige
a madeira bruta,
cooperando na
construção do
lar.
A janela é um
poema silencioso
a comunicar-nos
com a natureza
externa; o leito
é um santuário
horizontal,
convidando ao
descanso.
O malho toma o
ferro e
transforma-o em
utilidades
preciosas.
O prato recolhe
o alimento e nos
sugere a
Caridade.
O moinho recebe
os grãos e
converte-os no
milagre da
farinha.
O barro
desprezível, nas
mãos operosas ao
oleiro, em breve
surge
metamorfoseado
em vaso
precioso.
Todos os
instrumentos de
trabalho no
mundo, tanto
quanto a pena,
concretizam os
ideais
superiores, as
aspirações de
serviço e os
impulsos nobres
da alma.
Ninguém suponha
que, perante
Deus, os grandes
homens sejam
somente aqueles
que usam a
autoridade
intelectual
manifestada.
Quando os
políticos
orientam e
governam, é o
tecelão que lhes
agasalha o
corpo. Se os
juízes se
congregam nas
mesas de paz e
justiça, são os
lavradores que
lhes ofertam
recurso ao
jantar.
Louvemos, pois,
a Divina
Inteligência que
dirige os
serviços do
mundo!
Se cada árvore
produz, segundo
a sua
especialidade, a
benefício da
prosperidade
comum,
lembremo-nos de
que somos todos
chamados a
servir na obra
do Senhor, de
maneira
diferente.
Cada trabalhador
em seu campo
seja honrado
pela cota de bem
que produza e
cada servo
permaneça
convencido de
que a maior
homenagem
suscetível de
ser prestada por
nós ao Senhor é
a correta
execução do
nosso dever,
onde estivermos.
Do cap. 44 do
livro
Alvorada Cristã,
de Neio Lúcio,
psicografado
pelo médium
Francisco
Cândido Xavier.