Lar da Caridade:
o trabalho continua
Fundado em 30 de
agosto de 1957 o
Lar da Caridade,
de Uberaba,
popularmente
conhecido como
Hospital do Fogo
Selvagem, segue
firme em seus
objetivos
“As doenças
pertencem às
provas e às
vicissitudes da
vida terrena.
São inerentes à
grosseria da
nossa natureza
material e à
inferioridade do
mundo que
habitamos. As
paixões e os
excessos de toda
espécie, por sua
vez, criam em
nossos
organismos
condições
malsãs,
frequentemente
transmissíveis
pela
hereditariedade.
Nos mundos mais
avançados,
física e
moralmente, o
organismo
humano, mais
depurado e menos
material, não
está sujeito às
mesmas
enfermidades que
o nosso, e o
corpo não é
minado
secretamente
pela devastação
das paixões. É
necessário,
pois, que nos
resignemos a
sofrer as
consequências do
meio em que nos
situa a nossa
inferioridade,
até que nos
façamos dignos
de uma
transferência.”
(O Evangelho
segundo o
Espiritismo,
cap. III, nº 9.)
Em Uberaba,
cidade do
triângulo
mineiro, além de
história e muita
beleza, a cidade
abriga há 58
anos uma das
mais importantes
instituições
atuantes em prol
do próximo.
Fundado em 30 de
agosto de 1957 o
Lar da Caridade,
popularmente
conhecido como
Hospital do Fogo
Selvagem, é uma
entidade
de assistência
social, sem fins
lucrativos,
fundado com o
objetivo de
atender pessoas
com pênfigo
foliáceo, uma
doença cujos
sintomas se
assemelham a
labaredas que
percorrem o
corpo e deixam
na pele
verdadeiras
marcas de
queimadura.
Segundo a
Sociedade
Brasileira de
Dermatologia,
trata-se de uma
doença
relativamente
rara
caracterizada
pela formação de bolhas
na pele e,
às vezes, também nas
mucosas (como
boca, garganta,
olhos, nariz e
região genital
de homens e
mulheres). São
consideradas
doenças
autoimunes,
assim
desencadeadas
porque o sistema
imunológico
produz, de forma
equivocada,
anticorpos
contra
estruturas da
pele, que são
responsáveis
pela união entre
as células (como
se fosse um
“cimento”).
Esses
anticorpos chegam
à pele e às
mucosas por meio
da circulação,
ligam-se a
partes desse
“cimento” e o
danifica,
fazendo com que
as células se
separem. Após
essa separação
há passagem de
líquido e
formação das
bolhas. Essas
bolhas acabam se
rompendo após
algum tempo
(horas a dias,
dependendo do
local e do tipo
de pênfigo) e
deixam feridas
na pele e nas
mucosas, que
demoram bastante
para fechar e às
vezes não
fecham. Vale
lembrar que,
como outras
doenças
autoimunes, os
pênfigos não
são doenças
contagiosas.
Dona Cida era
movida pelo amor
ao próximo
Além desse
atendimento, o
Lar da Caridade
assiste em
regime de abrigo
crianças e
adolescentes em
situação de
risco social,
adultos e
idosos.
Inclui-se ainda
nas finalidades
da obra a
promoção do
aperfeiçoamento
moral,
intelectual,
físico e social
dos usuários.
A criação da
entidade deu-se
a partir do
esforço de uma
simples e
amorosa mulher
que abdicou seus
desejos e
dedicou seus
esforços ao
tratamento e
apoio moral aos
enfermos de
pênfigo.
Aparecida
Conceição
Ferreira, mais
conhecida como
Dona Cida, era
movida pelo amor
ao próximo e
pelo propósito
de acolher os
doentes do
pênfigo. Não se
conformando em
só acolher as
mães, passou a
acolher também
seus filhos,
passando a ser
então o
atendimento à
infância o
principal foco
da instituição.
Dona Cida
iniciou o
trabalho em
1957, quando
trabalhava como
enfermeira no
isolamento da
Santa Casa de
Uberaba. Como o
tratamento do
pênfigo era
difícil e
dispendioso, o
hospital acabou
por suprimi-lo e
então a abnegada
servidora não
teve dúvidas e
levou os doentes
para sua própria
casa, onde teve
que fazer uma
difícil escolha:
a família ou os
enfermos.
Pedindo esmolas
nas vias
públicas e
recorrendo aos
meios de
comunicação,
sobretudo com a
ajuda dos
jornalistas
através da
extinta TV Tupi
e o irres-trito
apoio de Chico
Xavier, o
trabalho se
consoli- |
 |
dou e
chegou a
abrigar
mais de
trezentos
desamparados
ao mesmo
tempo. O
hospital
passou,
mais
tarde, a
se
chamar
Lar da
Caridade,
como
sugestão
de Chico
Xavier,
e pelo
fato de
Dona
Cida
cuidar
dos
filhos
dos
pacientes,
enquanto
estes
passavam
pelo
tratamento.
Ela
então
abriu
esse
espaço
dentro
das
dependências
do
hospital,
serviço
esse que
foi
depois
estendido
a várias
outras
crianças
e
adolescentes.
|
Como é o
atendimento
prestado pela
instituição
Apesar do
falecimento de
Dona Cida
ocorrido em 22
de dezembro de
2009, a
instituição
prossegue e
conta com um
ambulatório
modelo cujo
equipamento foi
obtido por meio
de doações. O
ambulatório está
localizado em um
prédio doado
pelo Governo
Federal e ocupa
5% da área desse
prédio
impecável, cujas
instalações
hospitalares
estão vazias por
falta de
recursos para
completá-las com
os equipamentos.
Na parte do
Hospital são
mantidos 5
doentes
internados, 10
doentes que
recebem
atendimento
ambulatorial, 20
doentes com
outras
patologias
dermatológicas e
10 adultos com
necessidades
especiais.
Trabalham ali um
Clínico Geral,
uma Enfermeira
Padrão, 5
Técnicos de
Enfermagem, uma
Psicóloga
Hospitalar e um
Farmacêutico.
No Projeto de
Educação
Infantil estão
abrigadas 65
crianças de zero
a três anos. Ele
funciona de
segunda a
sábado, das 6h30
às 18h, em
sinergia com a
Escola Municipal
dentro da
Instituição
Projeto
Convivência, que
abriga 125
crianças de
cinco a doze
anos. Nessa área
trabalham 24
professores, 10
profissionais da
Prefeitura, uma
Pedagoga, um
Assistente
Social, Técnicos
de Enfermagem
(Hospital),
Pediatra
(Voluntária), um
Terapeuta
Ocupacional, uma
Psicóloga, dois
Dentistas, um
Fonoaudiólogo e
dois
Fisioterapeutas
(cedidos pela
Universidade),
um Nutricionista
e vários
voluntários.
O Acolhimento
Institucional de
três Casas
Lares, duas
masculinas e uma
feminina, atende
30 pessoas no
total. Trabalham
nessa área 3
Psicólogos, um
Assistente
Social, uma
Coordenadora, um
Atendente
administrativo,
um Terapeuta
Ocupacional
(Educação
Infantil), uma
Médica e seis
Mães Sociais.
Uma das casas é
de propriedade
do Hospital do
Fogo Selvagem e
duas são
alugadas. Recebe
da Prefeitura
uma verba mensal
de R$ 15.000,00.
No Centro
Comunitário são
distribuídos 15
enxovais
mensais. Ele
mantém um Bazar
permanente de
venda de móveis,
calçados e
roupas recebidas
em doação, que
são vendidos a
preços
simbólicos, com
o resultado
revertido para a
instituição.
Contíguo ao Lar
da Caridade,
funciona um
Centro Espírita
que realiza
trabalhos
regulares
semanalmente,
dando
sustentação aos
trabalhos
realizados com
as crianças e os
doentes.
Nota do Autor:
A entidade,
inscrita no CNPJ
25.440.835/0001-93,
está localizada
na Rua João
Alfredo, 437 –
Abadia –
Uberaba. Para
aqueles que
desejarem
contribuir ou
contatá-los,
basta ligar para
34 3318-2900 ou
enviar e-mail
para
fogoselvagem@terra,com.br.