A
conquista do
livre-arbítrio
Diz-nos a
espiritualidade
superior, em O Livro
dos Espíritos, que o
livre-arbítrio é uma
conquista da evolução
espiritual.
Temos dificuldade em ver
isto porque achamos que
temos este direito em
qualquer altura da nossa
evolução espiritual,
pois pensamos que temos
sempre o livre-arbítrio.
Se não temos, quem é que
nos retira este direito?
Como é dito em cima,
este direito é uma
conquista da evolução do
ser, quem nos retira o
direito é a nossa
própria ignorância.
Vou dar o exemplo,
através de um vício
físico, pois ele é mais
simples de percebermos.
O vício do álcool ou do
tabaco funcionam, para
além do corpo físico,
através de impulsos que
nascem na
forma-pensamento. A
pessoa que está
subjugada por estas
vontades, muitas das
vezes, passado tempo
suficiente, gostariam de
abandonar esses vícios,
mas não conseguem. Sua
cabeça é o grande
impedimento.
Embora o seu consumo
seja retomado através de
um pensamento que surge,
podemos perceber
claramente que este
pensamento é um impulso
de um hábito ou vício e
não é uma vontade da
pessoa. Como devemos ver
estes pensamentos que
levam ao consumo? Um ato
de livre-arbítrio ou uma
anulação deste através
do pensamento vicioso?
Os pensamentos não são a
prova do livre-arbítrio.
Muitas vezes, os
pensamentos são
insuflados pelos irmãos
que nos querem menos bem
ou partilham os vícios
connosco e por outras
vezes, são apenas
pensamentos que nascem
em nossa mente, pela
força do hábito, do
caráter ou até de um
impulso. Por
incapacidade mental,
caímos no consumo
repetitivo a que
chamamos de vício, em
alguns deles, hábitos
mortais.
Jesus disse-nos que
somos escravos, somos
escravos do que ele
chamou de pecado. Este
pecado nasce no
pensamento. No caso dos
vícios, somos escravos
destes.
Tudo, incluindo os
vícios, nascem e existem
no pensamento. O
esquecimento ou limpeza
mental que acontece de
reencarnação para
reencarnação é uma
bênção, dando-nos armas
para mudarmos de hábitos
de vida para vida.
Se pudemos ver que, no
vício físico, o
pensamento deixou de ser
um instrumento do
livre-arbítrio, pudemos
também constatar que no
ódio também não o é.
O ódio é um impulso
mental sobre uma
lembrança de alguma
coisa negativa que
ocorreu entre nós e
alguém.
Alguém teve um ato que
nos feriu e nós
permitimos que o ódio
crescesse em nós. Quando
vemos ou lembramos dessa
pessoa, automaticamente
nasce o ódio em nós,
através do pensamento.
Será o ódio uma escolha
em direção ao
livre-arbítrio ou um
automatismo do
pensamento como o vício
físico?
Escolhemos nós odiar, ou
é algo que nasce em nós
e nos leva sem escolha,
como uma onda gigante?
E a raiva, como
funciona? Não será igual
ao ódio?
Lembrem-se da última vez
que se sentiram
agressivos com alguém em
alguma situação,
independentemente da
razão ou da culpa.
Vocês escolheram sentir
raiva e agressividade,
ou foi algo que nasceu
em vocês e vos levou?
Existe algum
livre-arbítrio nestes
movimentos?
Poderíamos passar por
todos, como o orgulho, o
egoísmo, a ganância,
todos os outros e
chegaríamos a mesma
conclusão, que são
impulsos que aparecem em
nós e nos levam, se não
dermos conta e
colocarmos um travão.
Como disse o Mestre, vós
sois escravos, e em O
Livro dos Espíritos alertam-nos
que muitas vezes somos
mais do que
influenciados, somos
dirigidos.
Onde está o nosso
livre-arbítrio?
O mal que nasce em nós
anula uma escolha livre,
como vimos em cima, mas
este contem a hipótese
do bem, através do
exercício do
livre-arbítrio.
Vamos voltar à lembrança
do último episódio em
que fomos agressivos.
A agressividade apareceu
em nós, por algum
motivo. Aparece como um
impulso que quer tomar
conta de nós, e uma
parte nossa percebe o
que vai ou está a
acontecer connosco e por
vezes tenta negar este
caminho. Algumas vezes
não conseguimos, mas,
por outras, temos
sucesso. Onde foi
exercido o
livre-arbítrio? Na
bondade.
Percebem porque o
livre-arbítrio está
ligado ao crescimento
espiritual e na
ignorância do espírito o
livre-arbítrio é quase
nulo ou nulo?
Em todo o mal existe a
semente do bem, que pode
florescer através do
livre-arbítrio.
Todo vício moral ou
físico é uma anulação do
nosso livre-arbítrio, e
todo esforço para
combater estas más
tendências é o plantar
do livre-arbítrio.
Se formos crentes de que
o pensamento é um
resultado de nossa
vontade, somos joguetes
nas mãos do “pecado”,
como disse o Mestre.
A desconfiança deste
movimento mental é o
despertar para a
consciência do
funcionamento do
livre-arbítrio, uma arma
fantástica ao
crescimento espiritual.
Passamos a estar mais
atentos ao que acontece
em nossas mentes,
peneirando o que é bom
do que é mau. Como
Kardec disse, combatendo
as más tendências.
É muito importante
adquirirmos hábitos que
nos ajudem a sossegar a
nossa mente, pois quanto
mais turbulenta estiver,
maiores fantoches somos.
Quando falamos em
fantoches, temos ideia
de que alguém nos
dirige. No caso da
obsessão, é uma
realidade, mas o maior
obsessor que existe é a
nossa ignorância que nos
“manipula”
automatizadamente em
direção à anulação do
livre-arbítrio.
Jesus dá-nos a receita
para pudermos combater
esta “escravatura”:
“Vigiai e orai, para que
não entreis em
tentação”.
A vigilância sobre nós
próprios permite
aperceber-nos do que vai
acontecendo em nossas
mentes.
A oração, como o Mestre
indica, é o recolhimento
aos nossos aposentos e
em silêncio, que nosso
Pai em silêncio escuta,
ou seja, o
desenvolvimento do
silêncio em nós. O
silêncio é a abstinência
do pensamento, do
desejo, dos impulsos dos
vícios, o desapego das
más tendências, que é
por isso tão importante
para nós.
Como estamos habituados
às palavras, poderemos
usar uma frase antes,
como “Pai, dá-me força e
coragem para não cair
nesta má tendência” ou,
como o Mestre mostrou em
sua passagem pelo
planeta, “Afasta de mim
esse cálice, Pai”, e
permanecermos um pouco
em silêncio mental, como
ele permaneceu uma hora
a vigiar.
A forma mais fácil de
percebermos se estamos
realmente a escolher ou
ser impulsionados, é
colocarmos a hipótese de
escolher o contrário.
Imaginem que surge um
impulso agressivo.
Escolham não ficar; se
conseguirem, é
livre-arbítrio. Poderão
sempre ser agressivos
passado 15 minutos,
quando tiverem calmos
escolherem ser
agressivos.
Nestes casos, como na
agressividade, podemos
ver facilmente se é
livre-arbítrio ou não,
mas há outros que são
muito mais sutis.
Procure saber quais são
os seus, para perceber
quando é dirigido ou
escravizado.
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