É da ordem natural das coisas que necessitemos vivenciar
novas situações e desafios existenciais a fim de
acumularmos experiência: conquista fundamental à
evolução do Espírito. Assim sendo, no decorrer da vida
somos invariavelmente defrontados por inúmeros problemas
e dificuldades que nos proporcionam a oportunidade de
aprendizado e desenvolvimento. Nessas ocasiões mostramos
o nosso real grau de maturidade psicológica, habilidades
pessoais e, por fim, espiritualidade.
Na obra Roteiro, ditada pelo Espírito Emmanuel (psicografia
de Francisco Cândido Xavier), a ilustre entidade
pondera que “Para a maioria dessas criaturas,
necessitadas de experiência nova e mais ampla, a
reencarnação não é somente um impositivo natural, mas
também um prêmio pelo ensejo de aprendizagem”. No
entanto, adverte também ele, em Caminho,
Verdade e Vida (psicografada
por Francisco Cândido Xavier), que “A experiência humana
não é uma estação de prazer”.
Ou seja, não raro obtê-la significa lidar com dissabores
e reveses, além de empreender consideráveis sacrifícios
e muita determinação na busca de solução dos obstáculos
e obrigações do caminho.
De modo geral, a vida na dimensão material constitui uma
dádiva para aumentarmos conhecimentos e acumularmos
experiências benfazejas para nos tornarmos – um dia –
criaturas realmente perfeitas e em plenas condições de
servir à vontade divina. Allan Kardec dedicou bastante
atenção na elucidação desse aspecto esmiuçando, assim,
as facetas do tema. Por exemplo, ele
observou nos comentários referentes à questão nº 127
d’O Livro dos Espíritos que:
“Os Espíritos que desde o princípio seguem o caminho do
bem nem por isso são Espíritos perfeitos. Não têm, é
certo, maus pendores, mas precisam adquirir a
experiência e os conhecimentos indispensáveis para
alcançar a perfeição. Podemos compará-los a crianças
que, seja qual for a bondade de seus instintos naturais,
necessitam de se desenvolver e esclarecer e que não
passam, sem transição, da infância à madureza.
Simplesmente, assim como há homens que são bons e outros
que são maus desde a infância, também há Espíritos que
são bons ou maus desde a origem, com a diferença capital
de que a criança tem instintos já inteiramente formados,
enquanto o Espírito, ao formar-se, não é nem bom nem
mau; tem todas as tendências e toma uma ou outra
direção, por efeito do seu livre-arbítrio” (ênfase
minha).
Seguindo adiante, ele acrescentou, nos comentários
referentes à questão nº 191 da obra acima citada, que:
“[...] A vida do Espírito, pois, se compõe de uma série
de existências corpóreas, cada uma das quais representa
para ele uma ocasião de progredir, do mesmo modo que
cada existência corporal se compõe de uma série de
dias, em cada um dos quais o homem obtém um acréscimo
de experiência e de instrução. Mas, assim como, na
vida do homem, há dias que nenhum fruto produzem, na
do Espírito, há existências corporais de que ele nenhum
resultado colhe, porque não as soube aproveitar”
(ênfase minha).
Em linhas gerais, a experiência nos faculta progresso,
pois passamos a divisar as coisas sob um ângulo mais
abrangente calcado na realidade. Desse modo, um
executivo que gradualmente galga a ladeira da ascensão
profissional haverá de, inevitavelmente, supervisionar
vários projetos e ações que lhe darão uma visão mais
ampla e entendimento da sua área. Um médico cirurgião
que lida com casos complexos ganhará cada vez mais
compreensão do corpo humano, sem falar da ampliação da
sua destreza. Mesmo em situações em que a experiência
ocorre num período tardio, segundo Kardec, tal
conhecimento não se perderá e certamente será utilizado
em outra existência (ver comentários referentes à
questão nº 171). Portanto, nada se perde nesse
particular, culminando, assim, com o fato de que “Em
cada uma de suas existências corporais, o Espírito
adquire um acréscimo de conhecimentos e de experiência.
[...]”, conforme pondera Allan Kardec. No referido livro
ainda, as entidades espirituais frisaram que “[...] É
preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso,
portanto, que conheça o bem e o mal [...]” (resposta
à questão nº 634; ênfase minha).
Notem, portanto, que ninguém está indene dos efeitos e
ações malignas que permeiam a existência humana,
reforçando, assim, a ideia basilar de que não há
privilégios na criação divina. Aliás, como bem
argumentou Léon Denis, na obra O Problema do
Ser, do Destino e da Dor, “[...] A dor, física e
moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio”
(ênfase minha). Conclui-se, então, que as experiências
mais agudas e espinhosas fazem, inevitavelmente, parte
do roteiro evolucional podendo ou não estar vinculadas
às questões cármicas. Dito de outra forma, o Espírito
deve necessariamente passar por adversidades, privações
e sofrimentos ao longo do caminho redentor, pois só
desta maneira obterá o pleno aprendizado. E o acúmulo
contínuo de tal repertório vai sendo acrescentado à sua
bagagem, tornando-o cada vez mais um ser
espiritualizado. Reiterando tal percepção, o Espírito Paulo
Rios, em Dicionário da Alma (mensagem psicografada
por Francisco Cândido Xavier), aduz que “Para quem
se eleva aos cimos da espiritualidade bendita, a
experiência é doloroso processo de acrisolamento e
regeneração”.
Desse modo, há lições que o Espírito precisa assimilar,
sem poder evitá-las indefinidamente, incluindo as
situações extremas que eventualmente o golpeiem.
Contudo, como elucida o Espírito Emmanuel, na obra cujo
título lhe leva o nome (psicografia
de Francisco Cândido Xavier):
“Há quem despreze a luta, mergulhando em nociva
impassibilidade, ante os combates que se travam no seio
de todas as coletividades humanas; a indiferença anula
na alma as suas possibilidades de progresso e oblitera
os seus germens de perfeição, constituindo um dos piores
estados psíquicos, porque, roubando à individualidade o
entusiasmo do ideal pela vida, a obriga ao
estacionamento e à esterilidade, prejudiciais em todos
os aspectos à sua carreira evolutiva.”
Já na questão nº 741 d’O Livro dos Espíritos outro
aspecto importante desse assunto é explorado:
“Dado é ao homem conjurar os flagelos que o afligem?
“Em parte, é; não, porém, como geralmente o entendem. Muitos
flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida
que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai
podendo conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe
pesquisar as causas. Contudo, entre os males que
afligem a Humanidade, alguns há de caráter geral, que
estão nos decretos da Providência e dos quais cada
indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses
nada pode o homem opor, a não ser sua submissão à
vontade de Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele
muitas vezes os agrava pela sua negligência” (ênfase
minha).
Se considerarmos as explicações acima no caso das
recentes enchentes do Rio Grande do Sul, bem como outros
episódios similares que afligem o nosso país, chegaremos
à lamentável conclusão de que ocorreu no caso
negligência por parte das autoridades públicas, que, em
face disso, assumiram papel preponderante nos prejuízos
obtidos.
Com efeito, como bem pondera Allan Kardec, no livro A
Gênese, “[...] Só à custa de sua atividade [isto é,
trabalho, estudo, aplicação etc.] que o Espírito adquire
conhecimento, experiência e se despoja dos últimos
vestígios da animalidade. [...]”. Complementando os
seus esclarecimentos, o Codificador observou que:
“[...] Os Espíritos não ensinam senão justamente o
que é mister para guiar o homem no caminho da verdade,
mas abstêm-se de revelar o que ele homem pode descobrir
por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir,
verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando
mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua
custa. Fornecem-lhe o princípio, os materiais; cabe ao
homem aproveitá-lo e pô-los em prática (Item 15).”
O lado transcendental, por assim dizer, derivado da
obtenção de experiência, tem a sua relevância amplamente
destacada pelos mentores da espiritualidade. Nesse
sentido, o Espírito André Luiz argumenta que “A fé
significa um prêmio da experiência” (ver Conduta
Espírita psicografada pelo médium Waldo Vieira). De
fato, tão expressiva conquista do Espírito só pode advir
de muita vivência e correspondente aprendizado. Em
outras palavras, a alma é joeirada através dos séculos e
das encarnações sucessivas que lhe proporcionam
condições de enxergar a chamada big picture. Ao
enxergar o quadro maior, o indivíduo vai cogitando
outras explicações que afetam a vida e, nesse processo,
vai adquirindo a certeza de que algo maior efetivamente
rege os fenômenos e acontecimentos primordiais, ou seja,
Deus.
Essa crescente convicção leva-o, por fim, a desenvolver
a fé e a certeza de que não está só. De modo mais
simples, pode-se também cogitar que o indivíduo se
capacita a entender que “A vida é eterna e a experiência
é invariavelmente o caminho que nos ajuda a
descobrir-lhe os tesouros”, como bem resume o Espírito
Emmanuel, em Dicionário da Alma (psicografia de
Francisco Cândido Xavier). A propósito, na mesma obra, o
Espírito Agar pondera que “Por agora, baste-nos a
convicção de que nos compete trabalhar incessantemente
para o bem, porquanto a chave do serviço nos descerrará
a sublimidade da experiência e com a experiência elevada
marcharemos para a comunhão com Deus”. Sintetizando os
sublimes ensinamentos, Emmanuel observa que “A
experiência na carne é um curso constante de valiosos
ensinamentos”.
Assim sendo, até mesmo as mais dramáticas e amargas
experiências nos ajudam a lapidar as nossas almas, a fim
de que um dia tenhamos condições de exercer elevadas
missões junto à humanidade em nome de Deus. Atendamos,
então, ao sábio convite de Emmanuel (ver Escrínio de
Luz psicografia de Francisco Cândido Xavier), e
enriqueçamos a nossa própria experiência, ajuntando
conquistas eternas através do constante exercício de
nossa mente e de nosso coração na prática do bem.