Irmãos: laços e diferenças
Quando eu crescer eu vou ficar criança.
Manoel de Barros
Vivi em uma casa onde éramos cinco crianças. Brincávamos
e brigávamos, pois tanto o laço quanto a rivalidade
estão presentes no mundo das famílias.
Quando discutíamos, e fazíamos isso muitas vezes, minha
mãe tinha o hábito de castigar a todos, independente das
“vítimas” ou dos “ofensores”. Isso nos ajudou a entender
que ali, naquela casa, não havia privilegiados. No
geral, é o sentimento de injustiça que costuma alimentar
os conflitos entre irmãos, estendendo-os para o cenário
adulto… Por isso, pais, cuidado!
De
outro lado, muitos irmãos crescem e se inclinam a nutrir
a competição. Na verdade, não há uma razão específica
para que a rivalidade entre irmãos desapareça em algumas
famílias e persista em outras. O fator mais determinante
para o relacionamento entre irmãos adultos é a infância,
contudo, se houver esforço, querer, vontade, existe
também espaço para mudanças, pois não há determinismos.
O
que é preciso considerar os pais que têm mais de um
filho?
Os
irmãos desempenham um papel significativo no
desenvolvimento das crianças. São os primeiros
companheiros de brincadeiras, favorecendo oportunidades
para aprimorar habilidades sociais, cognitivas e
motoras. Nesse convívio rotineiro, as crianças aprendem
a negociar, a compartilhar recursos e a lidar com as
diferenças, desenvolvendo habilidades importantes para a
vida adulta, como a empatia e a capacidade de
reconciliação, mesmo a prática do perdão.
Os
pais assumem um papel fundamental na orientação de uma
relação saudável entre os irmãos. Eles devem estar
presentes e disponíveis para ouvir, apoiar e guiar as
crianças. Além disso, é importante que os pais evitem
comparações entre os irmãos e tratem cada um de forma
justa e igualitária. O apoio emocional e a valorização
das conquistas individuais de cada criança são
essenciais para moldar e fortalecer os laços fraternos.
Meus irmãos vivem longe, em outras cidades, estados,
país. Hoje, adultos, apesar das diferenças de gostos,
hábitos, visões de mundo, procuramos manter uma
convivência saudável e respeitosa, apesar da distância.
Além disso, as memórias (felizes e tristes)
compartilhadas sustentam nossos vínculos.