Aylton Guido
Coimbra Paiva:
“O Espiritismo
inspira a
reforma íntima e
a educação do
Espírito, mas
também a ação
social para a
transformação da
sociedade"
 |
Foi aos 15 anos
de idade que
Aylton Guido
Coimbra Paiva
conheceu a
Doutrina
codificada por
Allan Kardec.
Naquela época, o
livro “Do
Calvário ao
Infinito”, do
Espírito de
Vitor Hugo,
psicografado
pela médium
Zilda Gama, é
que o levou a
encontrar
respostas para
muitas questões
que, segundo
suas próprias
palavras, “até
então religião
nenhuma não
tinha me
respondido”.
Radicado na
cidade de Lins
(SP), Aylton
Paiva é bacharel
em Ciências
Jurídicas e
Sociais. No meio
espírita,
tem
ação
decisiva
nas
|
atividades
de
divulgação e
unificação
no vizinho
Estado de
São Paulo,
além de ser
um dos
articulistas
da revista
espírita O
Consolador. |
Em sua visão, o
movimento
espírita
brasileiro vem
trabalhando de
forma positiva e
reúne homens e
mulheres
dedicados em
divulgar a
Doutrina
Espírita,
conforme as
possibilidades e
limitações de
cada um.
Este e outros
temas
importantes,
como a
violência, o
aborto e a
eutanásia, fazem
parte da
entrevista que o
estimado
confrade
concedeu a esta
revista.
O Consolador:
Onde você
nasceu?
–
Reencarnei na
cidade de Dois
Córregos, Estado
de São Paulo, em
28 de julho de
1937.
O Consolador:
Que motivo o
levou a residir
na cidade de
Lins?
–
Logo que nasci,
meus pais
mudaram-se para
Jaú. Residi
depois, durante
muito tempo, em
Bauru e após meu
casamento passei
a residir em
Lins, onde moro
até a presente
data.
O Consolador:
Qual a sua
formação?
–
Curso superior
completo.
Bacharel em
Ciências
Jurídicas e
Sociais.
O Consolador:
Quais cargos ou
funções você já
exerceu no
movimento
espírita?
–
Diretor de
Mocidade
Espírita;
presidente de
Centro Espírita;
diretor da União
Municipal
Espírita de
Bauru (SP);
presidente da
USE
Intermunicipal
de Lins;
secretário da
Comissão
Regional Sul do
Conselho
Federativo
Nacional da
Federação
Espírita
Brasileira.
O Consolador:
E no momento,
que cargo você
está exercendo?
–
Sou diretor
conselheiro da
Casa dos
Espíritos de
Lins e
presidente da
USE Regional de
Bauru.
O Consolador:
Quando você teve
contato com o
Espiritismo?
–
Com 15 anos de
idade, recebi de
meu tio
Sebastião Paiva
o livro “Do
Calvário ao
Infinito”,
escrito por
Vitor Hugo,
psicografado
pela médium
Zilda Gama. Esse
livro ajudou-me
a encontrar
respostas para
muitas questões
que, até então,
as religiões que
conheci não
tinham
respondido.
O Consolador:
Qual foi a
reação de sua
família ante sua
adesão à
Doutrina
Espírita?
–
O tio Sebastião
ficou muito
contente, minha
mãe aceitou, meu
pai inicialmente
não se
incomodou, mas
quando se tornou
evangélico
contestou essa
minha opção.
O Consolador:
Dos três
aspectos do
Espiritismo –
científico,
filosófico e
religioso – qual
é o que mais o
atrai?
–
Julgo todos
importantes,
porém, talvez
por minha
formação
cultural,
atraem-me os
aspectos
filosófico e
religioso.
O Consolador:
Que autores
espíritas mais
lhe agradam?
–
Allan Kardec,
com suas obras
“O Livro dos
Espíritos”, “O
Livro dos
Médiuns”, “O
Evangelho
segundo o
Espiritismo”, “A
Gênese” e o “Céu
e o Inferno ou a
Justiça Divina
segundo o
Espiritismo”. Em
seguida, Léon
Denis, Gabriel
Delanne, Paul
Gibier, Gustave
Geley, Herculano
Pires, Humberto
Mariotti e
Hernani
Guimarães
Andrade. Quanto
a autores
desencarnados,
André Luiz, em
sua série
admirável,
psicografada
pelo
inesquecível
médium Francisco
Cândido Xavier.
O Consolador:
Que livros
espíritas você
considera de
leitura
indispensável
aos confrades
iniciantes?
–
Basicamente o
“Principiante
Espírita”, de
Allan Kardec, as
obras básicas da
Codificação e a
série André
Luiz,
psicografada por
Francisco
Cândido Xavier.
O Consolador:
Se você fosse
passar alguns
anos num lugar
remoto, com
acesso restrito
às atividades e
trabalhos
espíritas, que
livros
pertinentes à
Doutrina
Espírita você
levaria?
–
Os mesmos da
pergunta
anterior,
acrescidos de “O
Reino” e “O
Espírito e o
Tempo”, de
Herculano Pires;
“O Homem e a
Sociedade Numa
Nova
Civilização”, de
Humberto
Mariotti; Paulo
e Estevão, de
Emmanuel/Chico
Xavier e o meu
“O Espiritismo e
a Política Para
a Nova
Sociedade”
(estudo das Leis
Morais de “O
Livro dos
Espíritos”).
O Consolador:
As divergências
doutrinárias em
nosso meio
reduzem-se a
poucos assuntos.
Um deles diz
respeito ao
chamado
Espiritismo
laico. Para
você, o
Espiritismo é
uma religião?
–
O próprio Allan
Kardec definiu
isso muito bem,
esclarecendo que
o Espiritismo
não era uma
religião com a
organização e a
estrutura de
religiões
existentes,
porém tinha um
aspecto
religioso ao
tratar de temas
que a filosofia
e a ciência
acadêmica não
tratam: Deus, o
espírito eterno,
a adoração a
Deus, a oração e
as normas éticas
contidas nos
Evangelhos
atribuídos a
Mateus, João,
Marcos e Lucas.
O Consolador:
Outro tema que
suscita
geralmente
debates
acalorados diz
respeito à obra
publicada na
França por J. B.
Roustaing. Qual
é sua apreciação
dessa obra?
–
A mesma de Allan
Kardec expressa
na Revista
Espírita: uma
obra mediúnica,
psicografada por
um médium.
Respeitava o
direito que
Roustaing tinha
de divulgá-la,
como opinião
pessoal.
Acrescento eu:
sem ter passado
pelo critério do
“controle
universal dos
ensinos dos
Espíritos“,
conforme
encontramos em
“O Evangelho
segundo o
Espiritismo”, de
Allan Kardec,
Introdução, II,
Autoridade da
Doutrina
Espírita. Na
obra há teses
que confrontam
as teses do
Espiritismo.
O Consolador:
O terceiro
assunto em que a
prática espírita
às vezes diverge
está relacionado
com os chamados
passes
padronizados,
propostos na
obra de Edgard
Armond. Embora
saibamos que em
geral a opção
adotada pelo
movimento
espírita seja
tão-somente a
imposição das
mãos tal como
recomenda J.
Herculano Pires,
qual é sua
opinião a
respeito?
–
Entendo, com
base em Kardec e
nos
esclarecimentos
de André Luiz,
em sua série de
livros,
psicografados
por Francisco
Cândido Xavier,
que ao médium,
expressando amor
ao próximo,
compete
exteriorizar as
energias
espirituais e
quem manipulará
essas energias
para fixá-las
nos tecidos do
perispírito e
nas células do
corpo físico são
os técnicos
espirituais – os
Espíritos
especializados
nessa área,
independentemente
dos movimentos
que o médium
faça com as
mãos.
O Consolador:
Como você vê a
discussão em
torno do aborto?
No seu modo de
ver as coisas,
os espíritas
deveriam ser
mais ousados na
defesa da vida
como tem feito a
Igreja?
–
Como recurso
extremo,
admitido pela
ética médica, o
aborto só deve
ser adotado para
salvar a vida da
mãe. Acho que o
movimento
espírita,
através das
Federações, do
Conselho
Federativo
Nacional da
Federação
Espírita
Brasileira e por
ações de
Centros,
Instituições e
pessoas
espíritas, tem
oferecido a sua
contribuição em
defesa da Vida,
devendo fazê-lo
cada vez com
mais eficiência,
atingindo,
também, as
crianças que
ainda morrem de
fome, no Brasil
e no mundo.
O Consolador:
A eutanásia,
como sabemos, é
uma prática que
não tem o apoio
da Doutrina
Espírita. Kardec
e outros
autores, como
Joanna de
Ângelis, já se
posicionaram
sobre esse tema.
Surgiu, no
entanto,
ultimamente a
idéia da
ortotanásia,
defendida até
mesmo por
médicos
espíritas. Qual
a sua opinião a
respeito?
–
Para mim a
ortotanásia é o
direito de
morrer na hora
certa, pelas
leis
espirituais,
biológicas e
éticas e não em
momento
artificialmente
imposto, pela
ainda tão falha
ciência humana.
Os capítulos da
Lei da
Destruição e da
Lei da
Conservação, em
As Leis
Morais de “O
Livro dos
Espíritos”,
trazem
contribuições
importantes para
o tema.
O Consolador:
O movimento
espírita em
nosso país lhe
agrada ou falta
algo nele que
favoreça uma
melhor
divulgação da
Doutrina?
–
Agrada-me muito.
Constato homens,
mulheres e
jovens estudando
e trabalhando
para divulgar e
implantar a
Doutrina
Espírita em
nossa sociedade.
Essa realização
caminha segundo
nossas
possibilidades e
limitações,
individuais e
coletivas,
todavia avança
sempre.
O Consolador:
Como você vê o
nível da
criminalidade e
da violência que
parece aumentar
em todo o país e
como nós,
espíritas,
podemos cooperar
para que essa
situação seja
revertida?
–
Constituem o
reflexo dos
estágios em que
ainda nos
encontramos em
termos do
orgulho e do
egoísmo, tanto
individual como
coletivo. Nós
espíritas
poderemos melhor
conscientizar-nos
e melhor agir em
nossa ação
social, que é
uma ação
política (sem
ser
político-partidária
) estudando a 3ª
Parte de “O
Livro dos
Espíritos”, de
Allan Kardec –
As Leis Morais.
O Consolador:
A preparação do
advento do mundo
de regeneração
em nosso planeta
já deu, como
sabemos, seus
primeiros
passos. Daqui a
quantos anos
você acredita
que a Terra
deixará de ser
um mundo de
provas e
expiações,
passando
plenamente à
condição de um
mundo de
regeneração, em
que, segundo
Santo Agostinho,
a palavra “amor”
estará escrita
em todas as
frontes e uma
equidade
perfeita
regulará as
relações
sociais?
–
Acho que não
podemos medir
cronologicamente
esse evento.
Busco em “A
Gênese”, de
Allan Kardec, no
capítulo XVII:
“A nova geração
marchará, pois,
para a
realização de
todas as idéias
humanitárias
compatíveis com
o grau de
adiantamento a
que houver
chegado.
Avançando para o
mesmo alvo e
realizando seus
objetivos, o
Espiritismo se
encontrará com
ela no mesmo
terreno. Aos
homens
progressistas se
deparará nas
idéias espíritas
poderosas
alavancas e o
Espiritismo
achará, nos
novos homens,
Espíritos
inteiramente
dispostos a
acolhê-lo... O
Espiritismo não
cria a renovação
social; a
madureza da
humanidade é que
fará dessa
renovação uma
necessidade”.
O Consolador:
Em face dos
problemas que a
sociedade
terrena está
enfrentando,
qual deve ser a
prioridade
máxima dos que
dirigem
atualmente o
movimento
espírita no
Brasil e no
mundo?
–
Divulgar o
Espiritismo, com
base nas obras
básicas da
codificação de
Allan Kardec.
Estimular
permanentemente
o estudo do
Espiritismo nas
mesmas obras.
Entender que o
Espiritismo não
veio para ser
trancafiado
dentro do Centro
Espírita. Ele
veio para a
humanidade e,
conseqüentemente,
inspirar a
reforma íntima
ou a educação do
Espírito, mas
também a ação
social para
transformação da
sociedade,
associando-se a
outros
movimentos que
propugnam pela
justiça e o amor
entre as pessoas
e os povos.
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