Júpiter Villoz Silveira:
“Como médico, sou favorável à chamada paliação, em que o paciente não é abandonado ou negligenciado”
Júpiter Villoz
Silveira
(foto) é
gaúcho, nascido
em Sant’Ana do
Livramento (RS)
mas reside em
Londrina (PR)
desde 1972,
quando veio a
trabalho.
Médico,
endocrinologista
e homeopata,
ex-presidente da
Associação
Médica Espírita
de Londrina, um
dos fundadores
da Casa do
Caminho,
ex-presidente da
Casa do Caminho
e atual membro
do conselho
administrativo
desse Centro
Espírita,
palestrante
dedicado,
defende a
necessidade da
adoção do
Projeto
Pedagógico de
Evangelização de
Espíritos,
que desperta no
ser a verdade, único alimento
do Espírito.
Contrário à |
 |
prática da ortotanásia,
Júpiter diz ser
favorável à
chamada paliação,
que considera
morte tranqüila
aquela em que a
dor e o
sofrimento são
minimizados por
cuidados
adequados, no
qual o paciente
não é abandonado
ou
negligenciado. |
Eis a seguir a
entrevista que
ele,
atenciosamente,
concedeu à nossa
revista:
O Consolador:
Quando teve
contato com o
Espiritismo?
Júpiter:
Nasci em lar
espírita.
O Consolador:
Dos três
aspectos do
Espiritismo –
científico,
filosófico e
religioso – qual
é o que mais o
atrai?
Júpiter:
Em primeiro
lugar, não
acredito que
tais aspectos
possam ser
cindidos, pois
qualquer ação
nesse sentido
seria o mesmo
que tentar ver
Jesus ou como o
“Grande
Cientista”, ou o
“Grande
Filósofo”, ou
somente como o
“Representante
de Deus na
Terra”. Essas
dimensões,
portanto, são
indissociáveis e
sua unidade é
fundamental para
um estudo
consciente e uma
prática ativa.
O Consolador:
Que autores
espíritas mais
lhe agradam?
Júpiter:
Léon Denis,
Herculano Pires,
Joanna de
Ângelis, Manoel
Philomeno de
Miranda.
O Consolador:
Que livros
espíritas você
considera de
leitura
indispensável
aos confrades
iniciantes?
Júpiter:
O Livro dos
Espíritos e
o Evangelho
segundo o
Espiritismo.
O Consolador: Se
você fosse
passar alguns
anos num lugar
remoto, com
acesso restrito
às atividades e
trabalhos
espíritas, que
livros
pertinentes à
Doutrina
Espírita você
levaria?
Júpiter:
Paulo e
Estevão, os
livros de André
Luiz e o
Evangelho
segundo o
Espiritismo.
O Consolador: As
divergências
doutrinárias em
nosso meio
reduzem-se a
poucos assuntos.
Um deles diz
respeito ao
chamado
espiritismo
laico. Para
você, o
Espiritismo é
uma religião?
Júpiter:
Sim, sem
dúvida.
O Consolador:
Outro tema que
suscita
geralmente
debates
acalorados diz
respeito à obra
publicada na
França por J. B.
Roustaing. Qual
é a sua
apreciação da
obra?
Júpiter:
Nunca a li,
portanto
desconheço.
O Consolador:
Como você vê a
discussão em
torno do aborto?
No seu modo de
ver as coisas,
os espíritas
deveriam ser
mais ousados na
defesa da vida
como tem feito a
Igreja?
Júpiter:
O posicionamento
da Associação
Médico-Espírita
Brasileira é
muito claro e
seguro em
relação à
proteção da
vida. Apenas
deveria ser mais
divulgado.
O Consolador: A
eutanásia, como
sabemos, é uma
prática que não
tem o apoio da
Doutrina
Espírita. Kardec
e outros
autores, como
Joanna de
Ângelis, já se
posicionaram
sobre esse tema.
Surgiu, no
entanto,
ultimamente a
idéia de
ortotanásia,
defendida até
mesmo por alguns
médicos
espíritas. Qual
é a sua opinião
a respeito?
Júpiter:
Sou contra. Como
médico, sou
favorável à
chamada paliação,
que considera
morte tranqüila
aquela em que a
dor e o
sofrimento são
minimizados por
cuidados
adequados
(cuidados
paliativos), no
qual o paciente
não é abandonado
ou
negligenciado.
Ou seja, a
paliação procura
aumentar o
conforto e
manter a
dignidade do
paciente, mas
sem interferir
na sobrevida,
pois não tem
caráter
curativo. Suas
ações não visam
apressar ou
retardar a
morte, mas
fundamentalmente
dar conforto ao
paciente, tendo
como foco as
necessidades
psicológicas e
espirituais do
doente terminal
e da sua
família. Além
disso, a
paliação
considera o
paciente
terminal não
como uma
máquina, cujas
peças estão
avariadas e
comprometidas,
mas como um ser
cumprindo sua
destinação em
acordo com uma
visão holística,
que entende
essencial
compreender o
Espírito
naturalmente ora
encarnado, ora
desencarnado,
sendo esta visão
também estendida
aos familiares
que o cercam.
Ora, o ambiente
espiritual que
envolve o doente
terminal é
fundamental para
que ele possa
desvencilhar-se
dos laços que o
prendem à
matéria com
serenidade,
tranqüilo para
receber ajuda
dos bons
Espíritos e,
desse modo,
prosseguir sua
jornada em
equilíbrio.
Infelizmente,
isso
freqüentemente
não ocorre pelo
apego e
desespero
vividos tanto
pelo paciente
quanto pelos
encarnados que o
cercam, embora
munidos dos mais
diversos
conhecimentos
religiosos.
O Consolador: O
movimento
espírita em
nosso País lhe
agrada ou falta
algo nele que
favoreça uma
melhor
divulgação da
Doutrina?
Júpiter:
O que nos falta,
enquanto
movimento, é a
vivência dos
postulados
espíritas.
O Consolador:
Como você vê o
nível da
criminalidade e
da violência que
parece aumentar
em todo o País e
como nós,
espíritas,
podemos cooperar
para que essa
situação seja
revertida?
Júpiter:
A situação atual
do Planeta, que
pode nos parecer
um “caos”, faz
parte do
fechamento de um
ciclo
planetário.
O Consolador: A
preparação do
advento do mundo
de regeneração
em nosso planeta
já deu, como
sabemos, seus
primeiros
passos. Daqui a
quantos anos
você acredita
que a Terra
deixará de ser
um mundo de
provas e
expiações,
passando
plenamente à
condição de um
mundo de
regeneração, em
que, segundo
Santo Agostinho,
a palavra
amor estará
escrita em todas
as frontes e uma
eqüidade
perfeita
regulará as
relações
sociais?
Júpiter:
O mundo de
regeneração
chegará quando
passarmos da
infância da
humanidade para
a madureza nos
próximos
milênios.
O Consolador: Em
face dos
problemas que a
sociedade
terrena está
enfrentando,
qual deve ser a
prioridade
máxima dos que
dirigem
atualmente o
movimento
espírita no
Brasil e no
mundo?
Júpiter:
Adotarmos a
proposta de
evangelização de
nós mesmos (Evangelização
de Espíritos).
O Consolador:
Você considera
que existe uma
pedagogia
espírita
inerente à obra
de Kardec?
Júpiter:
Herculano Pires
já explicara no
seu livro
“Pedagogia
Espírita” que
há, sem dúvida,
uma pedagogia
que circunda a
obra de Allan
Kardec, mas a
ela faltava
somente uma
metodologia.
Nesse encalço,
Eurípedes
Barsanulfo, ao
fundar o Colégio
Espírita Allan
Kardec, em
Sacramento (MG),
cogita então de
uma metodologia
que viesse a
possibilitar o
desenvolvimento
do Projeto de
Evangelização de
Espíritos já
anunciado pelo
codificador.
Essa proposta,
então, conduzida
pela Equipe do
Espírito
Eurípedes
Barsanulfo,
orienta um
paradigma que,
espelhado na
natureza, tem
como diretiva a
necessidade de
viver como
Espírito, pois o
fato é que nós
somos Espíritos
em experiências
corporais. Logo,
afastando-se do
equívoco do
Movimento
Espírita
brasileiro de
fazer catequese
(Evangelização
Infantil), o
Grupo Espírita
Esperança e
Caridade
(Sacramento−MG)
propõe a
Evangelização de
Espíritos, que
vai ao encontro
das necessidades
de cada Espírito
em aprendizado
na Terra.
(1)
O Consolador:
Você poderia nos
dar uma
explicação sobre
o que significa
a Evangelização
de Espíritos?
Júpiter:
A Evangelização
de Espíritos é
um Projeto de
Eurípedes
Barsanulfo que
pode ser
entendida como
um “método de
vida que nos
convida a
vivenciar os
ensinamentos
trazidos por
Jesus e
codificados por
Allan Kardec. Em
sua prática
percebemos o
valor da
lembrança, somos
Espíritos
eternos,
co-participantes
da criação,
herdeiros de nós
mesmos”. E
sabemos que quem
não se
evangeliza não
pode compreender
as palavras de
Jesus e quem não
se transforma,
não pode
alcançar os
princípios de
Kardec:
“Reconhece-se o
verdadeiro
cristão pela sua
transformação
moral”. Ou seja:
a Evangelização
de Espíritos
pode nos
auxiliar a
vencer os
obstáculos da
nossa
programação, à
medida que nos
propicia meios
de reaprender,
ascender novos
sentimentos,
fomentar novos
pensamentos,
alinhas novos
hábitos porque
“desperta no ser
a verdade,
alimento único
do Espírito”.
O Consolador: A
Evangelização de
Espíritos é uma
proposta
pedagógica nova?
Júpiter:
A Evangelização
de Espíritos
inicia um
processo
saneador em que
o
Espírito-espírita
reconhece suas
dificuldades e
utiliza de todos
os ensinamentos
contidos na
Doutrina dos
Espíritos e no
Evangelho de
Jesus para
desenvolver sua
luta e suas
potências
(qualidades
positivas e
talentos). Não é
proposta nova,
mas método
amoroso
utilizado por
Jesus e por
grandiosos
Espíritos que
estiveram
fisicamente e
continuam
conosco, pois se
constitui em uma
educação que tem
como base o
conhecimento
espírita e que
busca nortear o
avançar do
Espírito Imortal
perante sua
trajetória
momentaneamente
humana, segundo
a condicionante
evolutiva.
O Consolador: Há
quanto tempo a
Casa do Caminho
e o Centro de
Educação
Infantil
Espírita
Eurípedes
Barsanulfo
adotam a
Evangelização de
Espíritos?
Júpiter:
A Casa do
Caminho tem
compromisso com
a educação.
Desse modo,
adotamos a
Evangelização de
Espíritos, nos
moldes de
Sacramento, há
quinze anos. No
entanto, somos
cientes de que o
sucesso dessa
metodologia
depende de uma
boa formação de
evangelizadores,
pois estes
lidarão com as
necessidades
próprias dos evangelizandos.
Para isso,
participamos
anualmente do
Encontro de
Evangelizadores
de Espíritos,
em Sacramento, e
desenvolvemos um
itinerário de
estudo
permanente na
Casa com
temáticas
ligadas a esse
método, que
estão
necessariamente
iluminadas pela
Doutrina
Espírita. De
forma clara,
procuramos, pela
aplicação do
Projeto
Pedagógico da
Evangelização de
Espíritos, não
incorrer no
comportamento
equivocado de
“ensinar sem
aprender”.
O Consolador:
Quem é o
público-alvo da
Evangelização de
Espíritos?
|
|
Júpiter:
A Evangelização
de Espíritos, na
Casa do Caminho (foto),
é oferecida,
atualmente, a
todos os seus
freqüentadores.
Já em relação ao
nosso Centro de
Educação
Infantil, o
Projeto alcança
180 crianças,
seja no
berçário, creche
e o chamado
apoio
(estudantes que
passam o período
vespertino na
Casa do Caminho
para fazer
tarefas e
participar de atividades como música, teatro, |
 |
desenho e
outras formas extracurriculares de aprendizado e que se pautam pela Evangelização de Espíritos). Ainda, o acesso à Evangelização de Espíritos está disponível para todas as pessoas (e idades). Para isso, basta ir à Casa do Caminho, aos sábados, a partir das 8h30min.
(2) |
O Consolador:
Suas palavras
finais.
Júpiter:
Acredito, por
experiência
particular, que
a Evangelização
de Espíritos
orienta uma
educação
saneadora
direcionada para
as necessidades
reais do
Espírito,
esclarecendo as
causas do
sofrimento, mas
com objetivo de
auxiliá-lo a
desenvolver as
metas
programadas em
sua
reencarnação,
guiando-o na
adaptação do seu
ambiente
reencarnatório
para reeducação
das injunções
programadas, no
propósito de
construir novo
entendimento de
si e do outro,
com base no amor
e na caridade.
Nas minhas
palestras pelos
Centros
Espíritas do
Paraná, São
Paulo, MT,
percebo que a
maioria dos
departamentos
nas Casas
Espíritas
funciona bem,
com exceção do
departamento da
evangelização,
erroneamente nominado e
destinado à
evangelização
infantil
(catequese), o
que considero um
equívoco. Noto
que após as
palestras, as
pessoas ligadas
a esse
departamento me
procuram
interessadas no
método de
Evangelização de
Espíritos. No
entanto, por não
disporem de
autonomia, a
adoção da
proposta é
impedida, o que
acho uma pena,
pois é uma
ferramenta
formidável e
que, por estar
iluminada pelo
conhecimento
espírita, pode
certamente
ajudar o
Espírito-espírita
a conhecer-se
para impulsionar
o bem dentro de
si mesmo,
segundo o
processo
reeducador do
amor e da
caridade.
Notas:
(1)
Evangelização de
Espíritos
− Projeto
Pedagógico
desenvolvido
pelo Grupo
Esperança e
Caridade, com
sede no Colégio
Allan Kardec,
fundado por
Eurípedes
Barsanulfo,
junto à Fundação
Lar de Eurípedes
(Sacramento –
MG). Os
conceitos
apresentados nas
respostas pelo
médico Júpiter
Villoz Silveira
se prendem ao
Projeto de
Evangelização de
Espíritos
traçados pelo
Grupo Esperança
e Caridade
(Equipe de
Eurípedes
Barsanulfo), em
Sacramento –
MG.
(2)
Para saber mais
sobre o
Projeto de
Evangelização de
Espíritos
acesse o site
www.cak.com.br
ou consulte as
obras seguintes:
Pelos
Caminhos do
Entendimento do
Espírito;
Eurípedes o
Espírito e o
Compromisso;
Acordes de Jesus
para uma Nova
Educação,
obras recebidas
por psicografia
de Alzira Bessa
França Amui e
por psicofonia
de Luciano
Sivieri Varanda
e publicadas
pela Editora
Grupo Espírita
Esperança e
Caridade
(Sacramento –
MG).
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