Enfermidades e dores – a
melhor enfermeira.
José Cândido, pai do Chico,
não entendia, por exemplo,
por que o tal Dr. Bezerra de
Menezes não curava de uma
vez a catarata no olho
esquerdo do filho. As dores
aumentavam, Chico sofria,
corria o risco de ficar
cego. Onde estavam os
milagres? Por que os
espíritos viravam as costas
para quem os ajudava todos
os dias? Era ingratidão
demais.
Numa noite, se contorcendo
de dor, o próprio Chico
tomou coragem e pediu
socorro a Emmanuel. Não
aguentava mais aquela agonia
na vista. Se fosse saudável,
poderia aumentar a produção
de livros. Ouviu mais uma
resposta dura:
- Sua condição não exonera
você da necessidade de lutar
e sofrer em seu próprio
benefício, como acontece às
outras criaturas. Se nem
Cristo teve privilégios, por
que você os teria?
Chico devia carregar suas
cruzes sem resmungos, como
um dublê de Jesus. Seu olho
às vezes sangrava. Durante
uma das crises, ele ficou
dois dias em casa deitado no
fim de semana. Teve o
repouso interrompido pela
aparição de Emmanuel:
- Por que você está aí
parado?
- O senhor não vê que meu
olho está doente?
- E o que o outro está
fazendo? Ter dois olhos é um
luxo.
Em pouco tempo, Chico
definiria a "enfermidade"
como a "melhor enfermeira",
agradeceria a Deus por suas
dores e abençoaria o
sofrimento como forma de
evolução, uma maneira de
resgatar dívidas de
encarnações anteriores e de
compensar escorregões da
temporada atual.
Do livro
As Vidas de Chico Xavier,
de Marcel Souto Maior.
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