Sexo e Obsessão
Manoel
Philomeno de Miranda
(Parte 8)
Damos sequência ao
estudo metódico e sequencial do livro Sexo
e Obsessão,obra de autoria de Manoel
Philomeno de Miranda, psicografada por
Divaldo P. Franco e
publicada originalmente em 2002.
Questões preliminares
A. Um dos objetivos do obsessor do padre
Mauro era levá-lo ao suicídio?
Sim. Induzindo-o a fugir da realidade, seu
objetivo era subjugá-lo por tempo
indeterminado na sua região espiritual de
obscenidades inimagináveis. O suicídio
favoreceria esse propósito. O mentor
Anacleto procurou, então, de imediato
interferir, para que essa trama não lograsse
êxito. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
B. Anacleto conseguiu interceder a favor do
sacerdote?
Sim. Ele acercou-se do infeliz e começou a
aplicar-lhe a bioenergia no chacra
coronário, desligando o obsessor, que se
afastou ruidosamente, blasfemando e
ameaçando com impropérios nova urdidura de
vingança, ao tempo em que diminuía a
capacidade de raciocínio e alucinação do
atormentado jovem. Anacleto prosseguiu,
então, na ação fluídica, distendendo-lhe
energias relaxantes, que lhe diminuíssem a
rigidez nervosa, a fim de o adormecer,
retirando-o momentaneamente do casulo
físico, de modo a prepará-lo para o
enfrentamento das consequências que a sua
sandice havia provocado. Não demorou muito e
Mauro desprendeu-se parcialmente do corpo,
sendo carinhosamente recebido pela genitora
e pelo grupo socorrista. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
C. Onde se radicava a causa dos transtornos
obsessivos que levavam padre Mauro aos atos
indignos que tanto o infelicitavam?
O próprio Mauro, em estado de extrema
aflição, fez tal pergunta. Anacleto, então,
lhe falou carinhosamente: “Somos viajantes e
sobreviventes de muitas marchas e procelas,
nas quais assumimos comportamentos
indesejáveis e crucificadores, que se
repetem até que os superemos pelo amor que
vem de Deus e teimamos em não levar em
consideração. Esse estigma te segue, desde
há muito, quando te entregaste a desmandos e
desvarios sexuais, em ocasião que
desfrutavas do poder transitório no mundo
terrestre”. Na sequência, informou que iria
fazê-lo recordar algumas das cenas mais
fortes que ficaram gravadas em seu mundo
íntimo e das quais procediam os males atuais
que tanto o aturdiam. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
Texto para leitura
36. Suicídio
de Mauro: um perigo iminente –
Tartamudeando, Mauro procurou justificar-se,
elucidando que não havia nada além de um
mal-entendido, já que ele e a criança eram
muito afins, e não via motivo algum que, em
verdade, justificasse a encenação do
escândalo. A senhora, visivelmente
perturbada, segurou a criança no braço com
energia, e, embora pálida, manteve a atitude
de advertência, solicitando-lhe o
afastamento imediato daquele lugar. A
providência radical operada pelo Mentor fora
a única maneira de deter a onda de
crueldades que o sacerdote vinha praticando.
Atônito e envergonhado, Mauro afastou-se,
quase cambaleante, sem forças para
prosseguir na própria defesa, face às
evidências da sua conduta reprochável e
cruel. Logo se afastou do Educandário, saiu,
quase a correr, como se desejasse fugir de
si mesmo. Convidado pelo Mentor, Manoel
Philomeno o acompanhou, a fim de que fosse
evitado outro tipo de crime, que seria o
suicídio, já que o indigitado obsessor o
induzia à fuga da realidade, cuja trama o
subjugaria por tempo indeterminado na sua
região espiritual de obscenidades
inimagináveis. Enquanto isso, Anacleto
solicitou, mentalmente, a cooperação de
outro amigo espiritual, e logo se apresentou
o irmão Dilermando, que foi encaminhado para
inspirar a diretora, antes que a mesma
assumisse uma conduta não conveniente para o
momento, envolvendo a criança, seus pais e a
Escola em um escândalo perfeitamente
dispensável. O assunto teria que ser tratado
com cuidados especiais e com pessoas capazes
de solucioná-lo, sem trazer sequelas morais
para a criança e sua família, bem como para
outros alunos não envolvidos no drama
infeliz. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
37. O
obsessor é afastado por Anacleto –
Chegando à Casa paroquial, Mauro atirou-se
sobre a cama e começou a soluçar, quase
convulsionando, enquanto era inspirado ao
autocídio pelo seu inimigo soez. Tremia como
varas verdes e batia a cabeça na parede como
se desejasse arrebentá-la, a fim de ver-se
livre da pressão cruel de que se sentia
objeto. Quase ardia em febre emocional que
irrompera após o choque traumático. A
genitora desencarnada pôs-se a suplicar a
misericórdia do Pai Todo Amor para o Seu
filho doente, reconhecendo a gravidade do
delito, porém aguardando, senão o perdão,
pelo menos uma nova oportunidade para a
reparação dos dislates que vinham sendo
praticados. O irmão Anacleto acercou-se do
infeliz e começou a aplicar-lhe a bioenergia
no chacra coronário, desligando o obsessor,
que se afastou ruidosamente, blasfemando e
ameaçando com impropérios nova urdidura de
vingança, ao tempo em que diminuía a
capacidade de raciocínio e alucinação do
atormentado jovem. Prosseguiu na ação
fluídica, agora distendendo-lhe energias
relaxantes, que lhe diminuíssem a rigidez
nervosa, a fim de o adormecer, retirando-o
momentaneamente do casulo físico, de modo a
prepará-lo para o enfrentamento das
consequências que a sua sandice havia
provocado. Não demorou muito e Mauro
desprendeu-se parcialmente do corpo, sendo
carinhosamente recebido pela genitora e pelo
grupo socorrista. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
38. A
mãe fala ao filho angustiado –
Estavam estampados no rosto do padre Mauro o
horror e a vergonha, o desespero e o medo,
não entendendo o que acontecia naquele
momento. Reconhecendo a mãezinha
enternecida, atirou-se-lhe aos braços, qual
criança assustada que busca apoio, e
entregou-se às lágrimas de dor e angústia
que lhe explodiam do peito. A nobre senhora
procurou acalmá-lo com palavras de ternura
impregnadas de dúlcido amor, enquanto o
infeliz se maldizia, acusando o genitor que
o desgraçara emocionalmente. “Não acuses o
teu pai – propôs a Entidade gentil –
procurando justificar um erro através de
outro. Sem dúvida, a conduta do teu
desditado genitor é perversa e infame, no
entanto isso não se faz argumento para que
te atires pela mesma rampa da alucinação,
destruindo a esperança e a pureza de outras
vidas que chegam ao teu regaço, buscando
orientação e apoio. A fé religiosa que
elegeste é filha do Calvário, havendo
nascido dos lábios e da conduta de Jesus,
quando preconizou o amor e a caridade, as
bem-aventuranças e a misericórdia, nunca um
valhacouto para que nele se homiziassem
destruidores de existências infantis, que
necessitam de exemplos de dignidade e
honradez, para prosseguirem pela senda
evolutiva.” (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
39. Os
conselhos da mãe –
Parecendo coordenar as ideias, igualmente
aflita como se encontrava, a mãe de Mauro
prosseguiu, severa, embora sem censura:
“Como pudeste, filho amado, utilizar das
tuas forças mentais e físicas para perturbar
e desorganizar projetos espirituais
materializados em vidas, que são
encaminhados para os teus sentimentos? Onde
colocaste o raciocínio e os valores morais,
para perderes completamente a dignidade e
desceres ao abismo das aberrações,
utilizando-te dessas flores ainda não
desabrochadas, que são as crianças? Como
podes alucinar-te ante elas e feri-las
mortalmente, a fim de dares vazão aos teus
vícios e perplexidades? Onde tens colocado
Deus e Seu filho Jesus? Como conseguiste
expulsá-los da mente e do sentimento?” Ele
respondeu-lhe, gritando: “Sou um monstro,
mamãe, que não merece sequer misericórdia,
quanto mais o perdão. Não nego que conheço a
gravidade do meu delito e que me debato na
prece, procurando amenizar a volúpia insana
que me toma com frequência. Mas não consigo
libertar-me da sede maldita. Sinto-me
arrastar cada dia para a parte mais profunda
do abismo, sem esperança de retorno,
asfixiando-me com sofreguidão no pântano a
que me arrojo. Apieda-te de mim, tu que
convives com os anjos dos Céus!” A mãe
falou-lhe: “Sem dúvida, tenho-te buscado
amparar, mas vives surdo aos meus apelos. Os
anjos do Senhor têm-te procurado proteger e
resguardar-te da doença sórdida que te
devora de dentro para fora, mas os impulsos
inferiores que vitalizas com a mente em
desalinho não te permitem escutá-los, e
foges para o deboche, para as cenas de
perversão que registras em películas para
futuros gozos... As tuas horas, que deveriam
ser de estudo, meditação, prece e caridade,
como recomenda o Evangelho libertador,
aplica-as em viagens, mantendo contato com
outros atormentados como tu mesmo,
intercambiando fotografias obscenas e
películas devassas, nas quais as personagens
são essas vidas em formação, que com eles
arrebentais, nos tristes espetáculos de
aberração e selvageria. Hoje, meu filho, soa
o teu momento de retificação, de
despertamento. A dor, que te dilacerará a
alma, a partir deste momento, será também o
teu salvo-conduto para novas experiências de
reparação. Não temas o aguilhão, nem fujas
do necessário resgate, seja qual for o preço
que se te imponha. Agora ouve o que te
orientará o Benfeitor Anacleto, que veio,
atendendo aos meus e aos teus rogos, para
auxiliar-te”. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
40. Mauro
se espanta ao ver o Mentor –
Mauro relanceou o olhar e deparou-se com
Anacleto e Miranda, tomado de grande
espanto. Recompôs-se, sentando-se no leito,
e sem ocultar a vergonha que o dominava,
continuou chorando em silêncio. Anacleto,
portador de grande sabedoria e com admirável
tato psicológico, saudou-o em nome de Jesus,
conforme faziam os cristãos primitivos, e
elucidou: “Todos procedemos do mundo de
sombras dos instintos, adquirindo lentamente
a razão, a fim de alcançarmos a angelitude
distante, que nos aguarda. Essa jornada
imensa e grandiosa é assinalada por
dificuldades e desafios crescentes. Não é,
pois, de estranhar que muitos de nós nos
demoremos na retaguarda, vinculados aos
prazeres apaixonantes e escravizadores com
os quais nos comprazemos. Etapa a etapa,
experiência a experiência, adquirimos
entendimento e compreensão dos deveres que,
só vagarosamente, nos libertarão dos vícios
longamente preservados. Somos efeito dos
próprios atos, trabalhando para alcançar
patamares mais elevados de virtudes e de
santificação. Desse modo, encontras-te
recolhendo a urze deixada pela estrada, que
deves retirar, percorrendo-a novamente,
agora a duras penas. O crime praticado
vincula o seu responsável ao cenário onde
aconteceu, e somente retornando ali é que o
mesmo terá recursos para superar as
consequências inditosas dele resultantes”. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.)
41. Causas
dos transtornos obsessivos –
Mauro estava surpreso. Ignorava
completamente o que estava acontecendo. Em
determinado momento, tomado de mais espanto,
indagou, quase a medo: “Quem sois? Algum
anjo julgador dos meus erros ou Emissário
divino para punir-me?” Anacleto respondeu:
“Nem uma, nem outra coisa. Sou teu irmão,
que vem em teu auxílio, atendendo as
rogativas que dirigiste ao Senhor da Vida,
qual vem fazendo tua genitora sofrida e
ansiosa. Aqui estou, a fim de despertar-te
para o dever que ficou esquecido, e para o
ressarcimento dos gravames que têm sido
praticados, nas orgias da loucura e da
perversão. Não te censuramos, menos te
julgamos, porque também já transitamos pela
Terra, conhecendo as armadilhas que nos
retêm o passo e as dificuldades que se
multiplicam, a cada instante, ameaçadoras.
Não te espantes, portanto. Somos teu
companheiro de jornada, mais vivido, é
certo, porém, mais sofrido, mais confiante
em Deus”. Mauro perguntou-lhe: “Por que,
então, a sina que me desgraça, este destino
cruel que me consome, essa perturbação que
me cilicia, se fui vítima de meu pai e sei
quanto é cruel para uma criança a marca que
lhe fica após o atentado ao seu pudor?”
Anacleto, então, lhe falou carinhosamente:
“Somos viajantes e sobreviventes de muitas
marchas e procelas, nas quais assumimos
comportamentos indesejáveis e crucificadores,
que se repetem até que os superemos pelo
amor que vem de Deus e teimamos em não levar
em consideração. Esse estigma te segue,
desde há muito, quando te entregaste a
desmandos e desvarios sexuais, em ocasião
que desfrutavas do poder transitório no
mundo terrestre. Iremos fazer-te recordar
algumas das cenas mais fortes que ficaram
gravadas em teu mundo íntimo, e de onde
procedem os males atuais que te aturdem.
Repousa”. (Sexo
e Obsessão, capítulo 5: Conflito obsessivo.) (Continua
no próximo número.)