Um leitor pergunta-nos se
o fluido vital tem, em suas
propriedades, algo de comum
com o fluido perispirítico a
que Allan Kardec se refere
no cap. XI de seu livro A
Gênese.
A resposta, ressalvado o
fato de serem ambos
modificações ou subprodutos
do fluido cósmico universal,
é que têm eles funções bem
diferentes e claramente
especificadas na obra de
Allan Kardec.
Ensina-nos João Teixeira
de Paula em seu
Dicionário de
Parapsicologia, Metapsíquica
e Espiritismo, vol. 1:
Fluido vital: princípio orgânico, que
produz os fenômenos da vida
material. É o mesmo que
fluido elétrico animalizado,
fluido magnético, fluido
nervoso, força nêurica
radiante, força fluídica
vital, força vital,
princípio vital.
Fluido perispirítico: é o mesmo que
fluido perispiritual ou
perispirital – fluido
componente do perispírito.
O primeiro – fluido vital
– diz respeito aos seres
vivos; o segundo diz
respeito ao corpo
espiritual, a que Kardec
chama também de perispírito.
A notícia a respeito do
fluido universal – designado
às vezes como fluido cósmico
universal – apareceu
primeiramente na resposta
dada pelos Espíritos à
questão 27 d´O Livro dos
Espíritos:
27. Há então dois
elementos gerais do
Universo: a matéria e o
Espírito?
“Sim e acima de tudo Deus, o
criador, o pai de todas as
coisas. Deus, espírito e
matéria constituem o
princípio de tudo o que
existe, a trindade
universal. Mas, ao elemento
material se tem que juntar o
fluido universal, que
desempenha o papel de
intermediário entre o
Espírito e a matéria
propriamente dita, por
demais grosseira para que o
Espírito possa exercer ação
sobre ela. Embora, de certo
ponto de vista, seja lícito
classificá-lo com o elemento
material, ele se distingue
deste por propriedades
especiais. Se o fluido
universal fosse
positivamente matéria, razão
não haveria para que também
o Espírito não o fosse. Está
colocado entre o Espírito e
a matéria; é fluido, como a
matéria é matéria, e
suscetível, pelas suas
inumeráveis combinações com
esta e sob a ação do
Espírito, de produzir a
infinita variedade das
coisas de que apenas
conheceis uma parte mínima.
Esse fluido universal, ou
primitivo, ou elementar,
sendo o agente de que o
Espírito se utiliza, é o
princípio sem o qual a
matéria estaria em perpétuo
estado de divisão e nunca
adquiriria as qualidades que
a gravidade lhe dá.”
a) Esse fluido será o que
designamos pelo nome de
eletricidade?
“Dissemos que ele é
suscetível de inúmeras
combinações. O que chamais
fluido elétrico, fluido
magnético, são modificações
do fluido universal, que não
é, propriamente falando,
senão matéria mais perfeita,
mais sutil e que se pode
considerar independente.”
O perispírito é, como
todos sabemos, um dos
subprodutos do fluido
universal:
94. De onde tira o
Espírito o seu invólucro
semimaterial?
“Do fluido universal de cada
globo, razão por que não é
idêntico em todos os mundos.
Passando de um mundo a
outro, o Espírito muda de
envoltório, como mudais de
roupa.” (O Livro dos
Espíritos, questão 94.)
O princípio vital ou
fluido vital, como vimos,
tem por função produzir os
fenômenos da vida material.
É, pois, indispensável à
vida do nosso corpo físico,
embora nenhuma função tenha
com relação à alma, que é
dele independente:
136. A alma independe do
princípio vital?
“O corpo não é mais do que
envoltório, repetimo-lo
constantemente.”
a) Pode o corpo existir
sem a alma?
“Pode; entretanto, desde que
cessa a vida do corpo, a
alma o abandona. Antes do
nascimento, ainda não há
união definitiva entre a
alma e o corpo; enquanto
que, depois de essa união se
haver estabelecido, a morte
do corpo rompe os laços que
o prendem à alma e esta o
abandona. A vida orgânica
pode animar um corpo sem
alma, mas a alma não pode
habitar um corpo privado de
vida orgânica.” (O Livro
dos Espíritos, questões
136 e 136, a.)
O fluido perispirítico, à
diferença do fluido vital,
embora seja um subproduto do
fluido universal, dá origem
a fenômenos diferentes, como
Kardec observou no livro
A Gênese:
“Ora, desde que a matéria
tem uma vitalidade
independente do Espírito e
que o Espírito tem uma
vitalidade independente da
matéria, evidente se
torna que essa dupla
vitalidade repousa em dois
princípios diferentes.” (A
Gênese, cap. XI, item
5.)
(Negritamos.)
Para melhor compreensão
da diversidade de aplicações
ou funções, eis o que lemos
nos textos abaixo,
constantes d´O Livro dos
Médiuns, quando Kardec
examina como se dão os
fenômenos espíritas de
efeitos físicos:
XIV. Que papel desempenha
o médium nesse fenômeno?
"Já eu disse que o fluido
próprio do médium se combina
com o fluido universal que o
Espírito acumula. É
necessária a união desses
dois fluidos, isto é, do
fluido animalizado e do
fluido universal para dar
vida à mesa. Mas, nota bem
que essa vida é apenas
momentânea, que se extingue
com a ação e, às vezes,
antes que esta termine, logo
que a quantidade de fluido
deixa de ser bastante para a
animar."
XV. Pode o Espírito atuar
sem o concurso de um médium?
"Pode atuar à revelia do
médium. Quer isto dizer que
muitas pessoas, sem que o
suspeitem, servem de
auxiliares aos Espíritos.
Delas haurem os Espíritos,
como de uma fonte, o fluido
animalizado de que
necessitem. Assim é que o
concurso de um médium, tal
como o entendeis, nem sempre
é preciso, o que se verifica
principalmente nos fenômenos
espontâneos." (O Livro
dos Médiuns, cap. IV.)
Está dito com toda a
clareza que o fluido próprio
do médium – o fluido vital –
se combina com o fluido
perispirítico, para que o
fenômeno se realize,
explicação essa que é
repetida na mesma obra no
seguinte texto relativo aos
fenômenos de transporte:
"Em geral, os fatos de
transporte são e continuarão
a ser extremamente raros.
Não preciso demonstrar
porque são e serão menos
frequentes do que os outros
fenômenos de tangibilidade;
do que digo, vós mesmos
podeis deduzi-lo. Demais,
estes fenômenos são de tal
natureza, que nem todos os
médiuns servem para
produzi-los. Com efeito, é
necessário que entre o
Espírito e o médium
influenciado exista certa
afinidade, certa analogia;
em suma: certa semelhança
capaz de permitir que a
parte expansível do fluido
perispirítico do encarnado
se misture, se una, se
combine com o do Espírito
que queira fazer um
transporte. Deve ser tal
esta fusão, que a força
resultante dela se torne,
por assim dizer, uma: do
mesmo modo que, atuando
sobre o carvão, uma corrente
elétrica produz um só foco,
uma só claridade. Por que
essa união, essa fusão,
perguntareis? É que, para
que estes fenômenos se
produzam, necessário se faz
que as propriedades
essenciais do Espírito motor
se aumentem com algumas das
do médium; é que o fluido
vital, indispensável à
produção de todos os
fenômenos mediúnicos, é
apanágio exclusivo do
encarnado e que, por
conseguinte, o Espírito
operador fica obrigado a se
impregnar dele. Só então
pode, mediante certas
propriedades, que
desconheceis, do vosso meio
ambiente, isolar, tornar
invisíveis e fazer que se
movam alguns objetos
materiais e mesmo os
encarnados.” (O Livro dos
Médiuns, cap. V, item
98.)
(Negritamos.)
A independência entre o
princípio ou fluido vital e
o perispírito é, ademais,
confirmada com a informação
seguinte dada pelos
Espíritos em resposta à
questão 70 d´O Livro dos
Espíritos:
70. Que é feito da
matéria e do princípio vital
dos seres orgânicos, quando
estes morrem?
“A matéria inerte se
decompõe e vai formar novos
organismos. O princípio
vital volta à massa
donde saiu.”
(Negritamos.)
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