RICARDO ORESTES FORNI
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Tupã, SP (Brasil)
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Meu amigo de fé,
meu
irmão camarada!
Tive a honra e a
felicidade de ser amigo
de um grande trabalhador
da seara espírita que
morou na cidade de
Mirassol-SP.
Oswaldo Cordeiro
renunciou ao casamento
até a idade mais madura
para poder trabalhar
intensamente na
Doutrina. Apesar da
distância, ia muito a
Uberaba visitar o Chico.
Durante o tempo que
trabalhou como
representante comercial
de laboratórios na
indústria farmacêutica,
providenciava a maioria
dos remédios que Chico
tomava. Essa proximidade
com o mineiro
inesquecível
permitiu-lhe participar
das lições das
madrugadas aprendendo
direto na fonte.
Vez que outra contava-me
algumas lições do Chico
e eu ficava deslumbrado.
“Como era bom ser amigo
dele, Chico!” – pensava
eu com meus botões.
E se era tão bom assim,
imaginem ser amigo de
Jesus então! Valha-me a
imaginação para tanto!
Será que para ser amigo
íntimo de Jesus é
suficiente comparecer ao
Centro Espírita em
alguns dias da semana?
Participar de alguma
atividade desse Centro?
Receber a água
energizada
(fluidificada) após o
passe espírita? Ou
comparecer ao Centro
escolhido no dia em que
vier um orador de fora
que deixa o conforto do
lar e o convívio com os
familiares para nos
trazer algum aspecto da
Doutrina Espírita? Sem
considerarmos,
evidentemente, o risco
nas rodovias e as
despesas pessoais dessa
pessoa de boa vontade.
E para o católico,
continuei dando asas à
minha imaginação, o que
será necessário fazer
para ser amigo de Jesus?
Apenas comparecer num
determinado dia da
semana na Igreja,
confessar e comungar
segundo as normas dessa
religião?
Depois voltei-me para a
religião Evangélica.
Como fazer nela para ser
amigo íntimo de Jesus?
Será o suficiente
conhecermos com exatidão
a Bíblia e ouvir os
sermões que nesses
Templos o pastor prega
com carinho e dedicação?
Meu Deus! Se era tão bom
ver o Oswaldo amigo de
Chico, imagine ser amigo
Dele, do próprio
Mestre?!
Folheando o livro
Palavras De Vida Eterna,
ditado por Emmanuel
através da mediunidade
abençoada de Chico
Xavier, na página
Diante Do Mestre,
capítulo 135, encontrei
o seguinte: “Aspirando
ao título de amigos do
Senhor, urge não lhe
perdermos as instruções.
Em verdade, podemos
reverenciar o Cristo,
aqui e ali, dessa ou
daquela forma,
resultando,
invariavelmente, alguma
vantagem de semelhante
norma externa”.
(Grifo
meu)
Percebi por esse
detalhe (norma
externa) que as coisas
iriam complicar. Mas já
que estava na chuva,
resolvi me molhar para
valer e continuei o
restante do parágrafo de
Emmanuel: “... mas, para
sabermos como
usufruir-lhe a sublime
intimidade, é forçoso
lhe ouçamos a afirmação
categórica: “Vós sereis
meus amigos se fizerdes
o que vos mando” – João,
15:14.
Tive que concluir, a bem
da verdade, que, por
enquanto, não sou digno
dessa intimidade! Aliás,
estou muito longe dela.
E enquanto escrevia
essas linhas, dei outra
trombada no ensinamento
de Emmanuel: “Escrevemos
páginas que lhe
expressam as diretrizes;
e não nos cabe agir de
outro modo para que se
nos amplie, na Terra, a
cultura de espírito”.
E agora, pensei, será
que dá para encerrar
esse artigo sem me
afligir ainda mais
depois dessa direta?!
Meu Pai! O Senhor nos
mandou um Filho muito
perfeito para as nossas
imperfeições! Como vou
conseguir, por enquanto,
ser amigo Dele?!
Mas Emmanuel deixou-me
uma esperança quando ele
afirmou que Jesus
demonstrou sua união com
o Eterno Bem
consagrando-se a
substancializá-lo na
construção do bem de
todos.
Creio estar aí o consolo
e a diretriz de que
preciso para um dia ser
também um amigo Dele.
Uma determinada ocasião,
um confrade se aproximou
do Chico e disse-lhe que
não iria mais falar
sobre a Doutrina
Espírita em público
porque não tinha as
virtudes que abordava em
suas palestras. Chico
respondeu-lhe que se
cada um só pudesse falar
sobre as virtudes de que
fosse possuidor, muito
pouca gente sobraria no
serviço de divulgação
doutrinária.
Fazendo um raciocínio
paralelo, creio que,
procurando cada vez mais
servir ao meu próximo ao
qual posso socorrer de
alguma maneira, um dia
poderei me aproximar de
Jesus, escutando em
minha consciência
pacificada a famosa
música Meu amigo de
fé, meu irmão camarada!...