CLÁUDIO BUENO DA SILVA
Klardec1857@yahoo.com.br
Osasco, SP
(Brasil)
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Deus, segundo Eurípedes
Barsanulfo
Conhecido médium,
educador e benfeitor
brasileiro, Eurípedes
Barsanulfo, desenvolveu
importantes atividades
em toda a região do
Triângulo Mineiro, por
volta dos anos 1900 a
1918.
Convertido ao
Espiritismo após ter
lido a obra Depois da
morte, de Léon
Denis, compreendeu de
imediato a força da
Doutrina Espírita para
transformar a sociedade,
principalmente se
aplicada à educação e à
assistência social.
Desde jovem demonstrou
seu lado altruísta,
implementando formas de
auxílio às pessoas e o
desenvolvimento da
instrução e da cultura.
A partir de 1905, sempre
trabalhando, sua missão
na Terra ampliou-se com
a eclosão de portentosa
e variada mediunidade,
da qual se utilizou para
socorrer os aflitos.
A conduta espírita
irrepreensível e as
ações de caridade pura
popularizaram o seu
nome, e o Espiritismo
ganhou notoriedade na
Sacramento católica onde
o médium nascera. Muitos
habitantes se
converteram. Isso
incomodou de vez os
representantes da
Igreja, que já vinham
acompanhando os
movimentos “hereges” de
Barsanulfo. Os ataques
partiam de todos os
lados, do púlpito à
imprensa. Eurípedes
viu-se então obrigado a
defender o Espiritismo,
que era difamado
irresponsável e
levianamente.
Em 1913 ficou célebre um
debate pelos jornais. No
Lavoura e Comércio,
de Uberaba, Minas
Gerais, o católico João
Teixeira Álvares atacava
o que chamava de “a
doutrina do ateísmo”; e
pelo jornal Alavanca,
da cidade mineira de
Santa Maria, Eurípedes
esclarecia e iluminava.
Um artigo seu,
intitulado Deus não é
Jesus e Jesus não é Deus,
deu início a uma série
de publicações onde
Eurípedes rebatia as
distorções do opositor e
expunha a clareza e a
lógica da Doutrina
Espírita. Mesmo depois
de o seu antagonista ter
desistido de debater,
completamente sem
argumentos, os textos de
Eurípedes continuaram a
sair por mais de um ano.
Foi numa dessas
publicações que o
Alavanca estampou o
belíssimo texto Deus,
de Eurípedes Barsanulfo,
que, no dizer do
escritor e biógrafo
Jorge Rizzini, é “um
poema de elevado valor
literário e cuja leitura
nos causa uma suavíssima
descarga fluídica”. ¹
Convém lembrar que
Eurípedes Barsanulfo,
tido como Espírito
evoluído, recebeu nesta
encarnação influência
direta de Santo
Agostinho, São Vicente
de Paulo e Bezerra de
Menezes. Sendo assim,
não nos custa
transcrever sua mensagem
que pode muito reforçar
nossa crença, fé e
confiança em Deus:
“O Universo é obra
inteligentíssima; obra
que transcende a mais
genial inteligência
humana; e como todo
efeito inteligente tem
uma causa inteligente, é
forçoso inferir que a do
Universo é superior a
toda inteligência; é a
inteligência das
inteligências; a Causa
das causas; a Lei das
leis; o Princípio dos
princípios; a Razão das
razões; a Consciência
das consciências; é
Deus! Nome mil vezes
Santo que Newton jamais
pronunciava sem se
descobrir.
DEUS! Vós que vos
revelais pela natureza,
vossa filha e nossa mãe,
reconheço-vos eu,
Senhor! na poesia da
Criação, na criança que
sorri, no ancião que
tropeça, no mendigo que
implora, na mão que
assiste, na mãe que
vela, no pai que
instrui, no apóstolo que
evangeliza!
DEUS! Reconheço-vos eu,
Senhor! no amor da
esposa, no afeto do
filho, na estima da
irmã, na justiça do
justo, na misericórdia
do indulgente, na fé do
ímpio, na esperança dos
povos, na caridade dos
bons, na inteireza dos
íntegros!
DEUS! Reconheço-vos eu,
Senhor! no estro do vate,
na eloquência do orador,
na inspiração do
artista, na santidade do
moralista, na sabedoria
do filósofo, nos fogos
do gênio!
DEUS! Reconheço-vos eu,
Senhor! na flor dos
vergéis, na relva dos
vales, no matiz dos
campos, na brisa dos
prados, no perfume das
campinas, no murmúrio
das fontes, no rumorejo
das franças, na música
dos bosques, na placidez
dos lagos, na altivez
dos montes, na amplidão
dos oceanos, na
majestade do firmamento!
DEUS! Reconheço-vos eu,
Senhor! nos lindos
antélios, no íris
multicolor, nas auroras
polares, no argênteo da
lua, no brilho do sol,
na fulgência das
estrelas, no fulgor das
constelações!
DEUS! Reconheço-vos eu,
Senhor! na formação das
nebulosas, na origem dos
mundos, na gênese dos
sóis, no berço das
humanidades, na
maravilha, no esplendor,
no sublime do infinito!
DEUS! Reconheço-vos eu,
Senhor! com Jesus,
quando ora: “PAI NOSSO
QUE ESTAIS NOS CÉUS”...
ou com os anjos quando
cantam: “GLÓRIA A DEUS
NAS ALTURAS”...
“Aleluia!”
¹
Rizzini, Jorge.
Eurípedes Barsanulfo, o
apóstolo da caridade,
edições Correio
Fraterno, S. B. do
Campo, SP.