LEONARDO MACHADO
leo@leonardomachado.com.br e www.leonardomachado.com.br
Recife, Pernambuco (Brasil)
Convite aos
menos moços
“Ninguém te
despreze por
seres jovem.”
(1)
A visão
materialista do
existir muito
poucos subsídios
tem oferecido
para a
construção de
relacionamentos
realmente
saudáveis. Com o
cabresto da
matéria,
pensa-se ser a
infância um
período no qual
o indivíduo se
assemelha a uma
tábua rasa; a
mocidade, uma
época de gozos e
de exageros, já
que a vida é
muito curta e a
aurora destes
dias não mais
aparecerá; a
maturidade, a
única fase útil;
e a velhice, um
tempo de
decadência em
que se espera a
morte chegar.
Mas será mesmo
assim? A
história já não
nos deu diversos
exemplos na
contramão disto
tudo?
Mozart e
Sebastian Bach,
grandes gênios
musicais,
começaram a
desabrochar os
seus potenciais
ainda na
infância. O
primeiro
compunha obras
de certo peso,
como
interessantes
sinfonias, desde
criança. E o
segundo, à
noite, escondido
do irmão mais
velho, à luz de
velas,
transcrevia
partituras que
estavam muito
além do seu
entendimento
infantil para,
mais tarde,
poder tocá-las e
desenvolver
novas técnicas
nos instrumentos
de teclas.
Ainda pequeno,
igualmente,
Jesus
surpreendia os
sacerdotes da
sinagoga de
Cafarnaum,
cidade da antiga
região da
Galiléia em
Israel, com
ensinamentos
acerca da casa
de seu Pai,
Deus.
Além disso, na
juventude,
Estevão se
tornou grande
baluarte das
Igrejas do
Caminho que se
formavam logo
depois da
desencarnação do
Cristo; Saulo de
Tarso se
transformou em
grande
trabalhador dos
templos judeus
e, mais tarde,
do ideal
cristão;
Beethoven
começava a
mostrar toda a
sua genialidade
musical; Ivonne
do Amaral
Pereira,
Francisco
Cândido Xavier e
Divaldo Pereira
Franco,
abnegáveis
médiuns,
iniciaram seus
respectivos
trabalhos de
propagação do
bem.
E, se
verificarmos a
senescência,
observaremos o
mesmo Beethoven,
já surdo, compor
a mais bela
sinfonia do
mundo e, da
mesma forma,
Richard Wagner
escrever várias
óperas de
peregrina
beleza. Não
trabalharam bem,
também, até o
final de seus
dias, a Sra.
Ivonne e Chico
Xavier? Divaldo
Franco, com
oitenta anos,
completando
sessenta anos de
oratória, não
consegue falar
horas a fio, dia
após dia, em
países e mais
países?
Necessário,
portanto, é
repensar
conceitos e
modificar velhas
visões,
desligando-se,
de uma vez por
todas, da
influência do
materialismo
para poder
alargar
horizontes.
Acerca da fase
juvenil, por
exemplo, Léon
Denis, com a
peculiar poesia
de seus
escritos, diria:
“o que
caracteriza a
mocidade é a
opulência, a
plenitude da
vida, a
superabundância
das coisas, o
impulso para o
futuro”.
(2)
Para alguns,
esta grande
abundância da
qual se reporta
o pensador
francês é apenas
sinônimo de
negatividade,
devido aos
grandes exemplos
menos salutares
que muitos
jovens da
atualidade, e
certamente de
sempre, devido
ao caos moral da
humanidade,
conseguem dar.
Contudo, este
mesmo caos tem
mostrado
comportamentos
estranhos não
somente de
algumas faixas
etárias, ou de
“x”
parcela da
sociedade, mas,
infelizmente, de
vários setores
da pirâmide
social.
Neste sentido,
portanto, esta
“suberabundância
das coisas”, da
mesma forma,
pode significar
força e
entusiasmo moral
a serviço do
bem, da
coletividade e
de si próprio.
Tudo depende de
como se vive a
vida, de como se
é interiormente,
de que valores
morais se
carrega em seus
ideais, e não
meramente de uma
questão etária
ou exterior.
Sobre isto,
Allan Kardec, o
grande pedagogo,
escrevendo
acerca do que
era necessário
para o real
entendimento da
Doutrina
Espírita, disse
que “há homens
de notória
capacidade que
não a
compreendem, ao
passo que
inteligências
vulgares, moços
mesmo, apenas
saídos da
adolescência,
lhes apreendem,
com admirável
precisão, os
mais delicados
matizes”. Isto
porque,
prossegue o
codificador, a
parte científica
do Espiritismo
requer, somente,
olhos para
observar,
enquanto que a
sua parte
essencial,
filosófico-ético-moral,
exige o que ele
chama de
maturidade do
senso moral,
“que independe
da idade e do
grau de
instrução,
porque é
peculiar ao
desenvolvimento,
em sentido
especial, do
Espírito
encarnado”.
É, pois,
oportuna a
recomendação de
Paulo a Timóteo,
uma vez que não
deve ser a soma
de anos, ou
qualquer coisa
de ordem
exterior, o
motivo de
aceitação ou de
negação por
parte do mundo.
Mas, sobretudo,
o grau de
maturidade, de
sensibilidade,
de capacidade e
de
responsabilidade
que cada ser
apresente para o
trabalho. E, no
aspecto de
serviço ao bem,
isto é mais
verdadeiro
ainda.
O Espiritismo
explica, neste
ponto, que todos
sendo Espíritos
antigos e
milenares,
independente da
fase biológica
em que se
encontram,
possuem um
desenvolvimento
que pode ir além
do habitual para
a maioria de sua
faixa etária.
Logicamente, o
desenvolvimento
do corpo, o
esquecimento do
passado e o
aprendizado que
se faz nesta
vida vão entrar
como fatores de
amadurecimento
global, mas há
que se levar em
conta, também, o
Espírito imortal
e a evolução
efetuada no
passado e não
somente o que se
vê com a
aparência do
hoje. (4)
Foi por isso, e
tendo esta
visão, que o
décimo terceiro
apóstolo
convidou o jovem
João Marcos, um
dos
evangelistas,
juntamente com
Barnabé, para a
sua primeira
viagem
missionária no
ano 45, e,
igualmente,
Pedro o instruiu
sobre os ensinos
de Jesus. De
igual modo, o
tarefeiro da
cidade de Tarso
tinha outro
jovem, Timóteo,
na conta de
querido filho e,
mais que isso,
de querido
companheiro de
divulgação da
mensagem do
Cristo,
citando-o e o
recomendando em
diversas de suas
famosas
epístolas.
Outrossim, era
por isso que
João, também um
dos
evangelistas,
tinha, mesmo que
na juventude,
papel de
destaque entre
os discípulos de
Jesus, sendo por
este recomendado
a Maria de
Nazaré como
verdadeiro
filho.
Por isso, caro
(a) amigo (a)
“menos moço
(a)”, acreditar
na juventude,
dando-lhe
oportunidades de
trabalho,
conforme for o
seu grau de
maturidade, é
fazer dela não
apenas o futuro,
mas também é
transformá-la em
presente.
Referências:
(1)
1a
Epístola de
Paulo a Timóteo,
4:12.
(2)
Denis, Léon.
O grande enigma.
10 ed., Rio
de Janeiro :
FEB, parte III,
capítulo XV, p.
200.
(3)
Kardec, Allan.
O Evangelho
segundo o
Espiritismo.
124 ed., Rio de
Janeiro: FEB,
2004, capítulo
XVII, ponto 4,
p. 326.
(4)
Kardec, Allan.
O Livro dos
Espíritos.
86 ed., Rio de
Janeiro: FEB,
2005, pergunta
379.