MARCELO BORELA DE
OLIVEIRA
mbo_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná
(Brasil)
Libertação
André Luiz
(2a
Parte)
Damos continuidade ao
estudo da obra
Libertação,
de André Luiz,
psicografada pelo médium
Francisco Cândido Xavier
e
publicada em 1949 pela
Federação Espírita
Brasileira.
Questões preliminares
A. Como os instrutores
espirituais definem o
inferno?
R.: O inferno é um
problema de direção
espiritual. Satã é a
inteligência perversa; o
mal é o desperdício do
tempo ou o emprego da
energia em sentido
contrário aos propósitos
do Senhor, enquanto que
o sofrimento é reparação
ou ensinamento
renovador.
(Libertação, cap. I, pp.
20 a 22.)
B. Como funciona a
justiça divina?
R.: A justiça divina
funciona através da
injustiça aparente, até
que o amor nasça e
redima os que se
condenaram a longas e
dolorosas sentenças
diante da Lei. Homens
perversos, calculistas,
delituosos e
inconseqüentes são
vigiados por gênios da
mesma natureza, que se
afinam com as tendências
de que são portadores.
Jamais faltou proteção
do Céu contra os
tormentos que as almas
endurecidas e ingratas
semearam na Terra; no
entanto, seria ilógico e
absurdo designar um anjo
para custodiar
criminosos. (Obra
citada, cap. I, pp. 22 e
23.)
C. A obra de regeneração
da Humanidade depende
fundamentalmente de quê?
R.: Do nosso esforço
pessoal no bem, sem o
qual a obra regenerativa
será adiada
indefinidamente.
Compreendamos assim como
precioso e indispensável
o nosso concurso
fraterno, para que
irmãos nossos, hoje
impermeáveis no mal, se
convertam aos Desígnios
Divinos, aprendendo a
utilizar os poderes da
luz potencial de que são
detentores. Sem
polarizar as energias da
alma na direção divina,
todo programa de
redenção é um conjunto
de palavras que pecam
pela improbabilidade
flagrante. (Obra
citada, cap. I, pp. 24 e
25.)
Texto
para leitura
6. Um mundo
espiritual atormentado
nos cerca -
Flácus prosseguiu sua
palestra ensinando que a
matéria, congregando
milhões de vidas
embrionárias, é também
a condensação da
energia, atendendo aos
imperativos do "eu" que
lhe preside à
destinação. "Do
hidrogênio às mais
complexas unidades
atômicas, é o poder do
espírito eterno a
alavanca diretora de
prótons, nêutrons e
elétrons, na estrada
infinita da vida",
afirmou o palestrante. A
inteligência
corporificada no círculo
humano demora-se em
transitória região, que
é adaptada às suas
exigências de progresso
e aperfeiçoamento,
dentro da qual o
protoplasma (1)
lhe faculta
instrumentos de
trabalho, crescimento e
expansão. Entretanto,
nesse mesmo espaço,
alonga-se a matéria
noutros estados, e,
nesses outros estados, a
mente desencarnada, em
viagem para o
conhecimento e para a
virtude, radica-se na
esfera física, buscando
dominá-la e absorvê-la,
estabelecendo gigantesca
luta de pensamento que
ao homem comum não é
dado calcular.
Frustrados em suas
aspirações de vaidoso
domínio no domicílio
celestial, homens e
mulheres de todos os
climas e de todas as
civilizações, depois da
morte, esbarram nessa
região em que se
prolongam as atividades
terrenas e elegem o
instinto de soberania
sobre a Terra por única
felicidade digna do
impulso de conquistar.
Rebelados, tentam
desacreditar a grandeza
divina, estimulando o
poder autocrático da
inteligência insubmissa
e orgulhosa, e buscando
preservar os círculos
terrestres para a
dilatação indefinida do
ódio e da revolta, da
vaidade e da
criminalidade, como se o
mundo, em sua expressão
inferior, lhes fosse
paraíso único, ainda não
integralmente submetido
a seus caprichos, em
vista da permanente
discórdia reinante entre
eles mesmos. Na verdade,
eles não se apercebem da
situação dolorosa em
que se acham. Ora, fora
do amor verdadeiro, toda
união é temporária, e a
guerra será sempre o
estado natural daqueles
que perseveram na
indisciplina. "Um reino
espiritual, dividido e
atormentado, cerca a
experiência humana, em
todas as direções,
intentando dilatar o
domínio permanente da
tirania e da força",
concluiu o Ministro
Flácus. (Cap. I, pp. 18
e 19)
7. O inferno é um
problema de direção
espiritual -
Flácus esclareceu que,
como acontece aos corpos
gigantescos do Cosmos,
também nós outros,
espiritualmente,
caminhamos para o zênite
evolutivo,
experimentando as
radiações uns dos
outros. "Nesse processo
multiforme de
intercâmbio, atração,
imantação e repulsão,
aperfeiçoam-se mundos e
almas, na comunidade
universal", acentuou o
Ministro. Incapacitados
de prosseguir além do
túmulo, a caminho do Céu
que não souberam
conquistar, os filhos
do desespero
organizam-se em vastas
colônias de ódio e
miséria moral,
disputando entre si a
dominação da Terra e
buscando, acima de tudo,
a perversão dos
processos divinos que
orientam a evolução
planetária.
Cristalizados na
rebeldia, tentam
solapar, em vão, a
Sabedoria Eterna,
criando quistos de vida
inferior na organização
terrestre. "Os homens
terrenos que,
semilibertos do corpo,
lhes conseguiram
identificar, de algum
modo, a existência,
recuaram, tímidos e
espavoridos, espalhando
entre os contemporâneos
as noções de um inferno
punitivo e infindável,
encravado em tenebrosas
regiões além da morte",
disse Flácus. É que a
mente infantil da Terra,
através da teologia
comum, nunca pôde
apreender, mais
intensivamente, a
realidade espiritual
que nos governa os
destinos. Raras pessoas
compreendem na morte
simples modificação de
envoltório e escasso
número de indivíduos,
ainda mesmo em se
tratando dos religiosos
mais avançados, guardam
a prudência de viver, no
corpo físico, de
conformidade com os
princípios superiores
que esposam. O homem é o
condutor do próprio
homem. Entre o que se
acerca do anjo e o
selvagem existem
milhares de posições,
ocupadas pelo
raciocínio e pelo
sentimento dos mais
variados matizes. Se há
uma corrente brilhante e
maravilhosa de criaturas
que se dirigem para o
monte da sublimação,
existe outra corrente,
escura e infeliz,
interessada em descer às
trevas, lançando
perturbação, desânimo,
desordem e sombra,
consagrando a morte.
Aderimos ao movimento
que nos diz respeito. "O
inferno, por isto mesmo,
é um problema de direção
espiritual. Satã é a
inteligência perversa. O
mal é o desperdício do
tempo ou o emprego da
energia em sentido
contrário aos propósitos
do Senhor. O sofrimento
é reparação ou
ensinamento renovador",
acrescentou o Ministro.
(Cap. I, pp. 20 a 22)
8. O mau corrige
os maus - As
almas decaídas não
formam, porém, uma raça
espiritual sentenciada
irremediavelmente ao
satanismo: integram,
apenas, a coletividade
das criaturas humanas
desencarnadas, em
posição de absoluta
insensatez. Misturam-se
à multidão terrestre,
exercem atuação singular
sobre inúmeros lares e
administrações, e o
interesse fundamental
das mais poderosas
inteligências, dentre
elas, é a conservação do
mundo ofuscado e
distraído, à força da
ignorância defendida e
do egoísmo recalcado,
adiando-se o Reino de
Deus entre os homens,
indefinidamente... "De
milênios a milênios, a
região em que respiram
padece extremas
alterações, qual
acontece ao campo
provisoriamente ocupado
pelos povos conhecidos",
asseverou o Ministro. A
matéria que lhes
estrutura a residência
sofre grandes
transformações e
precioso trabalho
seletivo se opera na
transformação natural,
dentro dos moldes do
Infinito Bem. Feita uma
pausa, um dos ouvintes
indagou ao Ministro por
que o Senhor Compassivo
e Sábio não suprime tão
pavoroso quadro. Flácus,
antes de responder,
lembrou-lhe que nós
mesmos tardamos em
aderir ao Reino Divino e
portamos também um lado
sombrio na própria
individualidade. O orbe
possui seus círculos de
luz e trevas, como
acontece a nós mesmos
nos recessos do coração.
"Nós outros e a
humanidade militante na
carne não representamos
senão diminuta parcela
da família universal,
confinados à faixa
vibratória que nos é
peculiar", explicou o
Ministro. Somos apenas
alguns bilhões de seres
perante a Eternidade. "E
estejamos convencidos --
afirmou ele -- de que se
o diamante é lapidado
pelo diamante, o mau só
pode ser corrigido pelo
mau". A justiça funciona
através da injustiça
aparente, até que o amor
nasça e redima os que se
condenaram a longas e
dolorosas sentenças
diante da Boa Lei.
Homens perversos,
calculistas, delituosos
e inconseqüentes são
vigiados por gênios da
mesma natureza, que se
afinam com as tendências
de que são portadores.
De fato, jamais faltou
proteção do Céu contra
os tormentos que as
almas endurecidas e
ingratas semearam na
Terra; no entanto, seria
ilógico e absurdo
designar um anjo para
custodiar criminosos.
(Cap. I, pp. 22 e 23)
9. A
necessidade do esforço
pessoal
- O Ministro Flácus
deixou bem claro que
nosso planeta, por
enquanto, ainda não
passa de vasto crivo de
aprimoramento, ao qual
somente os indivíduos
excepcionalmente
aperfeiçoados pelo
próprio esforço
conseguem escapar, na
direção das esferas
sublimes. Considerando
essa realidade é que
Jesus exclamou, perante
o juiz, em Jerusalém:
"Por agora, o meu Reino
não é daqui", e foi pelo
mesmo motivo que Paulo
de Tarso disse aos
Efésios que "não temos
de lutar contra a carne
e o sangue, mas, sim,
contra os principados,
contra as potestades,
contra os príncipes das
trevas e contra as
hostes espirituais da
maldade, nas próprias
regiões celestes".
Cabe-nos, portanto,
preparar recursos de
auxílio, reconhecendo
que a obra redentora é
trabalho educativo por
excelência. Jesus, com
seu sacrifício, mostrou
que o serviço do Reino
Celeste não depende de
compromissos
exteriores, mas do
individualismo afeiçoado
à boa vontade e ao
espírito de renúncia em
benefício dos
semelhantes. Sem nosso
esforço pessoal no bem,
a obra regenerativa será
adiada indefinidamente,
compreendendo-se por
precioso e indispensável
o nosso concurso
fraterno, para que
irmãos nossos, hoje
impermeáveis no mal, se
convertam aos Desígnios
Divinos, aprendendo a
utilizar os poderes da
luz potencial de que
são detentores. "Somente
o amor sentido, crido e
vivido por nós provocará
a eclosão dos raios de
amor em nossos
semelhantes", asseverou
o Ministro. "Sem
polarizar as energias da
alma na direção divina,
ajustando-lhes o
magnetismo ao Centro do
Universo, todo programa
de redenção é um
conjunto de palavras,
pecando pela
improbabilidade
flagrante", concluiu o
palestrante. (Cap. I,
pp. 24 e 25)
(Continua no próximo
número.)
(1)
Protoplasma é o nome que
se dá ao conteúdo
celular vivo, formado de
citoplasma e núcleo.