ALTAMIRANDO
CARNEIRO
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São Paulo, SP (Brasil)
Bibelôs que vivem
e sentem
Todos os filhos
da criação são
filhos do Pai e
irmãos do homem...
Deus quer que
auxiliemos aos
animais, se
necessitarem de
ajuda. Toda
criatura em
desamparo tem o
mesmo direito à
proteção, disse
Francisco de
Assis.
No Antigo Egito,
os gatos eram
não somente
animais
domésticos, mas
objetos de
adoração; matar
um gato era
crime, passível
de pena de morte.
O cientista
alemão Wilhelm
Von Humboldt
(1767-1835)
disse que “o
grau de evolução
de um povo se
mede pela forma
com a qual trata
os animais”.
O romancista
russo Léon
Tolstoi
(1828-1910)
afirmou que
“maltratar
animais é
uma demonstração
de covardia e
ignorância”.
No livro segundo,
capítulo “Os
três reinos” de O
Livro dos
Espíritos, questão
592, lemos que:
“... No Físico,
o homem é como
os animais e
menos bem
provido que
muitos dentre
eles; a Natureza
lhes deu tudo
aquilo que o
homem é obrigado a
inventar com a
sua inteligência, para
prover às suas
necessidades e à
sua conservação.
Seu corpo se
destrói como o
dos animais,
isto é certo,
mas o seu
Espírito tem um
destino que só
ele pode
compreender,
porque só ele é
completamente
livre.”
Allan Kardec
complementa a
resposta dos
Espíritos à sua
pergunta (questão
593), sobre se
os animais só
agem por
instinto: “Além
do instinto, não
se poderia negar
a certos animais
a prática de
atos combinados,
que denotam a
vontade de agir
num sentido
determinado e de
acordo com as
circunstâncias.
Há neles,
portanto, uma
espécie de
inteligência,
mas cujo
exercício é mais
precisamente
concentrado
sobre os meios
de satisfazer às
suas
necessidades
físicas e prover
à conservação.
Não há entre
eles nenhuma
criação, nenhum
melhoramento;
qualquer que
seja a arte que
admiremos em
seus trabalhos,
aquilo que
faziam
antigamente é o
mesmo que fazem
hoje, nem melhor
nem pior,
segundo formas e
proporções
constantes e
invariáveis. Os
filhotes
separados de sua
espécie não
deixam de
construir o seu
ninho de acordo
com o mesmo
modelo, sem
terem sido
ensinados. Se
alguns são
suscetíveis de
uma certa
educação, esse
desenvolvimento
intelectual,
sempre fechado
em limites
estreitos, é
devido à ação do
homem sobre uma
natureza
flexível, pois
não fazem nenhum
progresso por si
mesmos, e esse
progresso é
efêmero,
puramente
individual,
porque o animal,
abandonado a si
próprio, não
tarda a voltar
aos limites
traçados pela
Natureza”.
Sobre a
linguagem dos
animais, os
Espíritos
esclarecem
(questão 594)
que não têm uma
linguagem
formada de
palavras e
sílabas, mas têm
um meio de se
comunicarem
entre si. “Eles
dizem muito mais
coisas do que
supondes, mas a
sua linguagem é
limitada, como
as próprias
ideias, às suas
necessidades”.
A respeito do livre-arbítrio,
a questão 595
deixa claro que
os animais não
são simples
máquinas, “mas
sua liberdade de
ação é limitada
pelas suas
necessidades e
não pode ser
comparada à do
homem. (...) Sua
liberdade é
restrita aos
atos da vida
material”.
Quanto à aptidão
de alguns
animais para
imitar a
linguagem do
homem, a questão
596 diz que é
devido à
conformação
particular dos
órgãos vocais,
secundada pelo
instinto da
imitação. “O
símio imita os
gestos; certos
pássaros imitam
a voz.”
Uma questão
instigante é a
da destruição
dos seres vivos
uns pelos outros.
No item 20 do
capítulo III do
livro A
Gênese, Allan
Kardec enfatiza
que essa
destruição é uma
das leis da
Natureza e que
“o conhecimento
do princípio
espiritual,
considerado em
sua verdadeira
essência, e da
grande lei da
unidade que
constitui a
harmonia da
criação, é o
único que pode
dar ao homem a
chave do
mistério...; a
verdadeira vida
do animal, tal
qual a do homem,
não se encontra
no envoltório
corporal, como
também não se
encontra em seu
vestuário; ela
está no
princípio
inteligente, que
preexiste, e que
sobrevive ao
corpo...”
Há, no animal um
princípio
independente da
matéria e que
sobrevive ao
corpo. Uma alma,
se assim o
quisermos
classificar, mas
inferior à do
homem. “Há,
entre a alma dos
animais e a do
homem, tanta
distância quanto
entre a alma do
homem e Deus.” (questões
597 e 597-a).
Esse princípio é
o princípio
inteligente. “Os
Espíritos são
individualizações
do princípio
inteligente,
como os corpos
são
individualizações
do princípio
material.” (questão
79)
Complementando o
assunto,
esclarecem os
Espíritos (questão
598), que a alma
dos animais
conservam sua
individualidade,
mas não a
consciência de
si mesma. “A
vida inteligente
permanece em
estado latente.”
A alma do animal
“fica numa
espécie de
erraticidade,
pois não está
unida a um corpo.
Mas não é um
Espírito errante. O
Espírito errante
é um ser que
pensa e age por
sua livre
vontade; o dos
animais não tem
a mesma
faculdade. É a
consciência de
si mesmo que
constitui o
atributo
principal do
Espírito. O
Espírito do
animal é
classificado,
após a morte,
pelos Espíritos
incumbidos
disso, e
utilizado quase
imediatamente;
não dispõe de
tempo para se
pôr em relação
com outras
criaturas”. (questão
600)
No seu caminho
evolutivo, um
dia a alma
animal inicia a
longa caminhada
da espécie
humana, em
direção à
angelitude.
Quando o
princípio
inteligente
atinge o grau
necessário para
ser Espírito e
entra no período
de humanidade,
não tem mais
relação com o
seu estado
primitivo e não
é mais a alma
dos animais,
como a árvore
não é a semente.
Seguindo a lei
do progresso, compreendemos
que os animais
também sofrem.
Emmanuel
considera que
“ninguém sofre
tão-somente para
resgatar o preço
de alguma
coisa”. E
Herculano Pires,
na obra O
mistério do ser
ante a dor e a
morte, registra:
“Sofrem porque
evoluem e porque
toda evolução,
consciente ou
inconsciente é
sempre
acompanhada das
dores do parto
que anunciam as
transações
evolutivas para
planos
superiores... A
dor apresenta-se
em todo o
cosmos, como
decorrência
natural dos
processos
evolutivos”.