A Revue Spirite
de 1865
Allan Kardec
(Parte
19)
Damos prosseguimento ao
estudo da Revue
Spirite
correspondente ao ano de
1865. O texto condensado
do volume citado será
aqui apresentado em 20
partes, com base na
tradução de Júlio Abreu
Filho publicada pela
EDICEL.
Questões preliminares
A. A passagem dos irmãos
Davenport pela Europa
foi prejudicial ao
movimento espírita?
Evidentemente. A
presença deles foi
bastante prejudicial ao
movimento espírita
europeu. “Como se sabe –
advertiu Kardec –, o que
falta aos que confundem
o Espiritismo com a
charlatanice é saber o
que é o Espiritismo. Sem
dúvida poderão sabê-lo
pelos livros, quando se
derem à pena. Mas, que é
a teoria ao lado da
prática?” “Não basta
dizer que a doutrina é
bela; é necessário que
os que a professam
mostrem a sua
aplicação.” O mau
exemplo dado pelos
médiuns americanos é que
deu causa a esses
comentários de Kardec.
(Revue Spirite de 1865,
pp. 315 a 316.)
B. Chegou a Kardec
notícia sobre o
Espiritismo no Brasil?
Sim. Sob o título “O
Espiritismo no Brasil”,
Kardec informa que no
jornal Diário
da Bahia fora
publicada no dia 28 de
setembro de 1865, a
pedido de Luis Olympio
Telles de Menezes, José
Álvares do Amaral e
Joaquim Carneiro de
Campos, uma refutação a
um artigo do dr.
Déchambre, contrário ao
Espiritismo, publicado
no dia anterior pelo
mesmo jornal. O
Codificador elogiou a
iniciativa dos confrades
da Bahia.
(Obra citada, pp. 323 a
325.)
C. A fé espírita pode
ajudar na prevenção de
certas enfermidades?
Sobre este assunto,
Kardec diz que toda
causa tendente a
fortificar o moral é um
preservativo e só assim,
nesse sentido, é que se
pode dizer que a fé
espírita pode ajudar na
prevenção de certas
enfermidades, o que não
significa que os
espíritas sejam imunes a
elas. A razão é simples:
a fé espírita dá
serenidade à alma e essa
serenidade secunda a
eficácia dos remédios,
ao passo que a
perspectiva do nada
mergulha o moribundo na
ansiedade do desespero
que em nada contribui
para a sua melhora.
(Obra citada, pp. 325 a
328.)
Texto para leitura
221. O número de
novembro de 1865
inicia-se com a
transcrição de uma
mensagem aprovada por
unanimidade pela
Sociedade Espírita de
Paris e dirigida aos
espíritas da França e do
estrangeiro. Trata-se de
uma moção de
reconhecimento e apoio
enviada pela Sociedade
numa hora em que se
redobravam na Europa os
ataques contra os
espiritistas. (Págs.
315 e 316.)
222. A alocução feita
por Kardec na reabertura
das sessões da Sociedade
de Paris, ocorrida em
outubro próximo passado,
foi também transcrita na
Revue. O
Codificador fez ali,
como não podia ser
diferente, alusão ao
grande barulho que
ocorrera durante o
recesso anual da
Sociedade, embora não
entrasse em detalhes,
que ele considerava no
momento inteiramente
supérfluos. E pediu a
todos os confrades que
se unissem numa santa
comunhão de pensamentos,
para enfrentarem a
tempestade, pondo de
lado as suscetibilidades
e as questões menores,
em favor de algo mais
importante, que é a
causa espírita.
(Págs. 316 a 319.)
223. Ficou evidente que
a presença dos irmãos
Davenport na Europa foi
bastante prejudicial ao
movimento espírita
europeu. “Como se sabe –
advertiu Kardec –, o que
falta aos que confundem
o Espiritismo com a
charlatanice é saber o
que é o Espiritismo. Sem
dúvida poderão sabê-lo
pelos livros, quando se
derem à pena. Mas, que é
a teoria ao lado da
prática?” “Não basta
dizer que a doutrina é
bela; é necessário que
os que a professam
mostrem a sua
aplicação.” (Págs.
315 e 316.)
224. Num artigo logo a
seguir, Kardec diz que
começava a acalmar-se a
situação causada pelos
irmãos Davenport, após a
bordoada lançada pela
imprensa contra eles e o
Espiritismo. Este,
contudo, saíra incólume
aos golpes recebidos,
porque muitas vozes
respeitáveis se
levantaram para mostrar
que o Espiritismo não
pode ser confundido com
seus adeptos. Exemplo
dessas manifestações
publicadas pela imprensa
é a carta do Sr. Breux,
de Perpignan, divulgada
a 8 de outubro pelo
Journal des
Pyrénées-Orientales.
(Págs. 320 e 321.)
225. O Codificador, após
transcrever a carta
referida, acrescentou:
“Todas as refutações que
temos sob os olhos, e
que foram dirigidas aos
jornais, protestam
contra a confusão que
fizeram entre o
Espiritismo e as sessões
dos srs. Davenport. Se,
pois, a crítica persiste
em torná-los solidários,
é porque o quer”.
(Pág. 322.)
226. Em um poema
intitulado “Um
fenômeno”, de sua
autoria, o Sr. Dombre,
de Marmande, alude
indiretamente ao tema
tratado por Kardec,
quando lembra, em sua
estrofe final: “A
verdade sempre tem sua
contrafação:/ Cabe-nos
distinguir, pela
comparação,/ A verdade
do embuste.” E conclui:
“Para julgar direito os
efeitos e as causas,/ Ao
céptico faltam duas
coisas:/ Um pouco de
modéstia – e boa fé.”
(Págs. 315 e 316.)
227. Sob o título “O
Espiritismo no Brasil”,
Kardec informa que no
jornal Diário
da Bahia fora
publicada no dia 28 de
setembro de 1865, a
pedido de Luis Olympio
Telles de Menezes, José
Alvares do Amaral e
Joaquim Carneiro de
Campos, uma refutação a
um artigo do dr.
Déchambre, contrário ao
Espiritismo, publicado
no dia anterior pelo
mesmo jornal. Elogiando
a iniciativa dos
confrades da Bahia,
Kardec afirma que as
citações textuais das
obras espíritas, como
eles haviam feito, são a
melhor refutação das
deformações que certos
críticos tentam impor à
doutrina, visto que esta
se justifica por si
mesma. (Págs. 323 a
325.)
228. Aludindo a uma
carta do Sr. Repos
Filho, de
Constantinopla, onde o
cólera acabara de fazer
pelo menos 70 mil
vítimas, Kardec observa
que seria absurdo crer
que a fé espírita
pudesse ser um brevê de
garantia contra a
referida doença. Já
estava, porém,
comprovado
cientificamente que o
medo, enfraquecendo o
moral e o físico das
pessoas, torna o homem
mais impressionável e
mais suscetível de ser
atingido pelas moléstias
contagiosas. Ora, toda
causa tendente a
fortificar o moral é um
preservativo e só assim,
nesse sentido, é que se
pode dizer que a fé
espírita pode ajudar na
prevenção de certas
enfermidades, o que não
significa que os
espíritas sejam imunes a
elas. (Págs. 325 a
328.)
229. A razão é simples:
a fé espírita dá
serenidade à alma e essa
serenidade secunda a
eficácia dos remédios,
ao passo que a
perspectiva do nada
mergulha o moribundo na
ansiedade do desespero
que em nada contribui
para a sua melhora. Além
dessa influência moral,
o Espiritismo produz
outra mais material: a
moderação nos hábitos e
o abandono dos excessos
e dos vícios, o que
concorre para uma vida
mais saudável. (Págs.
328 e 329.)
230. A propósito do
cólera numerosas
comunicações foram dadas
na Sociedade Espírita de
Paris, das quais a
Revue transcreveu
uma delas, assinada pelo
doutor Demeure.
(Págs. 329 a 331.)
231. Da mensagem do dr.
Demeure destacamos as
informações seguintes: I
– O cólera não é uma
afecção imediatamente
contagiosa; por isso, os
que vivem onde ela
grasse não devem temer
prestar socorros aos
enfermos. II – Não
existia então um remédio
universal contra essa
moléstia, visto como o
mal varia de
conformidade com o
temperamento dos
indivíduos, seu estado
moral, seus hábitos e o
clima. III – O melhor
preservativo consistia,
pois, nas precauções de
higiene sabiamente
recomendadas pelos
especialistas
encarnados. IV – O medo,
em casos semelhantes, é,
muitas vezes, pior que o
mal em si mesmo. A
confiança em si e em
Deus é, portanto, em
tais circunstâncias, o
primeiro elemento da
saúde. (Págs. 329 a
331.)
232. Com o título “Um
novo Nabucodonosor”, a
Revue relata em
todas as suas minúcias o
caso do jovem Alexandre
R..., que vivia na
cidade de Kazan, na
Rússia, onde cursava a
Universidade, até que
foi envolvido por uma
obsessão terrível
causada por seu irmão
Voldemar, morto aos 16
anos. A partir daí, por
mais de 20 anos,
Alexandre viveu só, sem
roupas, numa espécie de
cabana que não possuía
portas nem janelas,
exposto assim ao vento e
ao frio que, naquela
região, chegava a 30
graus abaixo de zero.
Evocado na Sociedade
Espírita de Paris, o
obsessor confirmou que
era ele que dominava o
irmão e assim o punia
pelo não cumprimento de
uma promessa. Um
Espírito protetor,
comunicando-se em
seguida, confirmou a
história e disse que o
fato tinha origem no
passado dos dois
rapazes. (Págs. 331 a
337.)
233. A alusão ao rei
Nabucodonosor, feita por
um sonâmbulo inglês,
tinha fundamento, porque
Nabucodonosor – explicou
o protetor espiritual –
não passara de um
obsidiado que agia,
quando em crise, como
uma fera. Alexandre R...
também se comportava e
dava urros como se fera
fosse. (Pág. 337.)
(Continua no próximo
número.)