RICARDO BAESSO
DE OLIVEIRA
kargabrl@uol.com.br
Juiz de Fora,
Minas Gerais
(Brasil)
Emmanuel e a
política
Nos primeiros
anos de suas
atividades
mediúnicas,
Chico Xavier
abria espaço
para
interpelações
aos Benfeitores
Espirituais
sobre temas de
assunto geral,
em reuniões
íntimas,
acontecidas na
cidade de Pedro
Leopoldo.
Questões eram
apresentadas
para reflexão e
Espíritos
diversos
opinavam de
maneira
esclarecedora.
Nesses encontros
produtivos,
predominavam com frequência as
comunicações de
Emmanuel, em
virtude, talvez,
do maior
compromisso
assumido junto
ao medianeiro de
Minas Gerais.
Nos meses de
maio, junho e
julho de 1935
surgiram temas
de cunho
político e
Emmanuel,
chamado a
opinar,
apresentou seu
pensamento de
forma sincera e
lúcida.
A atualidade das
perguntas e,
sobretudo, das
respostas é
comovente,
embora estejamos
distante delas
75 anos.
Apresentamos uma
síntese didática
de seu
pensamento.
COMPROMISSO COM
O EVANGELHO
O Benfeitor
confessa que sua
área de
interesse não é
bem a política,
mas não se
recusa a opinar,
esclarecendo não
ser o dono da
verdade:
“Avesso à
política, me
sentiria mais à
vontade se fosse
inquirido acerca
do evangelho.
Todavia,
opiniões são
coisas que pouco
se custa a
fornecer;
contudo os meus
pareceres são
igualmente
pessoais como os
vossos, sem o
caráter da
infalibilidade”.
NACIONALISMO
Faz uma critica
ao nacionalismo
exagerado,
mostrando que
somos cidadãos
do Universo com
responsabilidades
amplas diante de
todos os homens
de todas as
nacionalidades:
“Fazer a
apologia desses
movimentos
nacionalistas
que, a pretexto
de unificação e
energia
administrativa,
operam a
revivescência
das autocracias
de outrora,
incentivando as
guerras,
provocando
revoltas,
coibindo o
pensamento, é
desconhecer as
leis da
solidariedade
humana”.
GLOBALIZAÇÃO
Fala de
globalização
muito antes de
ela tornar-se
realidade:
“Os homens não
podem fugir aos
dispositivos do
código da
fraternidade
universal. Cada
individualidade
dá o que possui,
no problema das
possibilidades e
das vocações, no
edifício do
progresso
coletivo. Uma
traz a ciência,
outra a arte,
outra uma nova
modalidade
evolutiva. Um
país,
pretendendo
isolar-se no
mundo, lavra a
sua própria
condenação”.
PARTIDOS
POLITICOS
Fala da
necessidade de
partidos
políticos com
ideias e
propostas bem
definidas e
sólidas, ao
invés do que se
via naquela
época e ainda
hoje, onde os
partidos existem
em função de
interesses
transitórios,
assumindo
posturas
diferentes
segundo os
interesses
pessoais ou, o
que é pior,
alugando a
própria legenda
a situações
momentâneas:
“A República
Brasileira
necessita de
forças
vitalícias, no
terreno
político-administrativo,
que predominem
sobre suas
instituições de
caráter
temporário.
Contrariando o
facciosismo, as
lutas de clã,
existiam no
Brasil Império
os grandes
poderes
centralizados. É
na formação de
um poder como
esses que a
república
necessita, a fim
de corrigir os
baldões, os
defeitos, a
instabilidade da
política
administrativa”.
CORONÉIS DA
POLITICA
Apresenta
critica
contundente a
políticos
profissionais
que se
enriqueceram de
forma desonesta,
corrompendo,
desviando
recursos e
iludindo as
mentes
simplórias:
“Infelizmente, a
ambição, o
personalismo
infestam os
bastidores da
política
brasileira,
eminentemente
prejudicada pela
sua visão
mesquinha,
concernente aos
problemas da
coletividade. Os
interesses dos
chefes nunca são
prejudicados.
Sob o despotismo
de sua vontade
pessoalíssima
estão os
interesses da
nação e das
coletividades”.
A MÁ POLITICA
Parece que
estamos ainda em
1935: “Evite-se
a expansão do
interesse
pessoal, as
competições
mesquinhas, a
ambição de
ganhos e
domínios, os
assaltos ao
Tesouro Público,
o exibicionismo
e cultive-se,
acima de tudo, o
interesse da
coletividade.
Basta isso. A
coletividade é a
nação e não se
compreende o
patriotismo fora
dessas normas”.
LEIS
SIMPLESMENTE NÃO
RESOLVEM
O velho costume
brasileiro de
acreditar que
criando leis
resolvem-se os
problemas é
criticado pelo
Benfeitor: “A
questão é de
homens e não de
leis. Os grandes
desequilíbrios
econômicos e o
ceticismo de
quantos vivem a
esperar melhores
dias para a
nação são
oriundos dessa
odiosa campanha
personalista que
infelicita as
correntes
políticas do
país”.
REGIME POLITICO
O Benfeitor
garante que o
socialismo
prevalecerá no
futuro, mas é
preciso que ele
aconteça
primeiro dentro
do homem, para
que possa dar
certo fora dele:
“A Rússia atual
representa a
experiência
realizada à
custa de muito
sangue, os
primórdios dos
novos sistemas
políticos e
sociais, que hão
de futuramente
vigorar no
planeta. Porém,
mesmo lá, o que
se observa por
enquanto, ao
lado dos
excessos
demagógicos, é a
inversão dos
papéis dentro
das classes
sociais. Os
oprimidos de
ontem são os
senhores de
hoje. A
fraternidade
ainda significa
um mito,
porquanto o
terreno social
está cheio das
mesmas
diferenças de
sempre.
Comunismo
significa
equilíbrio dos
sacrifícios do
povo, holocausto
do homem à
coletividade,
interesse geral,
eliminação da
personalidade.
Os brasileiros
estão preparados
para isso? A
afirmativa
poderia, ao que
parece, ser
contestada. Para
o estado não
se enquadra
outro regime
fora da
democracia
liberal, até que
o povo se eduque
convenientemente
para as grandes
iniciativas do
porvir”.
PRIORIDADES
POLITICAS
Uma aula de
política
pública:
“O Brasil
necessita, antes
de tudo,
combater o magno
problema do
analfabetismo. É
necessário que
se solucione o
enigma
pedagógico que
implica toda
essa mocidade
sem entusiasmo e
sem energia para
o estudo. Que o
supérfluo das
suntuosidades do
Estado seja
empregado com o
necessário.
Intensifique-se
a higiene e a
escola. A
educação
necessita ser
difundida sob
todos os seus
aspectos”.
PROBLEMA NOSSO
A solução dos
problemas
políticos do
nosso país passa
pela atuação de
cada um de nós.
Os Espíritos não
resolverão
problemas que
são dos homens:
“O trabalho é
dos homens e a
eles compete a
realização do
progresso
necessário.
Longe do cenário
do mundo não nos
é lícito
influenciar
sobre questões
distantes da
nossa esfera de
ação. A nossa
atividade
unicamente se
circunscreve ao
esclarecimento
das almas,
pugnando para
que as
construções da
crença sejam
novamente
reedificadas no
templo dos
corações
humanos”.
Fonte:
Palavras do
Infinito, de
Emmanuel,
publicado pela
LAKE.