MILTON R.
MEDRAN MOREIRA
medran@via-rs.net
Porto Alegre,
Rio Grande do
Sul (Brasil)
Chico, o homem e
o filme
Fui assistir ao
filme sobre
Chico Xavier
quando mais de
três milhões de
brasileiros já o
haviam visto.
Conheço
razoavelmente a
vida e a obra do
extraordinário
médium mineiro.
Por isso, tinha
expectativa de
saber como, em
duas horas, um
filme resumiria
o fenômeno
Chico. Percebi
logo ser esta
também a
preocupação do
diretor que, no
início da
projeção,
advertiu: “A
história de um
homem não cabe
num filme. O que
se pode é ser
fiel à sua
trajetória”.
Acho que Daniel
Filho foi mesmo
muito fiel à
trajetória de
Chico. Suas
dúvidas e
incertezas, suas
fraquezas e
grandezas,
traduzidas em
cenas como os
diálogos com o
padre ou no
hilário episódio
da adoção do uso
da peruca ou,
ainda, no
chilique
protagonizado
quando pensou
estar caindo o
avião em que
viajava, tudo
isso retratou
muito bem o
homem Chico. Um
contraponto à
imagem do santo,
que muitos
quiseram lhe
dar, mas que ele
sempre recusou.
Sem ser
exatamente um
santo, Chico foi
um magnífico
exemplo de
bondade.
Essa virtude,
que pressupõe
humanismo,
tolerância e
distanciamento
de qualquer
fundamentalismo,
é a grande
mensagem do
filme. Talvez
por isso esteja
sendo visto por
pessoas de todas
as crenças, e,
igualmente,
aplaudido por
homens e
mulheres que não
têm qualquer fé
religiosa. Entre
eles alguns
ateus, como se
declarou o
próprio diretor
Daniel Filho.
Sensibilidade,
bondade,
humanismo não
são privilégios
dos que têm fé.
São necessidades
da alma humana.
Muitas vezes, a
fé, quando cega
e intolerante,
termina sendo um
obstáculo à
prática da
bondade.
A grande
mensagem do
filme é retratar
uma alma
tipicamente
brasileira,
capaz de
sensibilizar a
todos,
indistintamente.