VLADIMIR POLÍZIO
polizio@terra.com.br
Jundiaí, São Paulo
(Brasil)
Um dom a serviço da
justiça
Com a matéria intitulada
“Uso minha intuição a
favor da lei”, publicada
na revista IstoÉ, edição
nº 2055, de 01-4-2009, a
mediunidade foi
realçada.
Como já é do
conhecimento dos
leitores dessas revistas
de grande circulação,
bem como da parte
daqueles que assistem
aos filmes de
investigação criminal,
especialmente os que
envolvem casos de
difícil solução, o
emprego de paranormais,
como também são
chamados, que participam
na condição de
auxiliares especiais dos
organismos
institucionais.
Investigadores
Psíquicos, Médium,
Medical Detectives, são
algumas das séries que a
televisão brasileira tem
exibido regularmente.
No caso presente,
trata-se da
norte-americana de 65
anos, Sally Headding,
psicóloga e doutora em
parapsicologia pela
Universidade de
Berkeley.
Interessante a exposição
feita pela médium à
jornalista Suzane
Frutuoso, abordando
diversos casos em que
participou. “Eu nunca
cobrei por meus
serviços. Uso minha
intuição a favor da
lei”, disse.
Alguns trechos merecem
ser aqui destacados,
como, por exemplo,
quando lhe é perguntado
como é lidar com sua
capacidade psíquica,
considerada como um dom
incrível pela repórter,
a Sally respondeu que
seu papel ‘é apenas mais
um pedaço de um
quebra-cabeças. Se
permitir que meu ego se
envolva, que eu me sinta
poderosa, me renderia à
vaidade, atrapalhando o
que o outro lado está
querendo me dizer’.
Como a parapsicóloga
referiu-se ao “outro
lado” como resposta, a
repórter, captando o
ensejo direcionado da
entrevistada, fez-lhe a
óbvia pergunta sobre a
afirmação desse “outro
lado”, quando os
parapsicólogos costumam
creditar esse dom a uma
capacidade do cérebro.
– “Acredito” – disse ela
– “que o fenômeno
psíquico está ligado a
uma força superior
tentando nos guiar
quando há incertezas de
que caminho tomar.
Trata-se da energia do
outro lado rodando tão
rápido que possibilita
ao lado de cá receber
informações, mas graças
a uma capacidade do
nosso cérebro. Todos nós
vivemos com essa
habilidade de ouvir
nossa voz interior. O
dom só vem à tona,
porém, quando aprendemos
a acalmar a mente o
bastante para ter fé
naquilo que estamos
ouvindo. Quando eu digo
acalmar, estou falando
de entrar em contato com
as mesmas ondas
cerebrais que surgem no
estado de relaxamento um
pouco antes de dormir.
Essas ondas cerebrais
incluem nossos
pensamentos diários,
preocupações. Enquanto
permanecemos nesse
estado, ficamos mais
suscetíveis a receber
energias que acredito
serem uma conexão com
Deus”.
Como não se trata de
pessoa ligada ao
conhecimento espírita,
Sally Headding, ao ser
questionada se sempre
acerta, respondeu
afirmativamente que não,
e complementa: “Quando
recebo os avisos, nunca
tenho certeza se estou
certa. Admito que já
trabalhei em alguns
casos em que estava
completamente errada.
Mas as leis espirituais
não são exatas. Já
cometi erros, o que é
bom. Não acertar sempre
me faz manter a fé e o
ego em observação
contínua. O fenômeno
psíquico é a ciência do
amanhã. Não temos ainda
os equipamentos certos
para testar essa
habilidade e garantir
que ela seja segura. Por
enquanto, a investigação
psíquica é apenas mais
um meio que a lei tem
para elucidar crimes e
injustiças que deve ser
usada com cuidado assim
como todos os métodos de
investigação.”
Pela afirmativa acima,
percebe-se que
desconhece a Doutrina
Espírita, quando diz que
“... as leis espirituais
não são exatas”. Esse
equívoco justifica-se
pelo desconhecimento,
mas que é bom esclarecer
que as leis espirituais
sempre foram, são e
continuarão sendo
extremamente exatas. O
que acontece é que os
Espíritos, na condição
de seres invisíveis e
também falíveis, ficam à
vontade para transmitir
as informações que lhes
interessam e que nem
sempre se revestem da
verdade necessária a
cada caso. A morte não
eleva ninguém à condição
que não possuía e nem
possibilita a aquisição
imediata de valores
morais ou intelectuais,
se não os tinha.
Contudo, nessa mesma
resposta, Sally fala que
“O fenômeno psíquico é a
ciência do amanhã”, no
que temos que lhe dar a
mão à palmatória, face
às incontáveis posições
da espiritualidade nesse
sentido.
De fato, uma observação
luminosa. Os Espíritos
superiores reforçam o
sentimento de elevação
sobre o futuro: “Todos
os homens têm o seu grau
de mediunidade, nas mais
variadas posições
evolutivas, e esse
atributo do Espírito
representa, ainda, a
alvorada de novas
percepções para o homem
do futuro, quando, pelo
avanço da mentalidade do
mundo, as criaturas
humanas verão alargar-se
a janela acanhada dos
seus cinco sentidos”
e também: “... mas o
futuro nos revelará que
o serviço dessa natureza
pertence a todas as
criaturas, porque todos
nós somos Espíritos
imortais”,
pois “Os espíritos não
podem responder senão
sobre o que sabem”.