Reflexões
Frei Pedro de
Alcântara
Filhos,
clareando
consciências
alheias,
defendamo-nos
contra a
dominação das
trevas.
—
«Vem e
segue-me!» — diz
o Senhor ao
Apóstolo.
—
«Levanta-te e
anda!» —
recomenda Jesus
ao paralítico.
Para justos e
injustos,
ignorantes e
sábios, o
chamamento do
Cristo é pessoal
e
intransferível.
O
Evangelho é
serviço
redentor, mas
não haverá
salvação para a
Humanidade sem a
salvação do
Homem.
No mundo, é
imperioso
refletir algumas
vezes na morte
para que a
existência não
nos seja um
ponto obscuro
dentro da vida,
porque o
Espírito desce à
escola terrena
para educar-se,
educando.
Dia a dia,
milhares de
criaturas tornam
à Pátria
Espiritual.
Esse caiu sob o
fio da espada,
aquele tombou ao
toque de balas
mortíferas.
Alguns expiram
no conforto
doméstico,
muitos partem do
leito rijo dos
hospitais.
Todos imploram
luz, mas, se não
fizeram
claridade em si
mesmos,
prosseguem à
feição de
caravaneiros
ocultos na
sombra.
Não valem
títulos do
passado, nem
exterioridades
do presente.
Esse deixou o
ouro amontoado
com sacrifício.
Aquele renunciou
ao consolo de
afeições
preciosas.
Outro abandonou
o poder que lhe
não pertencia.
Aquele outro,
ainda, foi
arrancado à
ilusão.
Quantas vezes
examinais
conosco essas
pobres
consciências em
desequilíbrio
que a ventania
da renovação
vergasta no seio
da tempestade
moral!...
É
por isso que,
sob a invocação
do carinho e da
confiança,
rogamos
considereis a
estrada
percorrida.
Convosco brilha
abençoada
oportunidade.
O
Espiritismo é
Jesus que volta
ao convívio da
dor humana.
Não sufoqueis a
esperança na
corrente das
palavras. Emergi
do grande mar da
perturbação para
o reajuste
indispensável!
Não julgueis
para não serdes
julgados, porque
seremos medidos
pelo padrão que
aplicarmos à
alheia conduta.
Ninguém sabe que
forças
tenebrosas se
congregaram
sobre as mãos do
assassino.
Ninguém conhece
o conteúdo de
fel da taça que
envenenou o
coração
arremessado ao
grande
infortúnio.
O
malfeitor de
hoje pode ser o
nosso benfeitor
de amanhã.
Desterrai de
vossos lábios
toda palavra de
condenação ou
de crítica!...
Desalojai do
raciocínio e do
sentimento toda
névoa que possa
empanar a
luminosa visão
do caminho!...
Somos chamados
ao serviço de
todos e a nossa
inspiração
procede do
Senhor, que se
converteu no
escravo da
Humanidade
inteira.
Filhos, urge o
tempo.
Sem o roteiro da
humildade, sem a
lanterna da
paciência e sem
a bênção do
trabalho, não
alcançaremos a
meta que nos
propomos
atingir...
Quão fácil
mandar, quão
difícil
obedecer!
Quanta
simplicidade na
emissão do
ensinamento e
quanto embaraço
na disciplina
aos próprios
impulsos!...
Jesus ajudou...
Duas grandes e
inesquecíveis
palavras bastam
para cessar a
revolta e
congelar-nos
qualquer
ansiedade menos
construtiva.
Se Jesus ajudou,
por que
haveremos de
perturbar?
Se Jesus serviu,
com que
privilégio
exigiremos o
serviço dos
outros?
Reunimo-nos hoje
em velhos
compromissos.
Digne-se o
Senhor
alertar-nos na
reconstituição
de nossos
destinos.
Não vos pedimos
senão a dádiva
do entendimento
fraterno, com
aplicação aos
princípios que
esposamos,
reconhecendo a
insignificância
de nossas
próprias almas.
Somos
simplesmente um
amigo.
Não dispomos de
credenciais que
nos assegurem o
direito de
exigir, mas
rogamos
observeis os
minutos que
voam.
Desdobrar-se-ão
os dias e a
perda de nossa
oportunidade
diante do Cristo
pode ser também
para nós mais
distância, mais
saudade, mais
aflição...
Não aspiramos
para nós outros
senão à
felicidade de
amar-vos,
desejando-vos a
beleza e a
santidade da
vida.
Aceitemos nosso
trabalho e nossa
lição. Quem foge
ao manancial do
suor, costuma
encontrar o rio
das lágrimas.
Aqueles que não
aprendem a dar
de si mesmos não
recolhem a
celeste herança
que nos é
reservada pelo
Senhor.
Filhos de nossa
fé, urge o
tempo!
Isso equivale
dizer que a
cessação do
ensejo talvez
não tarde.
Façamos luz na
senda que nos
cabe percorrer.
Retiremo-nos do
nevoeiro.
Olvidemos o
passado e
convertamos o
presente em
glorioso dia de
preparação do
futuro!...
E
que Jesus, em
sua infinita
bondade, nos
aceite as
súplicas,
revigorando-nos
o espírito no
desempenho dos
deveres com que
fomos honrados,
à frente de seu
incomensurável
amor.
Do cap. 11 do
livro
Instruções
Psicofônicas,
obra ditada por
Diversos
Espíritos por
intermédio do
médium Francisco
Cândido Xavier.
A mensagem acima
foi transmitida
na noite de 20
de maio de 1954
pelo Espírito de
frei Pedro de
Alcântara, que
foi
contemporâneo da
grande mística
espanhola Teresa
d’Ávila e, tanto
quanto ela, é
venerado na
Igreja Católica.