MARCELO BORELA DE
OLIVEIRA
mbo_imortal@yahoo.com.br
Londrina, Paraná
(Brasil)
Nos Domínios da
Mediunidade
André Luiz
(Parte
28)
Damos continuidade ao
estudo da obra
Nos Domínios da
Mediunidade,
de André Luiz,
psicografada pelo médium
Francisco Cândido Xavier
e
publicada em 1954 pela
Federação Espírita
Brasileira.
Questões preliminares
A. Que adjetivo aplicar
à mulher que ameaçava o
casamento de Jovina e
Anésia?
Teonília, referindo-se
ao caso, disse que
Jovino era um homem
trabalhador ameaçado por
perversa mulher. Mas
Aulus pediu-lhe que não
se referisse assim à
mulher que dominava o
esposo de Anésia. O
adjetivo "perversa"
ali não cabia. Era
"imperioso aceitá-la por
infeliz irmã",
recomendou o Assistente.
(Nos Domínios da
Mediunidade, cap. 19,
pp. 181 a 183.)
B. Por que Anésia sentia
mal-estar ao pressentir
que havia, naquele caso,
alguém a assediar o
esposo?
Contribuía para isso a
força do seu próprio
pensamento. Anésia
articulou mentalmente,
logo que Jovino saiu,
frases deste tipo:
"Negócios, negócios...
Quanta mentira sobre
mentira! Uma nova
mulher, isso sim!...
Mulher sem coração que
não nos vê os
problemas... Dívidas,
trabalhos, canseiras!
Nossa casa hipotecada,
nossa velhinha a
morrer!... Nossas filhas
cedo arremessadas à luta
pela própria
subsistência!" Enquanto
essas reflexões se
faziam audíveis para
André Luiz,
irradiando-se na sala
estreita, viu-se de novo
a mesma figura de mulher
que surgira à frente de
Jovino, aparecendo e
reaparecendo ao redor
da esposa triste, como
que a fustigar-lhe o
coração com invisíveis
estiletes de angústia,
porque Anésia, embora
não a visse, passou a
acusar indefinível
mal-estar.
(Obra citada, cap. 19,
pp. 183 e 184.)
C. Qual a explicação do
problema que envolvia
Jovino?
A esse respeito, Aulus
disse: "Jovino permanece
atualmente sob imperiosa
dominação telepática, a
que se rendeu
facilmente, e,
considerando-se que
marido e mulher respiram
em regime de influência
mútua, a atuação que o
nosso amigo vem
sofrendo envolve
Anésia, atingindo-a de
modo lastimável,
porquanto a pobrezinha
não tem sabido
imunizar-se com os
benefícios do perdão
incondicional". Aulus
acrescentou que tal
fenômeno é muito comum
em nossos dias e, como
tal, enquadra-se
perfeitamente nos
domínios da mediunidade.
O fenômeno pertence à
sintonia, onde se
encontram as origens de
muitos processos de
alienação mental.
(Obra citada, cap. 19,
pp. 185 e 186.)
Texto para leitura
82. Jovino: um esposo
aborrecido -
Teonília, referindo-se
ao caso, aludiu a
Jovino como sendo um
homem trabalhador
ameaçado por perversa
mulher. Aulus pediu-lhe
que não se referisse
assim à mulher que
dominava o esposo de
Anésia. O adjetivo
"perversa" ali não
cabia; era "imperioso
aceitá-la por infeliz
irmã", recomendou o
Assistente, que prometeu
visitar a casa de
Anésia já na noite
seguinte, com o objetivo
de elucidar o caso. Foi
o que aconteceu,
porquanto no dia
imediato, ao anoitecer,
Aulus, André e Hilário
chegaram ao domicílio de
Anésia e Jovino, uma
casa confortável, embora
sem luxo, onde Teonília
os aguardava. A família
fazia sua refeição.
Achavam-se ali os
esposos e as três
filhas: Marcina, Marta e
Márcia. Apesar do tom
afetuoso da palestra
familiar, Jovino parecia
contrafeito. Os
apontamentos das meninas
não lhe arrancavam o
mais leve sorriso;
contudo, enquanto ele
persistia em mostrar-se
aborrecido, a mãe se
fazia mais terna e mais
contente, incentivando
a conversação das duas
filhas mais velhas que
comentavam episódios
humorísticos do bazar em
que trabalhavam juntas.
Findo o jantar, Anésia
pediu a Márcia, a mais
moça das filhas, que
fosse ficar com a avó e
esperasse por ela. As
outras irmãs continuaram
a conversar em sala
próxima. Jovino foi ler
os jornais vespertinos,
e Anésia cuidou de
arrumar a cozinha.
Reparando, porém, que o
esposo pouco depois se
levantou para sair, ela
endereçou-lhe olhar
inquieto, indagando
delicadamente:
"Poderemos, acaso,
esperar hoje por você?"
Ele se fez de
desentendido, e Anésia
explicou que apreciaria
tê-lo presente para as
preces em conjunto...
"Preces? para que
isso?", replicou o
esposo. "Sinceramente,
Jovino – respondeu
Anésia –, creio no poder
da oração e suponho que
nunca precisamos tanto
como agora de usá-la em
favor de nossa
tranquilidade
doméstica." Jovino foi
direto ao assunto: "Não
concordo com a sua
opinião" e, sarcástico,
exibindo estranho
sorriso, continuou: "Não
disponho de tempo para
lidar com os seus tabus.
Tenho compromissos
inadiáveis. Estudarei,
junto de amigos,
excelente negócio".
(Cap. 19, págs. 181 a
183)
83. Uma imagem de
mulher - Logo que
Jovino disse tais
palavras, surpreendente
imagem de mulher
surgiu-lhe à frente dos
olhos, qual se fora
projetada sobre ele, a
distância, aparecendo e
desaparecendo com
intermitências. Jovino
tornou-se então mais
distraído e enfadado e,
demonstrando inexcedível
dureza espiritual, fitou
a esposa com indiferença
irônica. Intrigados com
a cena, André e seus
amigos ouviram Anésia,
enlaçada por Teonília,
dizer quase suplicante:
"Jovino, você não
concorda que temos
estado mais ausentes um
do outro, quando
precisamos estar mais
juntos?" "Ora, ora!
deixe de pieguices!" –
respondeu-lhe o esposo.
"Sua preocupação seria
própria, há vinte anos,
quando não éramos senão
tolos colegiais!" Anésia
retrucou: "Não, não é
bem isso... Inquietam-me
nosso lar e nossas
filhas..." Mas Jovino,
com a alma endurecida,
falou-lhe com aguda
ironia: "De minha parte,
não vejo como
torturar-me. Creio que a
casa está bem provida e
não estou dormindo
sobre nossos interesses
familiares. Meus
negócios estão em
movimento. Preciso de
dinheiro e, por essa
razão, não posso perder
tempo com beatices e
peditórios, endereçados
a um Deus que, sem
dúvida, deve estar
muito satisfeito em
morar no Céu, sem
lembrar-se deste
mundo..." A atitude de
Jovino era tão
escarnecedora que Anésia
resolveu silenciar. Ele
bateu, então, a porta
estrepitosamente sobre
os próprios passos e
retirou-se, enquanto a
companheira humilhada
caía em pranto
silencioso e, em
seguida, começou a
pensar, articulando
frases sem palavras:
"Negócios, negócios...
Quanta mentira sobre
mentira! Uma nova
mulher, isso sim!...
Mulher sem coração que
não nos vê os
problemas... Dívidas,
trabalhos, canseiras!
Nossa casa hipotecada,
nossa velhinha a
morrer!... Nossas filhas
cedo arremessadas à luta
pela própria
subsistência!" Enquanto
as reflexões dela se
faziam audíveis para
André e seus amigos,
irradiando-se na sala
estreita, viu-se de novo
a mesma figura de mulher
que surgira à frente de
Jovino, aparecendo e
reaparecendo ao redor da
esposa triste, como que
a fustigar-lhe o coração
com invisíveis estiletes
de angústia, porque
Anésia, embora não a
visse, passou a acusar
indefinível mal-estar.
Pensamentos tempestuosos
tomaram-lhe então a
mente, e Anésia passou a
dizer, de si para
consigo, mentalmente,
que conhecia aquela
mulher, aquela “boneca
de perversidade”
que há muito tempo vinha
sendo motivo de
perturbação para a sua
casa... (Cap. 19, págs.
183 e 184)
84. Um fenômeno comum
em nossos dias – À
medida que Anésia passou
a emitir pensamentos de
revide com relação à
intrusa, a imagem
projetada de longe
abeirou-se dela com
maior intensidade, como
que a corporificar-se
no ambiente, para
infundir-lhe mais amplo
mal-estar. A mulher que
dominava o espírito de
Jovino surgiu então
visivelmente
materializada aos olhos
de André, e as duas,
assumindo a posição de
francas inimigas,
passaram à contenda
mental. Lembranças
amargas, palavras
duras, acusações
recíprocas... A esposa
atormentada passou a
sentir desagradáveis
sensações orgânicas e o
sangue afluiu-lhe com
abundância à cabeça,
impondo-lhe aflitiva
tensão cerebral, de modo
que, mais se lhe
dilatavam os pensamentos
de revolta e amargura,
mais se lhe avultava o
desequilíbrio físico.
Teonília, afagando-a,
carinhosa, informou
então que havia meses
que aquele conflito se
repetia, diariamente, e
ela temia, com razão,
pela saúde da amiga.
Aulus ajudou-a então com
recursos magnéticos de
alívio, e as
manifestações estranhas
diminuíram até a
completa cessação. Em
seguida, o instrutor
elucidou o problema: "Jovino
permanece atualmente sob
imperiosa dominação
telepática, a que se
rendeu facilmente, e,
considerando-se que
marido e mulher respiram
em regime de influência
mútua, a atuação que o
nosso amigo vem
sofrendo envolve
Anésia, atingindo-a de
modo lastimável,
porquanto a pobrezinha
não tem sabido
imunizar-se com os
benefícios do perdão
incondicional". O
instrutor acrescentou
que tal fenômeno é muito
comum em nossos dias e,
como tal, enquadra-se
perfeitamente nos
domínios da
mediunidade. O fenômeno
pertence à sintonia,
onde se encontram as
origens de muitos
processos de alienação
mental. (Cap. 19, págs.
185 e 186)
(Continua no próximo
número.)