
Viva Além da Crise
foi o tema das Jornadas
de Cultura Espírita
Promovida pela ADEP –
Associação de
Divulgadores de
Espiritismo de Portugal,
a edição deste ano
realizou-se nos dias 21
e 22
de abril na bela
Vila de Óbidos
Estava a Europa posta em
relativo sossego, e eis
que a famosa crise
econômica invade os
lares com assustadoras
perspectivas para o
futuro. Na televisão
pontificam os
economistas, falando uma
nova língua feita de
subprimes,
bubbles, spreads
e outros palavrões que
para o comum cidadão se
traduzem em desemprego,
falta de dinheiro e
dificuldades crescentes.
A crise econômica será
apenas um acidente de
percurso na engenharia
financeira, um capricho
inexplicável desse deus
dos dias atuais que é o
“mercado”? Ou será a
ponta de um iceberg
que faz adivinhar uma
crise mais profunda – a
dos valores?
Foi à volta destas
apreensões e destas
interrogações que a
ADE Portugal
resolveu escolher o tema
“Viva Além da Crise”
para esta edição das
suas Jornadas de
Cultura Espírita. No
fim-de-semana de 21 e
22 de Abril de 2012,
todos os caminhos foram
dar ao Auditório da
Casa da Música, na
histórica e encantadora
Vila de Óbidos. A
transmissão via Internet
não foi possível, por
motivos técnicos alheios
à Organização, mas os
vídeos estarão em breve
disponíveis no site da
ADE Portugal.
Tratando-se de um evento
espírita, ninguém ia na
expectativa de encontrar
receitas milagrosas para
obter fortuna material,
como acontece em certas
correntes new-age
e em setores religiosos
que prometem fazer
chover dinheiro. Em vez
disso, a audiência foi
brindada com reflexões
muito sérias, mas
agradáveis de seguir,
sobre as crises nos
contextos histórico,
antropológico,
psicológico, geológico,
biológico, econômico,
social, familiar e
espiritual.
Temos que viver com os
pés na Terra, mas com os
olhos no Céu
Se tivéssemos que
resumir estas Jornadas
numa frase,
escolheríamos um trecho
do inesquecível O
Ponto de Vista, de
O Evangelho segundo o
Espiritismo: A
ideia clara e precisa
que se faz da vida
futura dá uma fé
inabalável no porvir, e
essa fé tem
consequências enormes
sobre a moralização dos
homens, porque muda
completamente o ponto de
vista pelo qual eles
encaram a vida terrena.
Para aquele que se
coloca, pelo pensamento,
na vida espiritual, que
é infinita, a vida
corporal não é mais do
que rápida passagem, uma
breve permanência num
país ingrato.(…)
Estas palavras, tão
significativas da
Doutrina Espírita, não
podem ser letra morta, e
é nos momentos difíceis
que ganham maior
significado. Há que
viver com os pés na
Terra mas com os olhos
no Céu. |
Paulo Mourinha
(foto),
médico e psicólogo de
profissão, analisou o
stress e a depressão,
apontando o caráter
cíclico e necessário das
crises, conducentes a
novos (e melhores)
paradigmas. Neste caso,
o paradigma que desponta
parece apontar para um
reequilíbrio entre “ter”
e “ser”, após um período
de materialismo
exacerbado.
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Francisco Curado
(foto),
cientista e professor
universitário,
assinalou
que o
Universo
não
evolui
de forma
linear,
da micro
à macro
escala,
e que há
momentos
de
aceleração.
Apresentou
análises
de
diversos
pesquisadores
sobre o
movimento
cíclico
evolutivo
e citou
exemplos
históricos,
como o
da
civilização
Maia ou
da que
viveu na
Ilha de
Páscoa.
Lembrou
que
alguns
pesquisadores
compararam
a Terra
à Ilha
de
Páscoa,
o que é
um
poderoso
alerta
para a
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forma
como
usamos
os
nossos
recursos. |
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Os problemas são muitos,
mas os desafios são
também entusiasmantes
O jornalista e
naturalista Jorge
Gomes estabeleceu um
interessante paralelo
entre as crises humanas,
e a Geologia e a
Biologia. Da Natureza
colhemos a lição de que
a vida pressupõe níveis
de instabilidade. E o
Espiritismo lembra-nos
que já enfrentamos
muitas crises, em
anteriores existências
carnais. O exemplo do
lobo de menor estatuto
da matilha, que chega a
ser expulso e sozinho
faz das fraquezas
forças, foi sugestivo.
Andreia Nunes
(foto),
jovem psicóloga clínica
com respeitável
currículo acadêmico e
profissional, embora não
sendo espírita, acedeu
amavelmente a palestrar
neste evento, e encantou
a audiência com uma
dissertação sobre as
dificuldades conjugais
que se agravam nestes
tempos difíceis. Os
problemas são muitos,
mas são entusiasmantes
os desafios que se
apresentam aos pares que
o amor uniu. Foi
especialmente tocante
sua sugestão de que
ambos a |
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cada dia
procurem
completar a
frase “Hoje fui
feliz porque…”.
Mesmo que só
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tenham jantado
um prato de sopa
– acrescentou.
A Amélia Reis,
professora aposentada,
coube abordar um dos
problemas dos nossos
dias: o impacto da
separação dos pais na
vida dos filhos. Uma
abordagem lúcida,
responsabilizadora e
enaltecedora das
responsabilidades de
mães e pais. |
Em Espiritualidade,
quanto mais capital se
divide, mais capital se
multiplica
Uma apresentação
invulgar, com uma
dinâmica de sketch,
foi trazida por
José Lucas (militar)
e Noémia Margarido
(técnica de contas), que
se atreveram a tratar os
temas do suicídio,
homicídio, pena de morte
e aborto, com o otimismo
inquebrantável que a
Doutrina Espírita
possui.
Na última mesa-redonda
do dia a psiquiatra
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Gláucia Lima,
presença habitual nas
Jornadas,
juntou-se ao
painel e
respondeu a
questões do
auditório,
relacionando
Psiquiatria e
Espiritismo.
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O segundo dia iniciou-se
com a eterna jovialidade
de Lígia Pinto,
médica especialista em
Geriatria e
investigadora, que
abordou outro tema
quente, a eutanásia.
Aliando conhecimento
científico e solidez
doutrinária, destacou o
papel do livre-arbítrio,
da emancipação moral que
o Espiritismo aponta a
uma Humanidade
que se liberta
dos |
ditames
religiosos
dogmáticos e vai
entrando na
maioridade
espiritual. |
Especialista em
Informática, professor e
webmaster da ADE
Portugal, Vasco
Marques destacou o
papel das redes sociais
na atividade humana em
geral e na divulgação do
Espiritismo.
Isaías Sousa
(foto),
economista, surpreendeu
o auditório com um tema
invulgar – “A Economia
do Espírito” –
demonstrando que em
Espiritualidade, quanto
mais capital se divide,
mais capital se
multiplica. O “mercado
da virtude” ou as
dívidas que Deus
transforma em
oportunidades foram
algumas das imagens
usadas, numa comunicação
|
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cativante, que
conseguiu o
feito inédito de
comover corações
com Economia,
gráficos e
números. |
Em nosso orbe, cada um
de nós tem a sua parcela
de virtudes e fraquezas
A última comunicação
coube ao professor
Reinaldo Barros, que
sintetizou tudo o que
fora dito, na sua
palestra “Reaprender a
Viver”. Com efeito, em
tempos em que a Economia
está na ordem do dia, a
ideia que fica é de que
a Humanidade terrena
está sentada sobre uma
mina de ouro que
ainda não descobriu.
Urge não cometer os
mesmos erros que os
habitantes da Ilha de
Páscoa outrora
cometeram, esgotando-se
em lutas estéreis e
consumindo totalmente os
seus recursos materiais.
A Espiritualidade –
neste caso interpretada
pelo modelo espírita – é
o precioso recurso que
ainda não exploramos
eficientemente. É
inesgotável, e se usado
caritativamente, poderá
enformar a nova
Sociologia, a nova
Economia, a nova era de
paz e harmonia que a
Humanidade busca.
Citando Paulo Mourinha,
"O Espiritismo é o
movimento social mais
revolucionário que a
Humanidade já conheceu".
Na intervenção de
encerramento, João
Xavier de Almeida
(foto),
aposentado,
ex-presidente da
Federação Espírita
Portuguesa, membro
honorário e presidente
da Assembleia Geral da
ADEP, lembrou, com
desarmante singeleza,
que Deus está com todos
nós. “Está aqui neste
momento e basta
que pensemos
nele uns
segundos para
sentirmos a Sua
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paz.” Rejeitando
a busca
obstinada de
culpados
exclusivos das
crises, lembrou
que cada um de
nós tem a sua
parcela de
virtudes e
fraquezas. A
progressiva
sintonia com
Deus trará a
progressiva
perfeição das
instituições e
sociedades
humanas. O
decano dos
espíritas
portugueses não
precisou falar
bastante para
dizer muito.
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Uma palavra para os
belos momentos musicais
oferecidos pelo jovem
pianista Rafael
Araújo
(foto),
pelo grupo
juvenil do Centro de
Cultura Espírita, e
pelos adultos
Reinaldo Barros,
Inês Guinote,
João Paulo & Filomena,
que viriam a interpretar
em conjunto uma
memorável versão de
“Essa Luz ao Fim da
Tarde”, já quase no
final do evento.
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Lamentou-se, mais uma
vez, a ausência da
imprensa não-espírita,
que ainda não se
interessa pela candeia
que a ADEP teimosamente
insiste em colocar sobre
o alqueire.
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