Terá que ser construído
Um dia alguém perguntou:
até quando o mundo
ficará sob a égide das
dificuldades sem conta
que se acumulam e se
repetem todo dia? A
pessoa indagada disse
que enfrentou a mesma
dúvida a saiu na procura
de resposta, que
encontrou. Trago aos
leitores no poema O
Dia Prometido, que
foi a resposta àquela
dúvida:
Deslocando-me no espaço,
Para o mundo visitar
Na ânsia de levar meu
abraço
No esforço quase
inaudito
Roguei ao Senhor do
Infinito
Duas asas para voar
E o Senhor da Eterna
Grandeza
Impulsionou-me no espaço
a fora
E eu que contava ver
tanta beleza
De fato, ouvi cantar a
Natureza
Mas vi também o ser que
chora
Visitei países tão
estranhos
Que mais pareciam mundos
de degredos
Vi pastores espancar
rebanhos
Vi brancos humilhar os
negros
Vi hospitais
superlotados
De seres desequilibrados
No auge da idiotia
Vi crianças chorar à
noite
Tendo fome por açoite
E seus pais a dormir de
dia
Vi mãos maternas
cruzadas sobre o peito
que não arfava
Irrigado pelas lágrimas
de um menino que
soluçava
Então me voltei ao
Senhor das Alturas
Queria saber qual o dia
do destino
Que marcava para a Terra
O nascer da felicidade
E o morrer dos desatinos
Respondeu-me o Senhor
com bondade
O dia já foi prometido
Mas antes terá que ser
construído
Por essa Humanidade
O dia perene do Amor e
da Caridade!
O belíssimo poema, de
autoria de José Grosso,
está no belo romance
A Casa da Lareira,
oportuna e comovente
obra do amigo Álvaro
Basile Portughesi. O dia
do amor e da caridade,
esta que não se resume
na doação de coisas, mas
na vivência plena do
respeito às diferenças e
do esforço permanente
pela gentileza, pela
bondade, pela atenção,
pela fraternidade. Terá
mesmo que ser
construído... Está mesmo
tudo por fazer.