Dr. Fritz
e o acautelado
Na manhã de 5 de junho
do corrente ano de 2013,
descarregando alguns
materiais no local de
trabalho, de súbito, meu
pé direito se enroscou
em restos de produtos e
plásticos que se achavam
no local, e a perna
dobrou-se, vindo o
joelho a chocar-se
violentamente no piso
sólido, provocando-me
forte dor e,
imediatamente, inchaço
na região.
Procurei socorro em
alguns centros médicos
do setor público, e,
após constatar a demora
de tal atendimento, e,
cogitando que tudo ia
melhorar em curto espaço
de tempo, desisti. E
este fora o meu grande
engano. Passados alguns
dias, o joelho não
desinchava e as dores
eram constantes em
função dos movimentos
que diligenciava
executar, em vão. Fora
aí, certamente, que
constatara ser o
problema um tanto mais
grave, e, novamente,
estive a procurar
socorro medicinal. Em um
dos centros médicos que
buscara, verifiquei que
só seria atendido, via
consulta ao ortopedista,
daí a dez dias.
E demandei outros locais
de atendimento. Por
sorte, num deles, fui
recepcionado com
presteza e, confesso,
por atendentes e médicos
muito gentis. Em cerca
de duas horas pude fazer
exame de sangue e uma
chapa de raios-X. Deus
me atendera as preces,
finalmente. E, portanto,
eu saberia, com maior
precisão, qual era o meu
problema, o que, de
fato, fora atingido,
lesionado com a queda.
E, de tal exame,
constatou-se que eu
tinha fraturado a rótula
(patela) em dois lugares
e, lógico, teria
esmagado tecidos e
músculos constituintes
da região, afetando-os
com alguma gravidade. E
os doutores, uma, de
longa experiência, e o
outro, já se formando,
me recomendaram repouso
absoluto, pois não se
tem como engessar ou, de
outra forma, tratar o
meu caso. Mas como? O
pobre coitado precisa
trabalhar para o seu
sustento! Mas Deus não
nos desampara! E o fato
é que estou sendo
socorrido por parentes e
amigos generosos que
surgiram de toda parte.
Mesmo assim, e, um tanto
desolado, me atinara a
ideia procurar um médium
que opera com o famoso
Dr. Fritz aqui em
Uberaba, na Chácara Vale
do Sol que também abriga
o Centro Espírita de
mesma denominação.
E, num domingo de sol,
pela manhã, pensamentos
insistiam-me que eu
deveria ir à tal chácara
para saber o dia dos
atendimentos, do horário
que deveria chegar, e
coisas do gênero; o
calendário marcava 23 de
junho do corrente. E
mesmo com a perna um
tanto imobilizada, me
munira de minha nova
companheira, uma muleta
canadense, e me dirigi
ao local não muito
distante de minha
moradia. E, às dez horas
da manhã, me achava no
portão do referido
médium: o Sr. Maurício.
Eu já o conhecia, pois
havia consolidado,
tempos atrás, uma venda
de Forros em PVC para a
sua chácara. Mesmo
assim, se eu o conhecia,
como o Sr. Maurício lida
com muita gente, talvez
ele não se lembrasse de
mim. E tornei a bater
palmas, pois não era
atendido; e, insistindo,
retornei ao expediente
das palmas mais uma vez.
Fora quando, lá dos
fundos da chácara, o
ouvi gritar: Quem é?
Que, que foi? E ele veio
a mim, prudente e
austero como sempre.
Ao aproximar-se, expus o
meu problema,
mostrei-lhe o joelho
bastante intumescido e
ele convidou-me a
entrar. Dirigimo-nos,
então, a uma sala de
paredes alvas e muito
bem higienizada do seu
atendimento. Quando ele,
então, alegou-me não
atender fora dos dias de
trabalho no centro; mas
que abriria uma exceção.
Já, por aí, constatei no
médium sua boa vontade,
seu amor e sua dedicação
ao próximo sofredor.
Na referida sala de
atendimento, após uma
prece, e, sob forte
inspiração, pediu-me o
Sr. Maurício que eu me
sentasse numa cadeira e
fechasse os olhos. Segui
à risca, e, naquele
momento, não era somente
o incômodo do joelho que
me atormentava, mas
também a dúvida no
tocante ao que estava
por vir; afinal, ele
pediu-me para fechar os
olhos, e os cerrei. Foi
quando senti agulhas
penetrando-me os tecidos
flácidos do joelho, e
confesso que o
procedimento não é assim
tão indolor, não! Dói um
tanto sim; bem menos,
mas dói. Ora, trata-se
de agulhas penetrando
peles, carnes, tecidos,
nervos, e como ser
indolor? Mas tudo bem!
Se for para melhorar,
tudo bem!
Então, após alguns
instantes do
procedimento, o médium
pediu-me que abrisse os
olhos e os descerrei.
Fora quando, para minha
surpresa, o mesmo
mostrou-me diversas
ampolas com líquidos
tingidos por sangue, e,
também água, retirados
do joelho lesionado.
Após mais alguma
conversa amigável que se
desenrolara, dirigi-me a
ele questionando o que
deveria fazer para
retribuir-lhe o que
fizera por mim. Deveria
pagá-lo por tal? E ele,
retrucou-me com alguma
seriedade: “deve me
pagar sim”. E emendara a
seguir: Com um sorriso!
Sorri, agradeci e de lá
me afastara sem dor
alguma e bem melhor do
que quando chegara.
Retornei
a minha casa mais
otimista pelo fato de
que, mais dia, menos
dia, iria obter minha
tão desejada cura;
afinal, joelho é
complicadíssimo, demanda
tempo para sua completa
restauração. Todavia,
confesso que dúvidas
passaram a atormentar-me
intimamente. Talvez por
excesso de prudência, de
pouca fé, levando-me à
sintonização negativa e
propiciando-me ideias
infelizes, sutis
obsessões.
E se o referido médium
não estivesse com a
verdade quando me
mostrou aquelas ampolas
com os mais diversos
líquidos de mim
extraídos? Afinal, ele
pediu-me que fechasse os
olhos.
Teria sido o
procedimento todo uma
fraude? Somos seres
humanos e, por isso
mesmo, suscetíveis de
equívocos os mais
lamentáveis.
E questionava de mim
para comigo mesmo: O
médium teria agido de
boa-fé? Fui ou não fui
ludibriado? Teria mesmo
me submetido à tal da
cirurgia
médico-espiritual?
As agulhadas dolorosas
eu senti, mas não vi o
médium fazer o completo
procedimento de retirada
dos diversos líquidos do
meu joelho, pois eu
estava de olhos
cerrados, a pedido dele
mesmo. E a dúvida do
“Tomé cientificista” me
acompanhara por quatro
dias, pois que, na
quarta feira próxima eu
deveria retornar para o
dia normal dos
trabalhos, onde o médium
opera com o Espírito de
farta reputação nos
rincões deste nosso
país: o tal do Dr.
Fritz.
E, na quarta feira,
26/06, me preparei para
o retorno combinado e,
na hora adequada, para a
tal chácara me conduzi.
Lá chegando, me deparei
com uma multidão,
doentes de todo gênero
buscando a cura de seus
males. E mais gente fora
chegando. De quando em
vez, ouvia relatos de
pessoas desencantadas
com a Medicina
tradicional e que se
curaram nas mãos do Dr.
Fritz. Mas o pedido de
Silêncio era sempre
solicitado. Silêncio e
prece, ou seja:
sintonização com a
Espiritualidade Maior. E
passes, e mais passes,
em salas limpas e bem
preparadas para tal,
eram conferidos a todos.
E água fluída também,
naquele ambiente de paz,
de fraternidade e,
confesso, de amor
incondicional.
Mas o momento é meio
conturbado! E, por nós
mesmos: nossas dúvidas e
questionamentos
interiores. Ignorando o
que sucederá conosco,
implanta-se uma
expectativa geral! E
novos pedidos de
Silêncio se ouvem a todo
instante, exortando que
os palavrórios sejam
substituídos pela prece,
pela súplica ao Senhor!
Pelas oito horas da
noite, o médium, um
tanto circunspecto,
aparece. Muito
simpático, e, de
indumentária mui alva,
adentra ele o grande
recinto constituído por
um galpão de estruturas
e telhas metálicas, sem
paredes, contudo.
Ouvem-se aplausos ao
médium; e entrando na
onda, também aplaudi
contagiado; pois que o
médium também nos
aplaude numa troca de
carinho e de
amabilidades cristãs. É
interessante! Sentia
como se os aplausos
fossem dirigidos à
Espiritualidade Maior,
ao ambiente de amor e de
paz proporcionado por
Jesus e seus muitos
prepostos. E Música
diversa se faz ouvir.
Mais ainda: constatei
que o médium, naquele
momento de prece e de
caridade cristã,
apresentava conduta
ecumênica, pois que, no
curso de mais ou menos
sessenta minutos, erguia
nos braços, e nos
mostrava, por diversas
vezes, quadros, pequenas
estátuas e bustos de
Chico Xavier, de Nossa
Senhora Aparecida e de
outros grandes
espiritualistas e santos
de nossa memória. E os
aplausos imediatamente
se fazem ouvir! Ora, o
médium está lidando com
gente, com povo de fé a
mais diversa, e este é o
meio de tal fé
robustecer-se inspirada
nos grandes vultos da
humanidade
representativos da fé
cristã, universal, e não
deturpada por rotulações
religiosas de caráter
humano: que separa e não
une.
Pelas nove horas da
noite, após uma sua
humilde preleção,
nota-se que o aspecto
pessoal, físico e
espiritual do referido
médium se transmuda
notoriamente. Ele fica
diferente! Seus olhos se
esbugalham e ele reflete
luz! Seu caminhar não é
mais o dos humanos, pois
ele parece volitar! Seus
passos são lentos, mas,
ao mesmo tempo,
cadenciados e parecem
elevar-se acima do solo,
indubitavelmente!
Algo de divino, e não
humano, propriamente
falando, se constata
ali.
E, então, tenho a
certeza granítica de que
o Dr. Fritz chegou,
incorporou-se ao médium
diante de nossos olhos
expectantes, e os
trabalhos, sem perda de
tempo, se iniciam. Nesta
noite, constato que
sessenta pessoas ou mais
serão atendidas,
operadas pelo Dr. Fritz.
De minha parte: mais
expectação, mais
dúvidas: o que vai ser
de mim? O que o Doutor
do astral vai fazer
comigo? Sairei dali com
as mesmas dúvidas de
antanho? Irei curar-me?
Ser penetrado por
agulhas, tesouras e
outros instrumentos
cortantes de que o Dr.
Fritz faz uso, curando
enfermos, debilitados de
corpo e alma, e outros
males, enfim?
Até que, chegada a minha
vez, fui conduzido ao
médium. Deu-me água
fluída e pediu-me que
sentasse numa
determinada cadeira.
Levantei a calça acima
do joelho direito, e,
frente a frente com
aquela autoridade
médica, ele abaixou-se
até ao joelho dolorido
e, fitando-me, de baixo
para cima, pois que se
achava num plano abaixo
do meu, em voz firme e
segura dirigiu-se a mim
que estava temeroso e
com os olhos cerrados:
“Abra os olhos!”.
De pronto, obedeci! E
ele iniciara o
procedimento das
agulhadas, retirando
líquidos diversos do
joelho; e, eu, o “Tomé
Cientificista”, de olhos
bem abertos, muito
arregalados, assistindo
a tudo e constatando
positivamente que o Dr.
Fritz em mim estava
operando. E ele bradou,
fixando em mim os
reluzentes olhos:
“E agora, você está
vendo?” “Constata a tudo
o que lhe faço?” “Não
tens mais dúvidas de que
lhe opero”? “Vês, agora,
de olhos abertos”.
E, fitando-o, lacrimoso,
reconheci que sim! Que
mais dúvidas não
restavam em mim, pois
que o Espírito do Dr.
Fritz sabia, de antemão,
de minhas mais íntimas
dúvidas e as afastara de
vez. E, finalizado o
procedimento, fui então
acolhido por amoráveis
irmãs que me ampararam
para os procedimentos
finais. E, agradecido,
me despedi dos amigos
mais próximos a mim, e
de lá me retirei sem
dores e sem dúvidas
outras que dantes me
atormentavam o Espírito
perquiridor.
Para o mestre
codificador, em “A
Gênese” (Allan Kardec –
1868 – Feb), o que
pensamos reflete em
nosso corpo espiritual.
Segundo ele: “Criando
imagens fluídicas, o
pensamento se reflete no
envoltório
perispirítico, como num
espelho; toma nele corpo
e aí de certo modo se
fotografa”. (Opus Cit.).
E, mais adiante,
ministra: “Desse modo é
que os mais secretos
movimentos da Alma
repercutem no envoltório
fluídico; que uma Alma
pode ler noutra Alma
como num livro, e ver o
que não é perceptível
aos olhos do corpo”.
(Opus Cit.).
Assim, o que se
constata, é que o
Espírito do Dr. Fritz
tivera conhecimento do
que se passava comigo,
ou mesmo, me visitara
dias antes desta segunda
e reveladora sessão,
onde eu, o “Tomé”, nada
pudera esconder dele,
por exteriorização dos
meus mais íntimos
pensamentos, pois que:
“O homem nada pode
ocultar dos Espíritos
que nos circundam, e,
por conseguinte, nada
pode ocultar de Jesus,
de Deus em Sua
Onisciência, Sua
Contínua Imanência em
nós mesmos”.