Um leitor desta revista
apresentou-nos uma questão
bastante interessante
referente às comunicações de
pessoas ainda encarnadas, um
tema já comentado nesta
seção nas edições 152 e 290
desta revista.
Pergunta-nos ele:
Diante da manifestação de um
Espírito ainda encarnado,
como saber se ele está
realmente encarnado, visto
que é comum Espíritos
desencarnados, por ignorarem
a própria desencarnação,
dizerem que não morreram?
É verdade. Muitos Espíritos
que se manifestam nas
sessões mediúnicas mostram
ignorar o estado em que se
encontram. É comum então que
se apresentem inquietos,
confusos e às vezes
revoltados, porque dizem que
em sua casa ninguém mais
lhes fala. Eles perguntam e
ninguém responde, sem terem
a mínima ideia de que tal
situação decorre do fato de
que, ao desencarnar,
tornaram-se “invisíveis”
para aquelas pessoas, seja
no lar, seja na rua, seja no
ambiente profissional.
Lembramo-nos de que na
cidade onde nascemos, alguns
anos depois de sua morte
corpórea, uma jovem
professora ainda era vista
por um médium vidente
adentrando o colégio para
ali lecionar. Segundo o
médium pôde ver em várias
oportunidades, ela levava
consigo os livros e demais
materiais de uso do
professor, o que revela
claramente que ignorava seu
estado de Espírito
desencarnado.
Léon Denis narra, a respeito
do assunto, um curioso fato,
lembrando inicialmente que
esse gênero de manifestações
introduz quase sempre um
elemento de confusão e erro
nos fenômenos de “transe”,
sendo preciso uma
experiência consumada para
os não confundir com as
manifestações dos
desencarnados.
Durante três anos
consecutivos, o Espírito de
uma pessoa viva
manifestou-se, por via de
incorporação, no grupo que
ele dirigia na cidade de
Tours, França, sem que nada
o pudesse distinguir dos
Espíritos desencarnados que
ali habitualmente se
comunicavam.
Os pormenores mais positivos
foram pelo comunicante
fornecidos acerca de sua
identidade. Dizia chamar-se
B. e havia sido sacristão da
vila de D., na Sarthe. A voz
arrastada, o gesto lento e
fatigado, a atitude curvada
contrastavam com as atitudes
e gestos próprios do médium
e dos outros Espíritos
familiares.
Sempre que B. se
manifestava, era possível
reconhecê-lo logo às
primeiras palavras
proferidas. Punha-se então a
narrar por miúdo os menores
incidentes de sua vida, as
admoestações do vigário, por
motivo de sua preguiça e das
bebedeiras que tomava, o mau
estado da igreja e dos
paramentos confiados aos
seus cuidados, e até suas
infrutíferas pesquisas no
Espaço, a fim de encontrar a
confirmação do que lhe havia
sido ensinado. Tudo nele –
propósitos, recordações,
pesares – dava a Léon Denis
e seus companheiros a firme
convicção de estarem
tratando com um
desencarnado.
Não foi pequena por isso a
surpresa que todos
experimentaram quando um
membro do grupo, tendo ido à
indicada região e sido
encarregado de proceder a
uma pesquisa, descobriu que
B. ainda pertencia a este
mundo. Tudo o que havia ele
dito nas comunicações era,
ademais, exato.
O companheiro de Denis pôde
vê-lo e conversar com ele.
Achando-se velho e cada vez
mais dado à preguiça e à
embriaguez, tivera que
abandonar suas funções.
Assim, todas as noites, às
primeiras horas, se deitava
e adormecia profundamente.
Podia então exteriorizar-se,
transportar-se até o grupo
de Tours e incorporar-se em
um dos médiuns, a quem o
prendiam laços de afinidade
cuja causa se conservou
sempre ignorada.
À vista desse relato,
nota-se que é preciso
realmente experiência e
argúcia para que se faça a
necessária distinção, motivo
que reforça a orientação,
hoje bem conhecida, de que
na doutrinação não se deve
dizer ao Espírito
comunicante: “Você morreu”.
Essa informação alguém lhe
dará, se realmente for
verdadeira; não nos cabe tal
tarefa.
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