O Milagre da Vida
Como
entender a relação entre
a embriologia e a alma
humana
Na palestra O Milagre
da Vida, que
proferiu no dia 5 de
junho, dentro da
programação do MEDNESP
2015, realizado em
Goiânia, o professor Dr.
Romário de Araújo Mello
apresentou ao público
aspectos de seu mais
recente livro –
Embriologia e Fetologia
da Alma, em que
narra, de forma clara e
objetiva, o processo de
formação fetal e suas
relações com a
espiritualidade.
Dr. Romário é
embriologista e
especialista em
malformações
embrionárias envolvendo
aspectos genéticos e
ambientais, com mestrado
e doutorado pela
UNICAMP. Destacou-se no
meio universitário como
professor e pesquisador,
sendo considerado pelo
SEMESP (Sindicato das
Entidades Mantenedoras
do Estado de São Paulo)
como um dos dez melhores
professores do Estado de
São Paulo e que mais
influenciaram seus
alunos no campo da
aprendizagem e da busca
do conhecimento.
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É ele também membro
efetivo da Sociedade
Brasileira de
Cancerologia, da
Sociedade Brasileira
para o Progresso da
Ciência, da Associação
Médico-Espírita de
Campinas, do
Developmental Biology,
do The American Research
Board e do IRCS Medical
, tendo sido agraciado
com diversos prêmios
internacionais pela
distinção em seu
trabalho.
Dr. Romário de Araújo
Mello falou-nos sobre o
tema que abordou no
congresso
médico-espírita
realizado no início
deste mês em Goiânia.
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Sobre o que trata o
livro Embriologia e
Fetologia da Alma?
Romário Mello: O livro
retrata os aspectos
relacionados ao
desenvolvimento
embrionário, pois desde
a gravidez de minha
cunhada na adolescência,
senti que devia dedicar
a minha vida a estudar o
desenvolvimento
embrionário como meta de
minha vida.
Posteriormente, em 1969,
quando li o livro
Missionários da Luz,
pelo espírito de André
Luiz, que retrata a
reencarnação de
Segismundo, a minha
vontade não só de ler,
mas de mostrar tudo
aquilo, intensificou-se
ainda mais. Mas o tempo
passou, e depois de mais
de três décadas dando
aulas de embriologia e
fetologia tanto teóricas
como
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práticas, senti
que era
necessário
mostrar para os
leigos um pouco
sobre o assunto.
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Quando você percebeu o
interesse do público em
saber um pouco mais
sobre a relação entre a
embriologia e a alma
humana?
Desde a década de 1980.
Foi quando comecei a
levar este trabalho para
as casas espíritas, em
algo denominado, o
‘milagre da vida’. Neste
período entendi que
nascer e morrer
representam a mesma
coisa e que só
entendemos a morte
quando compreendemos a
vida. Quando aprendi
esse aspecto, minha vida
mudou e espero que novas
vidas possam mudar
também. Assim, desde o
início desde século,
essa necessidade de se
deixar um livro impresso
vinha se intensificando
cada vez mais,
principalmente porque,
como poderão ver no
prefácio do livro, meu
amigo espiritual também
intuía para que isso
acontecesse, pois, para
o Augusto, aliar o
conhecimento científico
com os conhecimentos
espirituais eram
significativos neste
momento.
Quais aspectos da
sexualidade são
abordados no livro?
Embriologia da Alma
aborda inicialmente a
nossa própria
sexualidade, pois hoje
não podemos entender que
só existem dois sexos:
homem e mulher. Ocorrem
nascimentos de
hermafroditas
verdadeiros, de
pseudo-hermafrodita
masculino,
pseudo-hermafrodita
feminino, de indivíduos
sem sexo e de indivíduos
com mutação nos genes
responsáveis pelo
desenvolvimento da
genitália e isso é muito
importante para que
todos tenham uma maior
aceitação para aqueles
que têm desvios de sua
sexualidade como
consequência da Lei de
Causa e Efeito. Mesmo
para os chamados
espíritas, o olhar nesse
sentido para muitos
ainda é de puro
preconceito. Em seguida
analisamos o sexo como
impulso criativo, visto
que todos nós viemos de
um relacionamento
sexual, que sempre
imaginamos tenha sido
com muito amor, mas
sabemos que nem sempre é
assim, sendo esta a
razão que levam mães a
abortarem seus filhos.
Mas deixo claro que o
aborto lesa o corpo
espiritual do espírito e
que este fato, às vezes,
precisa de décadas para
consertá-lo. E é isso
que precisamos mostrar
para os nossos
adolescentes! Desde o
início, também existem
os fetos que sofrerão
rejeição no útero
materno e terão sérios
problemas na formação de
sua personalidade, já
que esta começa a ser
formada na vida dentro
do útero e tudo isso
hoje pode ser muito bem
estudado.
Então podemos afirmar
que durante os primeiros
instantes de vida já
temos impressões que nos
marcarão de forma
positiva ou negativa em
nossa existência?
Sim. Posteriormente
dedicamos a estudar o
processo de formação dos
gametas, a chamada
gametogênese que leva à
formação do óvulo e do
espermatozoide, e todo o
processo de fecundação
que envolve o magnetismo
de atração do
espermatozoide e do
óvulo e como a
Espiritualidade Superior
age nesse período. A
seguir, mostramos todo o
processo de clivagem ou
segmentação, que é o
aumento do número de
células a partir da
célula-ovo, que inicia o
processo de divisão
mitótica, em que ocorre
conservação do material
genético. Assim, todas
as células resultantes
desse processo têm o
mesmo material genético
da célula-ovo; essas são
as chamadas
células-tronco
embrionárias que a
priori podem dar origem
a qualquer tipo de
célula do nosso corpo.
Depois, estudamos o
processo de gastrulação,
que leva à formação dos
chamados folhetos
embrionários que dão
origem a todos os
órgãos; a isto chamamos
organogênese. Essa é a
embriologia normal de
todos nós e ela demora
simplesmente oito
semanas, ou seja, dois
meses.
E o que ocorre depois?
A partir do terceiro mês
de desenvolvimento, só
crescemos e passamos a
ser chamados de fetos.
Por conta disso, fiz uma
recapitulação dos dois
primeiros meses numa
sinopse do
desenvolvimento e todos
os acontecimentos que
ocorrem nos meses
subsequentes até o nono
mês de gestação. Para
isso mostro o que
acontece com o
desenvolvimento do bebê
aliado ao que as mães
sentem nesse período,
tendo ouvido várias
mulheres para que essa
sinopse seja a mais real
possível. Finalmente, o
livro aborda o
nascimento, formação de
gêmeos e todo o processo
de interação que deve
existir entre os pais e
o bebê depois do
nascimento.
Há também fatores
externos que podem
prejudicar a formação do
bebê?
Sim, no livro faço
também uma abordagem de
como drogas como
cigarro, álcool e outras
substâncias, até mesmo
medicamentos triviais,
que chamamos de
cabeceira, podem atingir
a criança em
desenvolvimento. Mostro
também que se a criança
após o seu nascimento
pode reconhecer a voz da
mãe e se acalmar com
ela, isto pode acontecer
também com o pai, se o
mesmo interagir com a
criança principalmente a
partir do quarto mês de
gestação, quando o seu
aparelho auditivo está
completo. Importante
também salientar que o
livro retrata também que
a mulher grávida, além
da prestação de serviço
orgânico à entidade que
se reencarna, é
igualmente constrangida
a suportar-lhe o contato
espiritual que sempre
constitui um sacrifício
quando se trata de
alguém com escuros
débitos de consciência.
Assim, a organização
feminina durante a
gestação sofre
verdadeira enxertia
mental. Os pensamentos
do ser que se acolhe no
seu íntimo envolvem-na
totalmente, determinando
significativas
alterações em seu corpo
biológico. Se o filho é
senhor de larga evolução
e dono de qualidades
morais, consegue
auxiliar o campo
materno,
prodigalizando-lhe
sublimadas emoções e
convertendo a
maternidade,
habitualmente dolorosa,
em estado de esperanças
e alegrias
intraduzíveis. Mas
quando ambos – mãe e
filho – apresentam
encarnações de ajustes
nas mesmas dívidas e na
mesma posição evolutiva,
influenciam-se
mutuamente.
A mãe, por estar
gestando, pode
influenciar
espiritualmente o bebê
que está gerando?
A mãe atua de maneira
decisiva na formação do
novo ser, estabelecendo
fenômenos perturbadores
em sua constituição,
pois a mulher tem de
doar de seu próprio
magnetismo fluidos
necessários ao
desenvolvimento
embrionário e fetal.
Assim a permuta de
impressões entre ambos é
inevitável e os
padecimentos que a
criança traz na mente
são impressos na mente
materna, que os reproduz
no próprio corpo. É
muito importante que nós
homens tenhamos
consciência desses
acontecimentos para
entendermos as mudanças
de comportamento que
podem acompanhar a
gravidez e estarmos
aptos sempre a ajudá-las
nessa difícil fase de
transição. É preciso que
nesse período possamos
dar toda a tranquilidade
emocional de que a
mulher grávida precisa
para levar a bom termo
sua gravidez. Nós homens
somos os sustentadores
emocionais de nossa
companheira, pois as
mentes da mãe e do filho
se ligam, se entrelaçam
mantendo-se em
permanente comunhão até
que se complete o
desenvolvimento
embrionário e fetal.
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