Em mensagem publicada na
seção de Cartas da edição
passada, uma leitora do Rio
de Janeiro (RJ) enviou-nos a
seguinte mensagem:
Hoje na reunião mediúnica
aconteceu um fato com uma
das médiuns que surpreendeu
a todos. Enquanto fazia um
desenho por intermédio de um
Espírito, recebia a mensagem
psicofônica de outro. Só na
terceira mensagem
psicofônica este se
identificou com o desenho
que era feito durante as
outras comunicações. Como se
explica esse fato? Onde
posso encontrar maiores
esclarecimentos para o
grupo?
Embora raro, o fenômeno
descrito é perfeitamente
possível. Vemos referência a
casos semelhantes no livro
Condomínio Espiritual,
de Hermínio C. Miranda,
publicado pelo Instituto
Lachâtre, 2011, e em O
Fenômeno Espírita, de
Gabriel Delanne, tradução de
Francisco Raymundo Ewerton
Quadros, 4ª edição, FEB,
1937.
Conforme relatado por
Delanne, em depoimento
acerca da jovem médium Kate
Fox, William Crookes disse
que, enquanto Kate escrevia
automaticamente uma mensagem
para um dos assistentes,
outra comunicação, sobre
outro assunto, lhe era dada
para outra pessoa, por meio
do alfabeto e das pancadas.
E, durante todo o tempo, a
senhorita Fox conversava com
uma terceira pessoa sobre
outro assunto. (O
Fenômeno Espírita, p. 97.)
Nosso colaborador e estimado
confrade Gebaldo José de
Sousa, de Goiânia (GO),
relatou-nos oportunamente, a
respeito do assunto, uma
informação interessante
relacionada com o médium
português Fernando de
Lacerda, que sentia,
geralmente, a aproximação do
Espírito que desejava se
comunicar, e o via em
seguida, enquanto ouvia, com
frequência, as palavras que
uma segunda personalidade
queria ditar-lhe.
Enquanto o médium, em estado
de vigília, mantinha
conversação com os
encarnados presentes, o
lápis que empunhava
preenchia rapidamente as
laudas de papel. Nessas
ocasiões encontrava-se
alheio ao teor das
mensagens, desconhecendo
muitas vezes o significado
de palavras e expressões,
bem como os fatos nelas
referidos. Além disso, por
vezes, Fernando de Lacerda
chegou a receber duas
mensagens simultaneamente,
com o uso das duas mãos.
Arthur Bernardes de
Oliveira, nosso companheiro
de redação e querido irmão
consanguíneo, diz lembrar-se
de um caso ocorrido com
Chico Xavier perante o Juiz
de Direito que o ouviu por
ocasião do processo movido
pela viúva de Humberto de
Campos, episódio que deu
origem ao livro A
Psicografia Ante os
Tribunais, de Miguel
Timponi. Diante do
magistrado, Chico Xavier
teria recebido, ao mesmo
tempo, uma mensagem pela mão
direita e outra pela mão
esquerda, enquanto
respondia, perfeitamente
acordado, às perguntas do
juiz.
Fenômeno semelhante é
relatado por Allan Kardec no
livro Viagem Espírita em
1862, no capítulo
inicial, intitulado
“Impressões Gerais”, em que
o codificador do Espiritismo
anotou a seguinte
informação:
“Em Saint-Jean d’Angély
vimos um médium mecânico que
podemos considerar
excepcional. Trata-se de uma
senhora que redige longas e
formosas comunicações
enquanto lê o jornal ou
conversa com os presentes, e
isto sem nunca olhar para
sua própria mão. Sucede
muitas vezes que, distraída,
não se apercebe de que a
comunicação chegou ao fim”.
(Obra citada, pág. 18.)
Nosso colaborador e amigo
Dr. Nubor Facure, autor de
várias obras sobre
mediunidade, também
considera possível o
fenômeno a que nos
reportamos, uma vez que,
segundo ele, a mensagem
psicofônica é de nível
intelectual – usa
determinadas áreas do
cérebro relacionadas com o
lobo frontal, o pensamento e
a linguagem –, enquanto que
o desenho é puramente
automático. “O Espírito já
traz pronto o molde e atua,
então, sobre os centros
automáticos do médium”,
diz-nos o professor Facure.
Esperamos que as explicações
aqui colocadas possam
atender à expectativa da
leitora que nos escreveu e
ao Grupo mediúnico de que
faz parte.
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