“Os donos de
centro”
O momento é mais
do que
apropriado para
abordar um tema
delicado, mas
aparentemente
onipresente. Sem
querer ter a
intenção de
esgotar o
assunto, não é
incomum se
observar no meio
Espírita a
presença de
supostos “donos
de centro”. Dito
de outra forma,
são aquelas
pessoas que, por
força das
circunstâncias,
são alçadas à
direção de uma
instituição
Espírita.
Parecem ser
pessoas
comedidas,
reservadas,
lacônicas, até
mesmo um tanto
enigmáticas,
pois raramente
expressam uma
opinião ou ponto
de vista mais
contundente.
Ademais, sugerem
entesourar
enorme
patrimônio de
conhecimentos
sobre a doutrina
que, em verdade,
estão muito
longe de
possuir. Às
vezes, quando
solicitadas,
endereçam preces
sentidas e
comoventes
levando muitos
às lágrimas.
Chega o dia,
enfim, em que
são convocadas a
sair da
obscuridade e
exercer outros
papéis mais
expressivos nas
agremiações que
frequentam. Em
decorrência
disso, são
levadas a se
expor mais
amiúde; afinal,
os problemas, as
dificuldades e
os assuntos do
dia a dia
forçam-nas a
exercer a
liderança e
tomar posições.
A partir daí,
algo profundo e
preocupante
ocorre em suas
condutas, que
passam a ser
quase que
completamente
desnudadas para
os demais
membros da Casa
Espírita. Em
outras palavras,
“o véu de Isis”
cai e, assim
sendo, passam a
ser efetivamente
conhecidas por
todos como
realmente são na
essência.
Normalmente
começam a exibir
uma faceta de
suas
personalidades
desconhecida até
então, isto é,
problemática,
desagregadora e
até mesmo
assustadora,
culminando quase
sempre em
prejuízo à
harmonia da
instituição.
Ao sair do
casulo geram
variadas e
surpreendentes
disrupturas aqui
e acolá por
causa de suas
intervenções
desastrosas.
Lamentavelmente,
passam a ser
notados
indesejáveis
rompimentos na
esfera dos
inter-relacionamentos.
Por conta disso,
os embates
surgem com certa
frequência e
intensidade,
produzindo
dissabores e
decepções de
toda a ordem. De
modo geral,
ordens são
expedidas,
mudanças
implementadas na
execução dos
trabalhos e
alterações no
funcionamento
das coisas. Às
vezes, tarefas,
atividades ou
rotinas que
sempre atenderam
às necessidades
gerais são
impiedosamente
interrompidas
sem razão de
ser. Nesse
processo,
colaboradores
antigos são
praticamente
“convidados” a
deixar as lides,
tal a
profundidade das
mudanças. No
entanto, outras
coisas
desagradáveis
passam também a
acontecer.
Simultânea e
surpreendentemente,
o novo dirigente
passa a dominar
o cetro do poder
com mão de
ferro,
rechaçando
opiniões
contrárias,
afastando os
desalinhados com
as suas opiniões
ou lhes dando
nenhum valor. O
egocentrismo
passa a lhes
adornar as
atitudes de
maneira que a
Casa Espírita
parece ter “um
dono” como se a
sua existência
nada devesse aos
tarefeiros
anteriores. A
sua foto e
imagem
literalmente
abarrotam todos
os materiais de
divulgação da
instituição.
Monopolizam, por
assim dizer, os
discursos,
palestras,
avisos, preces
públicas, entre
outras coisas,
enquanto outros
cooperadores são
praticamente
colocados no
ostracismo.
Em algumas Casas
Espíritas
menores chega-se
ao despautério
de não haver
atividades
quando o
dirigente não
pode, por alguma
razão,
comparecer. Não
delegam aos
outros membros
praticamente
nada. Devido aos
seus excessos de
personalismo e
comportamento
idiossincrático,
os
frequentadores e
colaboradores se
veem numa
situação deveras
desconfortável.
Alguns menos
pacienciosos
e/ou cansados
dos exageros
derivados da
liderança
despótica se
desmotivam e
acabam buscando
outras plagas. A
confiança
depositada na
instituição
diminui
dramaticamente.
Em consequência,
os níveis de
harmonia,
proteção
espiritual e paz
desmoronam dando
vazão à
manifestação
e/ou controle de
entidades
infelizes.
Se o leitor(a)
já teve a
infelicidade de
se deparar com
quadros
semelhantes não
se espante, pois
eles acometem às
vezes centros
consagrados. Na
verdade, tais
coisas são
produtos de
mentes
invigilantes que
não incorporaram
ainda os
ensinamentos que
pregam. Não
chegaram sequer
a perceber a
transitoriedade
das coisas que
os cercam. Não
compreenderam
que são apenas
instrumentos da
espiritualidade
convocados a
executar uma
missão por
benevolência e
misericórdia de
Deus. Em vez
disso, se
embebedam nas
fontes do
orgulho, da
jactância, da
soberba e da
prepotência
(dialogar com
elas, aliás,
torna-se uma
tarefa inglória
ou infrutífera).
Não conseguem
atinar com a
enfática
recomendação de
Jesus: “... o
Filho do homem
não veio para
ser servido, mas
para servir...”
(Mateus, 20:28),
bem como o
insight do
apóstolo Paulo:
“O maior servirá
ao menor”
(Romanos 9:12).
Mas, mais dias
menos dias,
cairão, e o seu
tombo será
estrepitoso, o
seu legado
abominável, como
para nos lembrar
a ter cuidado
com o que
fazemos,
especialmente em
atividades nas
quais não
passamos de
modestíssimos
atores
coadjuvantes.