Uma leitora, em face de um
texto publicado por Kardec
no cap. XIV d´O Evangelho
segundo o Espiritismo,
pergunta-nos se pode um
corpo de uma criança
formar-se antes de estar
ligado a ele o Espírito que
deverá utilizá-lo em uma
nova existência.
O texto mencionado por ela,
de autoria do Espírito de
Santo Agostinho, é este:
Eles hesitam, vacilam,
agitados por sentimentos
contrários. Se predomina a
boa resolução, oram a Deus,
imploram aos bons Espíritos
que lhes deem forças, no
momento mais decisivo da
prova. Por fim, após anos de
meditações e preces, o
Espírito se aproveita de
um corpo em preparo na
família daquele a quem
detestou, e pede aos
Espíritos incumbidos de
transmitir as ordens
superiores permissão para ir
preencher na Terra os
destinos daquele corpo que
acaba de formar-se. Qual
será o seu procedimento na
família escolhida? (Obra
citada, cap. XIV, item 9 - A
ingratidão dos filhos e os
laços de família.)
(O negrito é
nosso.)
A reencarnação inicia-se na
concepção, portanto no
momento em que o corpo
começa a se formar. A
ligação entre o corpo da
criança e o perispírito que
reveste a alma processa-se
molécula a molécula e se
completa com o nascimento do
bebê.
Esse é o ensinamento firmado
nas obras de Allan Kardec, e
Léon Denis não pensava de
forma diferente. Com efeito,
lemos no seu livro O
Grande Enigma, 7ª
edição, publicada pela FEB:
A união da alma e do corpo
começa com a concepção e só
fica completa na ocasião do
nascimento. No intervalo da
concepção ao nascimento, as
faculdades da alma vão,
pouco a pouco, sendo
aniquiladas pelo poder
sempre crescente da força
vital recebida dos
geradores, que diminui o
movimento vibratório do
perispírito. Esta diminuição
vibratória do envoltório
fluídico produz a perda da
lembrança das vidas
anteriores. (O Grande
Enigma, págs. 192 e 193.)
Em O Livro dos Espíritos,
a principal obra da doutrina
espírita, o assunto é
tratado com clareza na
questão seguinte:
344. Em que momento a alma
se une ao corpo?
“A união começa na
concepção, mas só é completa
por ocasião do nascimento.
Desde o instante da
concepção, o Espírito
designado para habitar certo
corpo a este se liga por um
laço fluídico, que cada vez
mais se vai apertando até ao
instante em que a criança vê
a luz. O grito que então
solta anuncia que ela se
conta no número dos vivos e
dos servos de Deus.” (O
Livro dos Espíritos, questão
344.)
No mês de julho de 1860, a
Revista Espírita
publicou, da lavra de Allan
Kardec, a informação adiante
reproduzida, que reforça o
ensinamento a que nos
reportamos:
Sabe-se que, no momento da
concepção, o Espírito
designado para habitar o
corpo que deve nascer é
tomado por uma perturbação,
que vai crescendo à medida
que os laços fluídicos, que
o unem à matéria, se
apertam, até as proximidades
do nascimento. Neste
momento, perde igualmente
toda a consciência de si
mesmo e não começa a
recobrar as ideias senão no
momento em que a criança
respira. Só então é que se
torna completa e definitiva
a união entre o Espírito e o
corpo. (Revista Espírita
de julho de 1860.)
Os anos passaram e em 1868,
com a publicação de A
Gênese, os Milagres e as
Predições segundo o
Espiritismo, Kardec
legou-nos uma explicação
mais detalhada e demorada
acerca do assunto:
Logo que o Espírito deva se
encarnar num corpo humano em
via de formação, um laço
fluídico, que não é outro
senão uma expansão do
perispírito, o amarra ao
germe sobre o qual ele se
encontra lançado por uma
força irresistível desde o
momento da concepção. À
medida que o germe se
desenvolve, o laço se
aperta; sob a influência do
princípio vital material do
germe, o perispírito, que
possui certas propriedades
da matéria, une-se molécula
a molécula com o corpo que
se forma; de onde se pode
dizer que o Espírito, por
intermédio de seu
perispírito, toma, de alguma
forma, raiz neste germe,
como uma planta na terra.
Quando o germe está
inteiramente desenvolvido, a
união é completa e, então,
ele nasce à vida exterior.
(A Gênese, cap. XI, item
18.)
Respondendo, então, à
leitora, podemos afirmar que
na gravidez viável, isto é,
naquela em que está prevista
efetivamente a reencarnação
de um Espírito, este se liga
ao zigoto desde o instante
da concepção e não existe,
pois, a hipótese de um corpo
se formar para depois disso
um Espírito ser a ele
ligado.
A expressão utilizada na
mensagem de Santo Agostinho
(... o Espírito se aproveita
de um corpo em preparo na
família daquele a quem
detestou) foi, segundo
entendemos, apenas uma forma
poética de se falar do
assunto, valendo também
lembrar que antes do
processo reencarnatório
propriamente dito existe
todo um planejamento, que
inclui até mesmo a
configuração do futuro corpo
do reencarnante, ou seja, o
seu preparo.
No livro Nosso Lar,
no capítulo 47, “A volta de
Laura”, vê-se que, a pedido
de Laura, algumas
providências relativas ao
seu organismo físico foram
tomadas, exatamente nesse
período que precede o ato
reencarnatório.
Relata André Luiz no
capítulo mencionado:
A essa altura, o funcionário
das Contas observou:
– E não podemos esquecer que
Laura volta à Terra com
extraordinários créditos
espirituais. Ainda hoje, o
Gabinete da Governadoria
forneceu uma nota ao
Ministério do Auxílio,
recomendando aos
cooperadores técnicos da
Reencarnação o máximo
cuidado no trato com os
ascendentes biológicos que
vão entrar em função para
constituir o novo organismo
de nossa irmã.
– Ah! é verdade – disse ela
–, pedi essa providência
para que não me encontre
demasiadamente sujeita à lei
da hereditariedade. Tenho
tido grande preocupação,
relativamente ao sangue.
O planejamento, ou o preparo
a que se referiu Santo
Agostinho, ocorre, portanto,
bem antes do início da
gravidez, de tal modo que,
definidos os planos, quando
chega o momento da
concepção, o Espírito já se
encontra a postos para,
algumas horas depois do ato
sexual, ser ligado ao
zigoto, ligação essa que se
tornará definitiva quando a
criança vier à luz.
Sobre o tema sugerimos aos
interessados que leiam
também os textos abaixo,
publicados em nossa
revista:
Prelúdio da volta do
Espírito à vida corporal
http://www.oconsolador.com.br/ano2/84/esde.html
A união da alma com o corpo
http://www.oconsolador.com.br/ano2/98/especial.html
O Espiritismo responde
http://www.oconsolador.com.br/ano4/167/oespiritismoresponde.html
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