Tormentos da
Obsessão
Manoel Philomeno
de Miranda
(Parte 25)
Damos
prosseguimento
ao
estudo metódico
e sequencial do
livro Tormentos
da Obsessão, obra de
autoria de
Manoel Philomeno
de Miranda,
psicografada por
Divaldo P.
Franco
e publicada em 2001.
Questões
preliminares
A. Uma faceta
pouco conhecida
dos males do
alcoolismo é
destacada neste
livro. Qual é
ela?
Quando Licínio
relatou o caso
da pobre senhora
que tanto o
perseguira na
Casa Espírita,
informou que ela
se afastou, logo
depois, da
atividade
espírita e
entregou-se ao
alcoolismo,
semidependente
que já o era,
havendo sido
essa a brecha
moral por onde
se infiltraram
as influências
malsãs. Pouco
tempo depois
desencarnou em
lamentável
situação
espiritual,
sendo arrebatada
pelos seus
comparsas de
embriaguez
etílica. O
alcoolismo, além
de doença assim
definida pela
Organização
Mundial de
Saúde, é uma das
causas do
chamado
vampirismo e de
obsessões
diversas, de que
o alcoólatra
torna-se vítima,
graças
exclusivamente à
irresponsabilidade
com que age no
mundo.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
13 – A
experiência de
Licínio.)
B. Apesar das
dificuldades e
dos desafios que
enfrenta, alguma
compensação
recebe o médium
que honra com
dignidade seus
compromissos?
Claro que sim. A
mediunidade bem
exercida faculta
ao seu possuidor
momentos de
incomparável
beleza e
ventura,
contatos
espirituais
insuperáveis,
facultando a
conquista de
afeições
duradouras e
abençoadas, que
se lhes tornam
enriquecimento
especial para os
dias do futuro
imortal. Ao
mesmo tempo,
como existem
aqueles que
criam
dificuldades e
sombreiam as
horas do
medianeiro com
dores
excruciantes,
produzindo
dificuldade de
todo teor,
aproximam-se
também criaturas
de elevada
estatura moral,
que o cercam de
bondade e
legítima
afetividade,
envolvendo-o em
orações de
reconforto moral
e ânimo, a fim
de que seja
vitorioso no
ministério
desafiador.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
13 – A
experiência de
Licínio.)
C. Que ocorre
com os médiuns
que se
comprometem
negativamente no
exercício de
suas faculdades?
Primeiramente,
ao ignorar a
importância do
dever que
abraçaram,
estabelecem
vínculos
psíquicos
perniciosos com
os Espíritos
insensatos e
maus que pululam
em toda parte.
Defrontados
pelos problemas
e desafios, que
são naturais em
todos os
empreendimentos,
passam a
demonstrar mau
humor e
desconfiança,
transferindo-se
para outras
províncias de
interesses
imediatos e
abandonando os
compromissos
relevantes.
Quando, porém,
lhes sucede a
desencarnação,
que sempre
parece chegar
quando não a
aguardamos, as
tentativas de
recomeço e
reparação
apresentam-se
tardiamente e os
conflitos
assomam, então,
em forma de
remorsos
inúteis, que
mais estreitam
as amarras com
os seus
comensais
criminosos.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
14 – Impressões
marcantes.)
Texto para
leitura
130. Outra
consequência
nefasta do
alcoolismo
– De acordo com
o relato feito
por Licínio, a
pobre senhora
que tanto o
perseguira,
afastando-se da
Sociedade,
entregou-se ao
alcoolismo,
semidependente
que já o era,
havendo sido
essa a brecha
moral por onde
se infiltraram
as influências
malsãs. Pouco
tempo depois
desencarnou em
lamentável
situação
espiritual,
sendo arrebatada
pelos seus
comparsas de
embriaguez
etílica.
Recentemente,
após mais de
vinte anos de
padecimentos em
regiões de muito
sofrimento, foi
recambiada à
reencarnação em
situação de
resgate penoso.
A mediunidade –
disse Licínio –
era,
antigamente,
vivida com muito
sacrifício, face
à ignorância a
respeito do
Espiritismo e às
informações
propositadamente
deturpadas em
torno dos seus
postulados. Os
médiuns eram
vistos como
pessoas
esquisitas,
endemoninhadas,
mantenedoras de
estranhos pactos
e ritos com
Satanás, ou,
quando não, como
possuidoras de
dons mágicos e
sobrenaturais,
que
descaracterizavam
o ministério.
Permanecer com
simplicidade e
trabalhar sem
alarde eram o
compromisso
estabelecido,
porquanto, como
sempre ocorreu,
enxameavam no
meio também os
oportunistas, os
aventureiros, os
interessados
exclusivamente
nas questões
materiais, que
esperavam
recompensas na
prática
mediúnica. Fora
esse o caso do
irmão Ambrósio,
que não teve
forças para
romper o cerco
dos
simpatizantes,
que se lhe fez
em volta sob
indução dos
embaixadores da
Treva, que o
atraíram para o
poço fundo da
falência
espiritual.
Acrescentou
Licínio: “Não
conseguindo
colher-me nas
suas redes
fortes de
perturbação, os
inimigos da Luz
encontraram
outra forma de
afligir-me.
Entre os
pacientes que
recorriam à
nossa Casa
buscando o
amparo dos
Benfeitores,
apareceu um
senhor de largos
recursos
financeiros e de
projeção social,
que se fazia
acompanhar de um
filho enfermo de
leucemia. Após
haver tentado os
recursos em
voga, nada
conseguindo,
voltou-se para a
assistência
espiritual e a
medicina
homeopática
mediúnica.
Jamais se lhe
prometeu
qualquer
resultado, senão
aquele que a
Misericórdia
Divina sabe, e
apenas ela
administra. A
princípio, o
jovem apresentou
sinais de
melhora, o que
muito animou o
genitor, para
depois ser
consumido pela
enfermidade
pertinaz que o
arrebatou do
corpo...”.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
13 – A
experiência de
Licínio.)
131.
Licínio e o
exercício ilegal
da Medicina
– Continuando
seu relato,
Licínio aduziu:
“Não obstante
todos
procurássemos
consolá-lo,
subitamente
pareceu
enlouquecer, e
acusou-me de
exercício ilegal
da Medicina,
tentando
responsabilizar-me
pela
desencarnação do
filho amado.
Foram dias muito
sombrios, mas
também visitados
pelas claridades
espirituais,
porquanto o
próprio médico
do jovem
falecido
convidado a
opinar, quando
se pretendia
instaurar um
inquérito contra
mim, foi
taxativo em
assinalar que a
enfermidade era
incurável
naquela ocasião
e que os dias a
mais que o jovem
desfrutara
poder-se-ia
considerar como
dádiva de Deus,
já que não havia
outra
explicação... O
sofrido genitor
aquietou-se,
enquanto nós
outros ficamos
com o coração
opresso e a alma
retalhada pela
amargura da
acusação e suas
duras penas...”.
Ante os amigos
comovidos com o
relato dos
testemunhos
silenciosos do
trabalhador da
Causa do Bem,
Licínio
prosseguiu: “As
pessoas
inadvertidas e
apressadas
pensarão que
somos
apologistas do
sofrimento e
preferimos a dor
como mecanismo
de
autorrealização
em atitude
masoquista com
que nos
comprazemos. Mas
estão enganadas.
Trata-se da
realidade do
cotidiano
existencial no
mundo até hoje.
A única maneira
que se apresenta
como ideal para
o indivíduo é o
enfrentamento
tranquilo e
lógico dos
desafios, sem
deixar-se
sucumbir ou
perturbar, como
sói acontecer
com aqueles que,
no século,
somente esperam
o prazer, a
glória, a
ostentação,
vivendo o
transitório, o
efêmero, o
enganoso... Sob
outro aspecto, a
mediunidade bem
exercida faculta
ao seu possuidor
momentos de
incomparável
beleza e
ventura,
contatos
espirituais
insuperáveis,
facultando a
conquista de
afeições
duradouras e
abençoadas, que
se lhes tornam
enriquecimento
especial para os
dias do futuro
imortal. Ao
mesmo tempo,
como existem
aqueles que
criam
dificuldades e
sombreiam as
horas do
medianeiro com
dores
excruciantes,
produzindo
dificuldade de
todo teor,
aproximam-se
também criaturas
de elevada
estatura moral,
que o cercam de
bondade e
legítima
afetividade,
envolvendo-o em
orações de
reconforto moral
e ânimo, a fim
de que seja
vitorioso no
ministério
desafiador”.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
13 – A
experiência de
Licínio.)
132. O bem
que cerca o
médium honrado
– Aludindo à
proteção
recebida pelos
médiuns que
honram o
compromisso,
Licínio
concluiu: “Não
são poucos esses
amigos ideais do
servidor de
Jesus na
mediunidade
dignificada, que
estão sempre
próximos para o
ajudar sem
qualquer
interesse de
retribuição,
tocados pelos
seus exemplos de
fé e de coragem,
de dedicação e
de trabalho”.
Ato contínuo,
concluído o
longo relato
feito por
Licínio, Miranda
perguntou-lhe
sobre sua
esposa, e se ela
ainda se
encontrava no
plano
espiritual,
residindo com
ele. “Sim” –
respondeu o
amigo, com
espontaneidade.
“Agora
preparamo-nos
para outros
misteres no
futuro, que
desejamos
ocorram na seara
espírita que nos
fascina. Os
tempos agora são
mais favoráveis,
embora as
criaturas, de
certo modo,
permaneçam com
muitos conflitos
e dificuldades.
No entanto, o
Espiritismo já
desfruta de
algum respeito e
o campo é
propício para um
esforço de
renovação
preparando a
Nova Era.”
Segundo a
explicação de
Licínio, o casal
deveria volver
ao proscênio
terrestre ao
amanhecer do
novo Milênio(1),
a fim de poder
trabalhar pela
extinção das
sombras que,
gradualmente
irão cedendo
lugar à
peregrina luz da
Verdade.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
13 – A
experiência de
Licínio.)
133.
Médiuns
equivocados e
vencidos
– Os dias
transcorriam
ricos de
aprendizado.
Alberto
revelava-se cada
vez mais
identificado com
Manoel P. de
Miranda nos
labores
dignificantes do
Nosocômio.
Sempre que lhe
era possível,
convidava-o a
excursionar
pelas
dependências do
pavilhão, onde
defrontavam
variados
exemplos de
queda e
propostas de
ascensão moral,
de erros e
programas de
recuperação
entre os
pacientes.
Simpático e
discreto,
levava-o a
visitar os
companheiros de
luta que não
souberam
aproveitar a
oportunidade
formosa da
reencarnação,
seja porque,
fragilizados,
não suportaram a
carga da
perseguição que
sofreram ou
porque,
vitimados em si
mesmos, optaram
pelo equívoco,
quando deveriam
conduzir o fardo
de provações com
elevada postura
moral. A verdade
é que os
internos daquele
Nosocômio haviam
recebido
demasiadamente
da Misericórdia
Divina, que
neles investira
largo patrimônio
de esperança, e
retornaram
vencidos, sem
que os valores
aplicados se
transformassem
em oportunidade
de crescimento
interior. Pode
parecer estranho
que pessoas
informadas da
imortalidade do
Espírito e
familiarizadas
com o fenômeno
das comunicações
mediúnicas
permaneçam
vulneráveis aos
tórridos ventos
da alucinação
terrestre,
decorrentes do
mergulho no
organismo
físico. No
entanto, a
ocorrência é
mais frequente
do que parece.
Superados os
primeiros
períodos do
entusiasmo com a
constatação da
imortalidade e a
possibilidade de
intercâmbio com
o mundo
espiritual, os
indivíduos, que
sempre estão à
caça de
novidades, com
as exceções
compreensíveis,
adentram-se na
rotina e não se
estimulam a
novas empresas
de estudo e ação
em favor de si
mesmos e do seu
próximo,
deixando-se
anestesiar pela
indiferença, ou
se permitem
espicaçar pelo
perfeccionismo,
passando a
descobrir erro
em tudo e em
todos, num
mecanismo de
autojustificação
para a inércia a
que se entregam,
ou para o
afastamento dos
deveres que lhes
dizem respeito.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
14 – Impressões
marcantes.)
134.
Conflitos e
remorsos
pós-desencarnação
– A embriaguez
dos sentidos é
muito forte, e
não raro
prepondera na
natureza humana,
dificultando o
discernimento
dos valores
reais em relação
aos
transitórios.
Mesmo informados
os indivíduos
sobre a
legitimidade da
vida e como se
desenrolam os
programas de
crescimento
interior,
escapam do
dever,
procurando
mecanismos
psicológicos de
racionalização,
para se
comprometerem
negativamente,
estabelecendo
vínculos
psíquicos
perniciosos com
os Espíritos
insensatos e
maus que pululam
em toda parte.
Por outro lado,
não
disciplinados
pela escola do
sacrifício a
perseverar nos
ideais de
engrandecimento
humano, quando
defrontados
pelos problemas
e desafios, que
são naturais em
todos os
empreendimentos,
passam a
demonstrar mau
humor e
desconfiança,
transferindo-se
para outras
províncias de
interesses
imediatos,
abandonando os
compromissos
relevantes.
Quando, porém,
lhes sucede a
desencarnação,
que sempre
parece chegar
quando não a
aguardamos, as
tentativas de
recomeço e
reparação
apresentam-se
tardiamente e os
conflitos
assomam, então,
em forma de
remorsos
inúteis, que
mais estreitam
as amarras com
os seus
comensais
criminosos. O
ser humano é
sempre
responsável
pelas injunções
que se propicia,
e, porque
portador de
livre-arbítrio e
discernimento,
deve optar pelo
melhor, isto é,
aquilo que lhe
proporcione
equilíbrio e
felicidade real,
sem a névoa dos
enganos.
(Tormentos da
Obsessão, cap.
14 – Impressões
marcantes.)
(Continua no
próximo número.)
(1)
Licínio se
refere ao início
do século XXI,
em que
presentemente
nos encontramos.