Wilson Czerski:
”Precisamos
buscar espaços e
persuadir sem
impor”
O vice- presidente da ADE Paraná,
referindo-se ao
movimento
espírita,
entende que há
muito por fazer
e que é preciso
dialogar mais e
debater
abertamente
questões
importantes que
não têm sido
tratadas como
merecem
 |
Militar
da
reserva
da
Aeronáutica,
especialista
em
Meteorologia,
administrador
de
empresas
e
microempresário,
nascido
na
cidade
de Ponta
Grossa
(PR),
Wilson
Czerski (foto),
que
reside
atualmente
em
Curitiba
(PR), é editor
e
articulista
do
jornal "Comunica
Ação
Espírita",
apresentador
de
programas
de rádio
e
televisão,
autor
dos
livros
"A
Eficiência
na
Comunicação
Espírita"
e "Espiritismo
- Uma
Visão
Panorâmica"
e atual
Vice-Presidente
e
Coordenador
Financeiro
da
Associação
de
Divulgadores
do
Espiritismo
do
Paraná (ADE-PR),
além de
um dos
colaboradores
da
revista O
Consolador.
Na
presente
entrevista
ele nos |
|
fala sobre sua
trajetória no
Movimento
Espírita e como
vê diversos
assuntos
relacionados com
o Espiritismo
nos dias que
correm.
O Consolador:
Quando
e como
teve
contato com o
Espiritismo pela
primeira vez?
|
Minhas primeiras
leituras foram
livros
esotéricos e da
Rosacruz,
apanhados da
gaveta de um
armário de meu
pai quando tinha
mais ou menos 12
anos de idade.
Com ele,
frequentei um
centro espírita
e depois até um
de Umbanda.
Fiquei afastado
de tudo na
década seguinte
até retornar e
me firmar nos
estudos das
obras espíritas
propriamente
ditas.
O Consolador:
Qual foi
a reação de sua
família ante sua
adesão à
Doutrina
Espírita?
Nesta altura eu
já vivia longe e
só. Ao me casar,
minha esposa,
que já era
simpatizante,
aderiu de vez.
O Consolador: Quais
os cargos ou
funções que você
já exerceu no
movimento
espírita ao
longo de sua
vida?
Tenho ligações
com a Comunhão
Espírita Cristã
de Curitiba,
onde já
desempenhei
diversas
funções, mas
atualmente tenho
me dedicado
quase que
exclusivamente à
Associação de
Divulgadores do
Espiritismo do
Paraná (ADE-PR),
da qual fui um
dos fundadores
em 1995.
O Consolador: Como
você conheceu a
revista O
Consolador e
que você acha
deste trabalho
de divulgação
espírita pela
internet?
Através do amigo
Astolfo Olegário
que tenho o
prazer de
conhecer desde
1982 quando
frequentava o
Centro Espírita
Nosso Lar, em
Londrina.
Durante muito
tempo fui
colaborador do
jornal "O
Imortal", de
Cambé. A
associação que
dirijo também
faz divulgação
pela internet,
que considero
como um dos
canais mais
eficientes,
rápidos e
baratos
atualmente para
divulgação do
pensamento
espírita. Os
números
relativos aos
acessos de "O
Consolador"
demonstram de
modo inequívoco
o sucesso da
iniciativa. Mas
para isso é
preciso ter
qualidade e
competência.
Felizmente vejo
muitas matérias,
sites, blogs e
sei de salas
virtuais de
bate-papo que
contribuem em
muito para a
difusão e debate
das ideias
espíritas de
modo
democrático.
O Consolador: Dos
três aspectos do
Espiritismo –
científico,
filosófico e
religioso – qual
lhe interessa
mais?
Eu prefiro o
filosófico. Já
tive uma
propensão maior
pelo científico,
mas como não sou
pesquisador, nem
nada na área,
entendo que a
essência da
Doutrina
Espírita está
assentada em sua
filosofia e ela
hoje me atrai,
obriga-me a
pensar,
refletir,
analisar o que
acontece com o
mundo e comigo
mesmo, tudo
confrontado com
o que a Doutrina
ensina. Não
podemos nem
devemos jamais
abrir mão de
pensar,
questionar,
buscar a verdade
destemidamente.
O Consolador: Que
autores
espíritas mais
lhe agradam?
Dos
desencarnados
fico com Léon
Denis, Ernesto
Bozzano e
Herculano Pires,
além de Allan
Kardec,
obviamente.
Entre os ainda
encarnados sou
fã de Hermínio
de Miranda,
Jorge Andréa e
Richard
Simonetti. Mas
há muitos outros
autores menos
conhecidos e que
prestam
inestimável
contribuição ao
trabalho de
disseminação do
pensamento
espírita através
dos livros e dos
periódicos.
O Consolador: Que
livros espíritas
que você já
tenha lido
considera de
leitura
indispensável
aos que estão se
iniciando no
Espiritismo?
As Obras
Básicas, sem
dúvida e, dentre
elas,
absolutamente
imprescindível,
"O Livro dos
Espíritos".
O Consolador: Se
fosse para um
local distante,
sem acesso às
atividades e
trabalhos
espíritas, que
livros você
levaria?
"O Livro dos
Espíritos", "O
Problema do ser,
do destino e da
dor" e toda a
série do André
Luiz.
O Consolador:
As
divergências
doutrinárias em
nosso meio
reduzem-se a
poucos assuntos.
Um deles diz
respeito ao
chamado
Espiritismo
laico. Para
você, o
Espiritismo é
uma religião?
Kardec definiu o
Espiritismo como
uma filosofia
espiritualista
de bases
científicas e
consequências
morais. Apenas
isso. Mas ao ter
suas raízes
transplantadas
para o Brasil,
por força da
estreita
associação com o
modelo cristão e
da necessidade
de busca de
reconhecimento
social, assumiu
uma configuração
inegavelmente
religiosa. É
provável que o
próprio
Codificador, ao
escrever "O
Evangelho
segundo o
Espiritismo",
não tenha
percebido a
possibilidade
destes
desdobramentos
no futuro,
especialmente
fora da França.
De qualquer
forma,
atualmente
considero
inúteis os
esforços de se
desvincular o
Espiritismo da
conotação
religiosa,
embora possamos
evitar os
desvios mais
graves, além da
sua mera
conceituação.
Alguém já
imaginou Chico
Xavier contar
com o
reconhecimento
que possui
somente se
tivesse sido um
filósofo ou
cientista?
O Consolador:
Outro
tema que suscita
geralmente
grandes debates
diz respeito à
obra publicada
na França por J.
B. Roustaing.
Qual é sua
apreciação dessa
obra?
Eu nunca as li,
por falta de
interesse. O que
sei a respeito
foi por via
indireta,
inclusive de
Kardec na
Revista Espírita
de junho de
1866. O
Codificador não
a condena, vê
mesmo certas
qualidades como
a de não estar
em contradição
"em nenhum
ponto" com a
aplicação dos
princípios
contidos em “O
Livro dos
Espíritos” e “O
Livro dos
Médiuns” nem com
os aspectos
morais de “O
Evangelho
segundo o
Espiritismo”.
Sua principal
restrição está
na falta do uso
do critério do
Controle
Universal dos
Ensinamentos
Espíritas, pois
Roustaing
escreveu "Os
Quatro
Evangelhos" com
base em
comunicações
isoladas de
Espíritos sem
confrontação com
as de outros
mensageiros e
outros médiuns.
Por isso Kardec
considera as
suas teorias,
como a do corpo
fluídico de
Jesus, como mera
especulação
lastreada em
opiniões
pessoais e sem
possibilidade de
fazer parte
integrante da
Doutrina
Espírita.
O Consolador: Sobre
os passes
padronizados,
propostos na
obra de Edgard
Armond, embora
saibamos que no
Paraná a opção
já definida pela
Federação seja
tão-somente a
imposição das
mãos tal como
recomenda J.
Herculano Pires,
qual é sua
opinião a
respeito?
A fluidoterapia
constitui parte
de um capítulo
mais extenso das
práticas
espíritas que,
eventualmente,
podem conter
também outras
atividades mais
especializadas
com
características
curativas. No
dia-a-dia das
Casas Espíritas
está mais do que
comprovado que o
passe aplicado
com a
simplicidade da
imposição de
mãos, que não
deixa de ser
também
padronizado, é o
mais adequado. O
que não impede
que em outras
circunstâncias o
magnetismo de
encarnados e
desencarnados
seja transmitido
com metodologias
diferentes e que
possam lograr
êxito mais
completo. Basta
observar alguns
critérios para
não descambar
para o
misticismo e
outras formas de
abuso.
O Consolador:
Como você
vê a discussão
em torno do
aborto? Acha que
os espíritas
deveriam ser
mais ousados na
defesa da vida
como tem feito a
Igreja?
Os espíritas já
têm participado
ativamente de
campanhas e
outras
manifestações
públicas a
respeito, ao
lado de outros
segmentos
religiosos e da
sociedade civil.
Mas iniciativas
como a campanha
"Vida, diga sim
à gravidez", da
AME-PR, por
exemplo, carece
de efeitos
multiplicadores,
especialmente
pelos
esclarecimentos
ministrados nas
escolas. Aliás,
não é só esse
tema que os
espíritas
poderiam
desenvolver
melhor na
comunidade.
Possuímos
centenas ou
milhares, se
contadas em todo
o Brasil, de
pessoas
altamente
competentes para
palestrar e
debater outros
assuntos como
ecologia,
violência,
convivência
social, conduta
no trânsito,
família, etc.
Mas temos
preferido ficar
falando somente
para os próprios
espíritas dentro
das nossas
instituições,
sem nos abrirmos
para a
sociedade. Com
isso perdemos
uma grande
oportunidade de
levar os
princípios
teóricos
fundamentais do
Espiritismo e
principalmente a
sua proposta de
ética de vida
para milhões de
pessoas.
O Consolador:
A
eutanásia, como
sabemos, é uma
prática que não
tem o apoio da
Doutrina
Espírita. Kardec
e outros
autores, como
Joanna de
Ângelis, já se
posicionaram
sobre esse tema.
Surgiu, no
entanto,
ultimamente a
ideia da
ortotanásia,
defendida até
mesmo por
médicos
espíritas. Qual
é sua opinião a
respeito?
Sou a favor da
ortotanásia.
Claro que sempre
há a
inconveniência
do fator humano
quando do
diagnóstico da
irreversibilidade
de estado
comatoso, por
exemplo; porém,
a ciência
aperfeiçoa cada
vez mais as
formas de
diagnosticar a
morte cerebral,
situação em que
resta apenas a
vida vegetativa
sem a presença
do Espírito que
animava aquele
corpo. Agora, se
os aparelhos que
mantinham a vida
artificialmente
forem desligados
e mesmo assim o
indivíduo
permanecer
respirando e o
coração batendo,
devemos deixar a
natureza seguir
seu livre curso.
O que não posso
concordar é que
em nome de uma
morte menos
dolorosa, mesmo
a pedido
anterior da
própria pessoa,
comodidade da
família ou
economia
financeira,
efetue-se a
supressão de
medicação básica
ou elementos
nutricionais,
inclusive água,
como ocorreu com
Terry Schiavo e
outros casos
mais recentes.
O Consolador: O
movimento
espírita em
nosso País lhe
agrada ou falta
algo nele que
favoreça uma
melhor
divulgação da
Doutrina?
Penso que há
muito por fazer.
No âmbito
interno
precisamos
dialogar mais,
debater
abertamente
questões
importantes que
não têm sido
tratadas como
merecem, tanto
as relativas ao
Movimento em si
como as que
afetam o
dia-a-dia das
pessoas. No
trato das Casas
Espíritas é
fundamental
lembrar que a
tão propalada
reforma íntima
deve começar a
ser
exemplificada
por nós mesmos,
respeitando as
diferenças e
dificuldades dos
demais neste
processo.
Portanto se
quisermos
realmente ajudar
no crescimento
espiritual das
pessoas, devemos
orientar e
aceitar suas
limitações e não
tentar fazê-las
"à nossa imagem
e semelhança",
especialmente
porque a imagem
que projetamos,
infelizmente,
nem sempre
corresponde à
nossa realidade
íntima.
Externamente
temos observado
avanços
significativos
na inserção
social do
pensamento
espírita através
da mídia e
esforços outros
como, por
exemplo, através
das associações
especializadas
(Abrade, Abrame,
AME, Abrape,
ADESP, os NEUs
etc). Estas
entidades, se
receberem o
apoio de que
necessitam do
segmento
espírita para se
estruturarem e
desenvolverem
seu trabalho em
atendimento aos
propósitos a que
se propõem,
podem contribuir
significativamente
para que o
Espiritismo seja
não só mais
conhecido e
admirado, mas
tenha seus
princípios e
práticas mais
presentes na
sociedade em
geral. Enfim,
sou favorável a
que se promova
mais a busca da
união, sem tanta
preocupação com
a unificação.
Esta é muito
limitadora e,
por vezes,
injustificadamente
excludente.
Temos muita
gente e
instituições
sérias e
competentes
atuando, mas
fora do chamado
"Movimento
Oficial" e isso
não é bom.
Perde-se muito
em talento e
realizações.
Mais importantes
do que regras e
supostos
privilégios de
autoridade são
as pessoas. É
para o
bem-estar,
espiritualização
e felicidade
delas no futuro,
mas também no
presente, que
nós devemos
trabalhar.
O Consolador:
Como você
vê o nível da
criminalidade e
da violência que
parece aumentar
em todo o País?
Na sua opinião,
como nós,
espíritas,
podemos cooperar
para que essa
situação seja
revertida?
As estatísticas
realmente são
alarmantes e a
mídia as torna
superlativas.
Combater a
violência é um
dever do Estado
e de toda
sociedade e
começa dentro de
nós mesmos
desarmando
nossos Espíritos
no trato com os
semelhantes.
Portanto, há
necessidade de
maior empenho e
investimento na
atuação
repressiva, mas
principalmente
na prevenção. As
causas da
violência,
obviamente,
provêm do
estágio
evolutivo em que
a humanidade se
encontra, mas
não podemos
debitar à conta
disso todos os
males. Alguns
países controlam
razoavelmente
bem esta
situação. Por
que aqui não? De
qualquer forma,
destaco duas
questões de “O
Livro dos
Espíritos” para
sintetizar o
estado atual e a
solução futura.
Na 784 os
Mentores alertam
que "É preciso
que haja excesso
do mal para
fazer-lhe
compreender a
necessidade do
bem e das
reformas". A
outra é a 685
quando nos
deparamos com a
imperiosa
necessidade de
formulação de
diretrizes
capazes de
promover a
verdadeira
educação do ser
humano.
Portanto, o
Espiritismo, se
quiser, através
de todos aqueles
que laboram em
seu Movimento,
pode desempenhar
um papel
relevante neste
processo. Mas,
para tanto,
volto a dizer,
além de tudo o
que realizamos
nas instituições
espíritas,
precisamos ter a
ousadia de
ultrapassar seus
limites físicos
e nos tornar
mais
participativos
em todas as
atividades
sociais. Não
podemos ficar
eternamente só
falando para os
espíritas.
O Consolador: Daqui
a quantos anos
você acredita
que a Terra
deixará de ser
um mundo de
provas e
expiações,
passando
plenamente à
condição de um
mundo de
regeneração, em
que, segundo
Santo Agostinho,
a palavra amor
estará escrita
em todas as
frontes e uma
equidade
perfeita
regulará as
relações
sociais?
Eu sou uma
pessoa
realista-otimista.
Sinceramente
creio que este
processo já está
em andamento.
Observe com
calma as pessoas
que estão a sua
volta: parentes,
vizinhos,
amigos, colegas
de trabalho e
todos os demais.
Se tivermos
"olhos de ver",
perceberemos que
a grande maioria
que conhecemos é
constituída de
gente honesta,
bondosa,
solidária,
possuidora,
enfim, de
diversas
virtudes, embora
quase sempre não
totalmente
desenvolvidas.
Quem perturba a
paz planetária é
uma diminuta
minoria. São
estes poucos que
matam, estupram,
corrompem,
promovem as
guerras
desnecessárias,
que se regozijam
no egoísmo
exacerbado. Ou
seja, a despeito
de muitos
processos
expiatórios e
provacionais, já
não somos tão
atrasados assim
e, por
consequência,
com um pouco
mais de tomada
de consciência a
respeito de
nossa origem,
natureza e
destinação,
poderemos
superar o
passado de
sombras e
almejar dias
mais felizes.
Temos que
considerar que,
se o egoísmo e o
orgulho são
considerados
pela
espiritualidade
superior como as
duas grandes
chagas morais da
humanidade, a
causa deles é a
ignorância de
nossa própria
essência
espiritual.
O Consolador: Quanto
aos problemas
que a sociedade
terrena está
enfrentando, o
que você acha
que deve ser a
prioridade
máxima dos que
dirigem
atualmente o
movimento
espírita no
Brasil e no
mundo?
Estou convencido
de que se
pudéssemos
viabilizar uma
estratégia de
esclarecimento
consistente de
todas as
lideranças do
país, passando
pelos políticos,
administradores
públicos e
algumas classes
como a dos
professores,
forças
policiais,
empresários,
médicos e tantas
outras sobre a
realidade de
quatro
princípios
fundamentais da
Doutrina
Espírita,
estaríamos
influenciando
muitos daqueles
que determinam o
destino do país.
Imagine você se
todos ou ao
menos a maioria
dos membros do
Congresso
Nacional, por
exemplo, fossem
instados a
examinar em
profundidade a
possibilidade da
existência de
Deus com todos
os seus
atributos,
particularmente
o da justiça;
compreendessem
que a
imortalidade da
alma é uma
realidade; que a
vida se desdobra
em muitas etapas
a que chamamos
de reencarnação
e que
coordenando
nossos atos está
presente uma lei
de Causa e
Efeito que faz
cada um receber
na justa medida
do que pensa,
diz e faz. Se
eles tivessem a
certeza de que
isso é
verdadeiro e
inescapável,
será que
arriscariam a
fazer o que
fazem por lá? Há
muitos deles que
faltam até com
os mais
elementares
princípios
éticos, mas
tolos eles não
são. Precisamos
buscar espaços e
persuadir sem
impor. Oferecer
a proposta de
vida que o
Espiritismo nos
ensina, sem
pretensões de
ser o único
instrumento de
transformação
social, atuar
sem
autoritarismo ou
pieguice
religiosa, mas
sustentar nossas
práticas na
filosofia
espírita. Como
Kardec, penso
que é ali que
está sua força e
é por ali que
poderemos
penetrar a alma
humana, iluminar
a razão. Sem
esquecer, é
claro, do suave
apelo do amor,
do método da
doçura e da
tolerância, bem
como das
comprovações
científicas que
estiverem à
nossa
disposição.