Paulo Afonso
Eberhardt:
“O bom livro
espírita é um
dos melhores
instrumentos
para a
divulgação do
Espiritismo”
 |
Paulo Afonso
Eberhardt
(foto),
economista de
formação,
desenvolve
dedicada
atividade junto
ao Centro
Espírita de
Caridade Dias da
Cruz, em Passo
Fundo (RS), onde
se destaca sua
experiência com
a divulgação do
livro espírita.
Nesta
entrevista,
concedida
gentilmente à
revista O
Consolador,
ele fala sobre
vivência na
divulgação do
livro em uma
casa espírita.
O Consolador:
Como se tornou
espírita?
Aos 25 anos
comecei a
registrar de uma
forma intensa a
presença dos
Espíritos de
várias maneiras
como audição,
vidência,
registros
através dos
sonhos,
premonições
|
frequentes que
se concretizavam
etc. Não
conhecia a
Doutrina
Espírita e,
então, através
de uma colega de
trabalho,
cheguei a uma
Casa Espírita e
nunca mais saí. |
O Consolador: Em
quais atividades
atua no Centro
Espírita?
Em 1986
iniciei-me na
evangelização no
Centro Espírita
de Caridade Dias
da Cruz, de
Passo Fundo
(RS).
Atualmente, além
da direção da
Instituição,
colaboro no
setor de
Palestras,
Livraria,
Estudos de O
Livro dos
Médiuns e
ESDE e Setor de
Divulgação,
através do site
www.diasdacruz.org.br.
O Consolador:
Você está muito
envolvido com as
atividades de
divulgação da
Doutrina
Espírita através
de livros, na
livraria e em
feiras de
livros. Como
iniciou e qual a
importância que
verifica nessas
atividades?
Tínhamos um
ponto de venda
de livros por
mais de vinte
anos, mas não
atendia aos
nossos anseios e
então fundamos,
no ano de 2002,
a LEAX –
Livraria
Espírita
Antonina Xavier.
A livraria já
sofreu duas
ampliações e
hoje possuímos
mais ou menos
1.700 títulos
entre livros,
CDs e DVDs e os
controles e as
vendas são todos
automatizados.
Quanto à
importância,
sabemos que o
mundo espiritual
nos envia
frequentemente
obras para nos
auxiliar em
nosso progresso
moral e
intelectual. O
bom livro
espírita é um
dos melhores
instrumentos
para a
divulgação da
Doutrina
Espírita,
principalmente
junto aos
simpatizantes.
Através de
amigos, parentes
e de colegas de
trabalho, o
Espiritismo
também tem se
espalhado
através dos
livros.
Poderíamos dizer
que num dia “n”
pessoas vão às
Casas Espíritas
enquanto que
milhares de
livros são lidos
na intimidade
dos lares.
O Consolador:
Algum momento em
especial que
gostaria de
relatar-nos?
No ano de 2008,
graças ao
trabalho que
realizávamos na
Livraria, fomos
convidado para
ir a Angola, na
África,
especificamente
à cidade de
Luanda, para
implantarmos
livrarias nas
universidades
particulares
daquela cidade.
Foi uma
experiência
excepcional e,
como sou
apaixonado pelos
livros, os
treinamentos que
recebi via
Fundação Getúlio
Vargas para a
atividade me
serviram em
muito para
ampliação e
modernização de
nossa LEAX.
Outro momento
especial foi
nossa
participação na
Feira do Livro
de Passo Fundo.
Além de a
procura ter sido
muito boa,
comercializamos
mais de 1.100
unidades.
Distribuímos
mais de 300
exemplares do
Evangelho,
largando-os nos
bancos da praça
onde acontecia a
feira, com um
bilhetinho que
dizia: “Este
livro é seu”.
Dos que pegavam,
a maioria saía
na rua folheando
ou lendo o
livro.
O Consolador:
Relate-nos a
experiência
diária com a
Livraria
Espírita
Antonina Xavier.
O livro espírita
tem uma
aceitação muito
grande.
Atualmente a
livraria tem
sido aberta nos
horários de
atividades, no
entanto, a
campainha toca a
todo o momento
por pessoas
interessadas em
adquirir livros.
Nota-se,
naqueles que
chegam pela
primeira vez,
que ficam
maravilhados com
a quantidade de
livros
oferecidos. Em
breve estaremos
abrindo das 9h
às 21h. Temos
tido uma boa
procura,
principalmente
por espíritas de
cidades próximas
a Passo Fundo. A
procura tem sido
principalmente
por obras
básicas. Temos
realizado
pedidos quase
que semanalmente
para repor
nossos estoques.
Em breve,
estaremos
implantando o
e-commerce,
isto é, a venda
pela internet.
Atualmente no
Brasil, o livro
ocupa um dos
primeiros
lugares nas
vendas pela
internet. Esse é
um caminho sem
volta. É a
oportunidade dos
moradores das
cidades da
região, que não
possuem
livrarias com
livros
espíritas,
poderem adquirir
obras espíritas.
O Consolador:
Qual é sua
avaliação dos
preços dos
livros diante do
poder aquisitivo
da população?
Estão adequados?
Acreditamos que
as obras básicas
estão com bom
preço, pois as
mais caras estão
custando
aproximadamente
R$ 12,00.
Procuramos
adquirir grandes
quantidades para
conseguirmos
preços menores.
Temos então
obras básicas,
em tamanho
normal, até por
R$ 2,50. A
maioria dos
lançamentos
custa em torno
de R$ 30,00. Já
os romances são
mais caros, o
que não nos
preocupa.
Comparando os
preços nas
livrarias
convencionais,
diríamos que o
livro espírita,
em média, está
um pouco caro,
embora devamos
considerar que
em sua maioria
sustentam obras
sociais e isso
deve ser levado
em conta.
O Consolador:
Na vivência com
o atendimento ao
público nas
feiras e na
livraria, qual a
maior
dificuldade que
eles relatam
acerca das lutas
do cotidiano? O
que procuram nos
livros?
Nas feiras, além
daqueles que
trazem sua lista
de compra,
muitas das
vendas acontecem
por impulso. O
cliente vê a
capa, o título,
o autor e acaba
comprando.
Outras são
geradas pelas
necessidades. As
dificuldades são
as mais
diversas, como o
sofrimento
físico
ocasionado pelas
doenças, o
emocional,
problemas de
relacionamento
no lar, no
trabalho; filhos
difíceis,
depressão,
culpas etc. No
livro espírita
buscam, em
geral, um
esclarecimento,
uma saída, um
conforto
espiritual. Em
se tratando de
vendas nas
feiras, a
procura se faz
por novidades,
preços bons,
saldos etc.
Alguns procuram,
devido à
indicação de
amigos, livros
de autoajuda. Já
na instituição,
encontramos os
que procuram
livros que lhes
esclareçam a
situação pela
qual estejam
enfrentando.
Então, O
Livro dos
Espíritos e
O Evangelho
segundo o
Espiritismo
são os que mais
indicamos.
O Consolador:
Como a livraria
espírita pode
auxiliar no
consolo e no
esclarecimento
dos que buscam o
Centro
Espírita?
Oferecendo obras
confiáveis de
qualidade,
mediúnicas ou
não, mas que
sejam
esclarecedoras,
confortadoras e
– por que não? -
com preços
acessíveis.
Damos
preferência às
obras básicas.
Em nosso caso
temos uma
biblioteca com
as mesmas obras
para empréstimo
gratuito, uma
vez que
procuramos não
vincular o
Atendimento
Fraterno à venda
de livros.
O Consolador:
Quais suas
sugestões aos
dirigentes
espíritas para
auxiliar os que
desejam iniciar
um posto de
venda de livros
ou uma livraria?
Primeiramente
ver o espaço
disponível, pois
este
desempenhará uma
função muito
importante na
relação com o
cliente. Que
este espaço
seja, de
preferência, na
entrada da Casa
Espírita. O
livro geralmente
é adquirido por
impulso (deve
ser visto, pois
o que não é
visto não é
lembrado).
Quanto maior o
espaço e mais
iluminado, maior
será o número de
vendas. Adquirir
ou construir
móveis para
exposição dos
livros (quando
não se tem como
adquirir, usar
então suportes
de madeira ou de
ferro com um
tampo tipo mesa,
com os livros
soltos por cima.
Este tipo de
exposição vende
bem...). Visitar
livrarias
espíritas para
ver a disposição
dos móveis, os
títulos como são
expostos, e os
modelos de
móveis, é
importante.
Efetuar contato
com agentes
distribuidores e
verificar a
lista de
produtos. No
caso de abrir
uma livraria,
deve-se procurar
um contador para
a documentação
legal. O livro é
isento de
impostos, mas o
CD e o DVD não.
As
distribuidoras
chegam a
disponibilizar
mais de 7.000
títulos em seus
catálogos, mas
temos que ter
muita prudência
porque há muitos
livros ruins ou
sem qualidade
doutrinária. Ter
cuidado nas
quantidades a
serem
adquiridas, pois
o livro é
perecível
(amarela,
desbota a capa e
suja as bordas).
Livros com
aparência de
velhos ou usados
é uma péssima
imagem para o
cliente. Numa
livraria
convencional,
deve-se ter 3
obras de cada
título
disponíveis. Num
ponto de vendas,
disponibilizar 1
ou 2 volumes de
cada título.
Neste caso, as
obras básicas
devem ser
adquiridas em
quantidades
maiores. Livros
que
tradicionalmente
têm um volume de
procura maior,
como Nosso Lar,
deve-se
disponibilizar
em quantidade
maior. Na
atualidade,
todas as Casas
Espíritas
deveriam
disponibilizar
livros tanto
para venda
quanto para
empréstimos. A
desculpa de que
a Casa é pequena
ou que temos
poucos
trabalhadores
não deve
existir. Toda a
dinâmica da
administração da
instituição vai
depender da
figura dos
dirigentes.
O Consolador:
Como é a rotina
para o
empréstimo de
obras espíritas
no C. E. Dias da
Cruz? Qual o
resultado deste
setor que pode
perceber?
Para empréstimos
temos à
disposição
aproximadamente
2.500 títulos.
Os horários de
funcionamento
são os mesmos da
livraria. Nosso
sistema é todo
automatizado. O
cliente se
associa
apresentando um
documento de
identidade e um
comprovante de
endereço. Tudo é
gratuito. Os
empréstimos são
por 21 dias,
podendo ser
renovado por
mais 21 dias. No
caso de atraso,
nos dois ou três
primeiros dias,
não acontece
nada. Numa
semana de
atraso, o sócio
recebe uma multa
de R$ 1,00; para
duas, R$ 2,00;
para três, R$
4,00 e assim
sucessivamente.
Quando o atraso
é muito grande,
solicitamos
somente a
devolução.
Crianças também
podem se
associar. Por
ano, efetuamos
aproximadamente
cinco mil
empréstimos.
Quanto à
procura, muitos
são
participantes do
ESDE. Quanto ao
tipo de livros
mais procurados,
são os romances,
embora esse não
seja o nosso
desejo. Vemos
como
extremamente
importante às
casas espíritas
oferecer
empréstimos
gratuitos de
livros. Perdemos
em média 200 ou
mais obras por
ano e, ao mesmo
tempo, recebemos
muitas outras em
doação. As
multas geram
valores que dão
para usar na
reforma ou
aquisição de
outras obras.
O Consolador:
Relate-nos como
procura
selecionar os
livros para
venda na
livraria ou para
empréstimo
perante a
fidelidade
doutrinária?
Isso é realmente
importante para
o dirigente
responsável pelo
setor?
É dever dos
dirigentes
espíritas
igualmente
submeter à
análise
literária e
doutrinária os
livros
publicados pelas
editoras, uma
vez que muitas
têm no Movimento
Espírita apenas
um nicho de
mercado, de onde
podem retirar
lucros, mas sem
nenhuma
preocupação de
ordem
doutrinária.
Assim, devemos
dobrar nossa
atenção, nossos
critérios para a
compra e venda
de livros.
Procurar
adquirir através
das Federativas,
embora estas
possam vender
obras com as
quais não
concordamos.
Evitamos,
também, livros
que sabemos que
não têm desvios
doutrinários,
mas o “médium”
vende o fruto da
mediunidade,
ficando com os
valores para si.
Cuidamos também
da produção de
cada médium.
Quando numa obra
percebemos algum
desvio ou texto
estranho,
evitamos a
venda. Para os
empréstimos
gratuitos usamos
dos mesmos
critérios usados
na livraria.
O Consolador:
Com sua
experiência de
alguns anos como
divulgador de
livros, como
avalia o aumento
dos lançamentos
de obras? São
todas oportunas
e adequadas?
Realmente vimos
uma enxurrada
de livros.
Aqueles que se
acostumaram com
a confiável
mediunidade de
Chico Xavier, de
Divaldo Franco,
de Raul Teixeira
têm hoje
dificuldade,
pois precisam
avaliar
cuidadosamente
e, ao mesmo
tempo,
compreender que
muitos outros
médiuns têm
surgido com
trabalhos de
excelente
qualidade. No
entanto, vimos
também obras que
são verdadeiros
lixos
espirituais (se
é que são
mediúnicos).
Obras com erros
doutrinários
gritantes.
Também erros de
linguagem, de
concordância,
repetições,
palavras
escritas
erradas,
parágrafos
confusos, mal
elaborados etc.
Isto pode
acontecer por
vários motivos
que vão desde as
deficiências de
filtragem do
médium, como a
pressa em
publicar sem uma
avaliação e
revisão mais
séria, profunda.
O Consolador:
Como o amigo
percebe o
conhecimento e a
procura de obras
clássicas do
Espiritismo de
autores como
Léon Denis e
Gabriel Delanne,
entre outros?
São obras
belíssimas que
contribuem muito
no entendimento
da Doutrina
Espírita e até
mesmo de sua
história, de seu
surgimento.
Percebemos que o
interesse pelos
clássicos
depende em muito
do trabalho
realizado pelos
trabalhadores do
Estudo
Sistematizado e
dos
palestrantes.
Quando o
coordenador de
um grupo lê,
automaticamente
os participantes
começam a
demonstrar
interesse por
essas leituras.
Na
comercialização,
a disposição
dessas obras em
lugar de
destaque é um
instrumento
motivador para o
conhecimento de
sua existência e
para a leitura.
Vimos que muitos
nem sabem da
existência
dessas obras. O
Movimento
Espírita pode
contribuir muito
ao divulgar nas
palestras, nos
estudos e em
seus postos de
venda. Falamos
anteriormente
que “quem não
é visto não é
lembrado” e
isto se aplica
aos autores
clássicos.
O Consolador:
Suas palavras
finais.
Certa vez em uma
atividade
mediúnica um
Espírito,
falando sobre o
livro,
disse-nos: “O
livro espírita é
o pão, o
alimento que
sustenta a alma
nas lutas do
dia-a-dia”.
Isso é uma
grande verdade.
Por outro lado,
dizem que o
livro vai
acabar, ou
melhor, que será
substituído pelo
livro
eletrônico. Se
isto acontecer,
levará ainda
algum tempo. Se
fizer parte do
progresso,
chegará a hora
que nos
renderemos a
ele. O Kindle
(livro
eletrônico) da
Amazon já possui
mais de cem mil
títulos. Quem
sabe um dia não
abriremos mais
um livro e sim o
ligaremos. No
entanto, cobiçar
um livro, tê-lo
na mão, viajar
em suas
histórias, no
conhecimento, é
uma satisfação
indescritível.
Ler, reler,
rabiscar e
estudar é um
prazer, uma
satisfação para
a alma. Há um
ditado popular
que diz:
“Quem tem um
livro, tem um
tesouro”.
Tenha muitos
tesouros,
carregue sempre
um e verá que o
tempo e as
oportunidades de
leitura surgem a
todo o momento,
na fila do
banco, no
consultório, no
ônibus etc. Na
vida existem
aqueles que
escrevem e, ao
mesmo tempo,
milhares
aguardando para
lê-los. Seja um
destes.