Como definir a
ciência?
A ciência é o
conhecimento ou
um sistema de
conhecimentos
que abarca
verdades as mais
gerais e
abrangentes
possíveis bem
como a aplicação
das
leis científicas
derivadas,
obtidas e
testadas através
do método
científico.
Nestes termos,
ciência é algo
bem distinto de
cientista,
podendo ser
definida como o
conjunto que
encerra em si o
corpo
sistematizado e
cronologicamente
organizado de
todas as
teorias
científicas,
bem como o
método
científico
e todos os
recursos
necessários à
elaboração
delas.
E como situar o
cientista?
O cientista é um
fator essencial
à ciência, e
como qualquer
ser humano,
dotado de um
cérebro
imaginativo,
criativo,
crítico e também
com
sentimentos
e
emoções.
O cientista
certamente
também tem suas
crenças
– convicções que
podem ir além da
realidade
tangível,
podendo mesmo
ser, não
raramente, um
religioso
convicto. Ao
definirem-se
ciência e
cientista é
relevante
ressaltar que em
seus trabalhos
científicos
saiba manter
suas crenças
separadas de
seus
artigos
científicos
e das
teorias
científicas
com as quais
trabalha;
constituindo-se
estes dois
elementos –
ciência e
cientista –
certamente muito
distintos.
Como vincular os
esforços da
ciência, no
conjunto dos
conhecimentos e
ativa presença
dos cientistas,
diante da
realidade de
tantas
divergências de
interpretações e
visão dos fatos?
O cientista,
quando elabora
um trabalho
científico, só
consegue sua
publicação
depois de ter
seu trabalho
analisado e
criticado por
dois, três ou
mais cientistas
da área de seu
conhecimento e
recebido deles
opinião unânime
da boa qualidade
de seu trabalho.
Desta maneira as
divergências nos
trabalhos
científicos são
minimizadas.
Entretanto,
quando algum
resultado é
apresentado como
surpreendente,
provoca debates
acirrados na
comunidade
científica até
que todos os
aspectos
referentes ao
tema sejam de
aceitação geral
pela comunidade
científica. Para
isto são
realizados os
congressos
internacionais
de Ciência em
cada uma de suas
áreas de atuação
com frequência
anual, bianual
ou maior
período. Por
esta razão a
Ciência se
desenvolve de
uma maneira
relativamente
harmônica.
Como ficamos com
a ciência diante
da revelação
espírita?
Neste sentido
diríamos que o
escopo ou
paradigma da
Ciência é ainda
a Matéria e não
o Espírito.
Sendo assim, não
podemos esperar
a palavra da
Ciência em favor
da realidade
espiritual e
muito menos da
Revelação
Espírita. No
entanto do ponto
de vista do
Cientista já
encontramos
muitos esforços
no sentido de
trabalhar a
hipótese do
Espírito em
algumas áreas do
conhecimento
científico, como
a Neurociência.
É um ponto de
curiosidade
científica se a
consciência está
no cérebro ou
fora dele. Se o
pensamento é uma
forma de energia
que se transmite
entre mentes e
ou cérebros. Se
as
possibilidades
paranormais
justificam ou
não a existência
do espírito como
independente da
matéria. De
minha parte
tenho certeza
que estas
iniciativas
científicas vão
abrir as portas
da realidade
espiritual e o
pensamento
científico se
ocupará delas em
futuro muito
próximo.
E como situar a
revelação
espírita perante
a ciência?
No estudo da
Revelação
Espírita
entendemos
claramente a
intenção do
Mundo
Espiritual, em
face do
adiantamento da
humanidade
terrena, que
ela, a Revelação
Espírita, veio
no momento certo
para convidar as
almas mais
preparadas para
antecipar e
trabalhar a
concepção humana
na direção da
realidade
espiritual até
então esquecida
pelo homem
sensorial. De
fato ela é uma
Revelação
Espiritual
partida do Mundo
Espiritual e que
contou com o
trabalho de
homens maduros e
sérios que
cultivavam o
conhecimento
científico na
época de seu
surgimento, e
que, por isto
mesmo,
perceberam a sua
lógica racional
e a veracidade
dos fatos hoje
conhecidos como
mediúnicos, como
autênticos e
verdadeiros. É
de se salientar
a presença do
Professor Rivail,
ou senhor Allan
Kardec, como a
mente lúcida e o
sentimento
equilibrado que
pôde
sistematizar as
informações
espirituais que
lhe chegaram por
diferentes
médiuns e grupos
estudiosos e dar
um corpo
doutrinário a
estas
informações de
uma forma
didática e
logicamente
estruturada. Por
esta razão ele é
o Codificador da
Doutrina
Espírita e uma
regra importante
que ele usou
anda meio
esquecida pelos
continuadores
espíritas de
nossa época que
é: Uma
informação nova
só pode ser
incorporada à
Doutrina
Espírita se ela
passar pelo
caráter da
universalidade
dos ensinos dos
Espíritos. A
Ciência,
enquanto não
incorporar em
seu paradigma a
possibilidade do
Espírito, não se
ocupará da
Revelação
Espírita, mas
cresce o número
dos cientistas
que se ocupam
com a realidade
espiritual.
Que pensar sobre
a opinião de um
pesquisador de
qualquer área da
ciência perante
os conhecimentos
que
gradativamente
se acumulam na
humanidade,
inclusive a
revelação
espírita, face à
diversidade de
entendimento e
amadurecimento
de cada um?
Especialmente se
considerarmos os
hábitos, crenças
e
condicionamentos
humanos?
É importante
neste aspecto
não perder de
vista que a
opinião de uma
pessoa, seja ela
cientista ou
não, não passa
de uma opinião
pessoal que,
para ser
considerada,
precisa ser
analisada com
critérios da
lógica e da sua
inclusão dentro
de outras
opiniões que a
corroborem como
digna de ser
levada a sério.
Senão
incorreremos na
formação de
correntes de
pensamentos que
não se suportam
a si mesmos, mas
que são capazes
de angariar
apoio de pessoas
menos cautelosas
e criar com isto
desenganos que
podem levar ao
sofrimento
muitas pessoas.
Hoje com a
internet isto
tem acontecido
com muita
intensidade,
pois que muitas
pessoas acham
que se está na
internet é
verdade. Veja
por exemplo o
ocorrido
recentemente com
as
interpretações
errôneas do
calendário Maia.
Para evitar tais
acontecimentos,
busquemos
conhecer com
mais
profundidade os
indivíduos que
se apresentam
como
pesquisadores e
atentemos para a
seriedade de
suas opiniões.
Em sua opinião,
qual a maior
contribuição do
Espiritismo para
a Ciência no
geral?
Como disse
anteriormente, a
Doutrina dos
Espíritos
codificada por
Allan Kardec
veio abrir
portas para uma
realidade
esquecida pelo
homem de Ciência
e para os
desenganados das
religiões,
convidando o
homem sério a
buscar o
conhecimento da
realidade
Espiritual.
Assim como a
Ciência delineia
as Leis do mundo
sensorial para o
nosso conforto
material
transitório, a
Doutrina
Espírita
delineia as Leis
Espirituais para
o nosso conforto
interior como
seres
espirituais
permanentes. Ela
nos ajuda a
compreender os
verdadeiros
objetivos da
Ciência e da
própria vida
terrena.
Quais os
principais
pontos de
ligação entre a
ciência
convencional,
com suas
pesquisas e
busca do
entendimento dos
fatos na
formulação de
leis e
princípios, e o
Espiritismo?
Já o disse
anteriormente.
Os pontos de
ligação estão
justamente nos
métodos de
análises
utilizados por
ambas. A
Doutrina
Espírita é uma
ciência de
observação e
como tal não
podemos ter
domínio sobre os
fatos, pois que
os Espíritos têm
vontade própria
e não se
submetem ao
mando do
cientista.
Neste
sentido ele é
parecido com a
Astronomia cujos
fatos são
observados, mas
não realizados
em laboratório,
como outras
áreas da Ciência
material.
Há algo marcante
em suas
reflexões
pessoais que
gostaria de
relatar?
Gostaria de
deixar claro
aqui minha
opinião como
cientista e
espírita. O
estudo da
Ciência e da
Doutrina
Espírita para
mim são recursos
educadores de
minha alma. As
estruturas de
raciocínio
lógico da
Ciência e da
Doutrina
Espírita são
equivalentes, e
o entendimento
de uma e outra
me ajuda a viver
com mais
equilíbrio e
serenidade.
Saber-se imortal
e saber que
aprenderei
sempre é uma
grande
felicidade.
Qual sua visão
acerca do
panorama atual
de conhecimentos
humanos frente
ao avanço do
pensamento
espírita?
O panorama atual
da humanidade é
de conflito
entre o egoísmo
individual e
coletivo com os
anseios de um
mundo mais justo
e generoso. A
Humanidade está
internamente
dividida entre o
sofrimento de
muitos e a
vantagem de
poucos. A
Ciência e a
tecnologia
facilitam a vida
do homem, mas os
homens
dificultam a
vida uns dos
outros por falta
de uma visão de
solidariedade e
amor. Aquele
lema da
Revolução
Francesa de mais
de duzentos anos
– Liberdade,
Igualdade e
Fraternidade –
não aconteceu
ainda entre os
homens. Todos
ansiamos por
este lema, mas
não sabemos
executá-lo por
falta da
convicção da
nossa realidade
espiritual
permanente e
evolutiva. Neste
sentido só a
Doutrina
Espírita pode
solucionar este
conflito. Por
esta razão estão
certos os
Espíritos: a
prática e
divulgação da
Doutrina
Espírita é a
maior caridade
que podemos
fazer neste
momento de
transição.
Algo mais que
gostaria de
acrescentar?
Estou feliz por
poder dizer
àqueles que nos
leem que podemos
juntos mudar o
mundo para
melhor,
começando por
mudar a nós
mesmos, já que
não podemos dar
aquilo que ainda
não temos.
Unamo-nos em
torno de um
ideal comum que
é nos tornarmos
uma única
família sob a
égide de um
mesmo patrono
que para mim
representa o
modelo de homem
ideal: Jesus. |